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Análise: estreia expõe dúvidas de Ancelotti e limitações do Brasil

Segundo jogo da Seleção acontece na próxima sexta (19), contra o Haiti

PorMárcio IannaccaEnviado Especial
14/06/2026 06:55
Ancelotti em Brasil x Marrocos (Foto: Rodolfo Buhrer/AGIF/Folhapress)
Ancelotti em Brasil x Marrocos (Foto: Rodolfo Buhrer/AGIF/Folhapress)
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NOVA JERSEY, NJ (EUA) - A estreia da Seleção Brasileira na Copa do Mundo deixou mais perguntas do que respostas. O empate por 1 a 1 com o Marrocos, no MetLife Stadium, em Nova Jersey, mostrou um Brasil ainda em construção sob o comando de Carlo Ancelotti, com dificuldades de criação, escolhas surpreendentes na escalação e poucos destaques individuais em uma atuação que ficou abaixo da expectativa criada para o início da caminhada no Grupo C.

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Antes mesmo de a bola rolar, Ancelotti já havia provocado debate. As presenças de Ibañez e Douglas Santos entre os titulares chamaram atenção, mas nada se comparou à escolha de Igor Thiago para comandar o ataque. O centroavante ganhou a vaga que muitos imaginavam ser de Matheus Cunha e entrou em campo carregando uma responsabilidade enorme. Não correspondeu.

A aposta do treinador italiano até fazia sentido dentro da ideia de ter uma referência física para enfrentar a forte defesa marroquina, mas o camisa 9 voltou a desperdiçar uma oportunidade importante de consolidar espaço na Seleção. Igor Thiago teve uma boa chance criada por Vini Jr e novamente não conseguiu transformar a oportunidade em gol. O atacante, que havia deixado boa impressão nos amistosos contra Panamá e Egito, parece sentir um peso diferente quando veste a camisa amarela em jogos de maior exigência.

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Das novidades promovidas por Ancelotti, quem saiu fortalecido para permanecer no time foi Douglas Santos. Seguro defensivamente e participativo no apoio, o lateral foi uma das poucas peças que mantiveram regularidade durante os 90 minutos. Já Ibañez viveu uma experiência diferente. Escalado para desempenhar uma função semelhante à que Wesley costuma exercer pelo lado direito, apareceu diversas vezes mais avançado e com liberdade para atacar espaços. Não comprometeu, mas também não conseguiu transformar a oportunidade em uma atuação marcante.

Boa parte dos problemas brasileiros passou pelo meio-campo. Lucas Paquetá viveu uma tarde muito abaixo do seu nível. Além dos erros técnicos, que geraram transições perigosas para o Marrocos, o jogador atuou em uma faixa do campo que o próprio Ancelotti havia indicado anteriormente que não pretendia utilizá-lo. Aberto pela direita, Paquetá nunca encontrou conforto na partida. Ficou distante da área, participou pouco da construção e perdeu a capacidade de acelerar o jogo entre as linhas.

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Sem organização pelo centro, o Brasil passou a depender excessivamente das jogadas individuais. E foi justamente daí que surgiu o empate. Bem marcado durante toda a partida, Vini Jr encontrou espaço em um dos poucos momentos de desatenção da defesa marroquina. Após excelente passe de Bruno Guimarães, mostrou a frieza de sempre para marcar e evitar uma derrota logo na estreia. Mesmo errando alguns passes e decisões no último terço, foi o jogador mais perigoso da equipe brasileira.

Ao seu lado, porém, Raphinha voltou a ter uma atuação decepcionante. O atacante circulou pelos dois lados do campo e também apareceu por dentro, mas nenhuma das tentativas funcionou. A certeza é de que o jogador ainda não consegue reproduzir na Seleção o protagonismo que costuma apresentar no Barcelona. Em uma Copa do Mundo, a margem para atuações apagadas diminui rapidamente.

Se houve alguém que aumentou suas chances para a próxima partida, foi Matheus Cunha. Ao entrar no segundo tempo, o atacante deu mais dinâmica ao setor ofensivo. Correu, pressionou a saída adversária, distribuiu melhor o jogo e participou mais da construção das jogadas. Sua entrada ajudou o Brasil a ganhar mobilidade, algo que faltou durante boa parte da confronto.

Por isso, a tendência é que Ancelotti promova mudanças para enfrentar o Haiti, na próxima sexta-feira (19), na Filadélfia. Danilo aparece como favorito para assumir a lateral direita, enquanto Matheus Cunha ganhou argumentos suficientes para iniciar entre os titulares. O treinador dificilmente repetirá a formação que começou diante do Marrocos.

Além das questões técnicas, a Seleção também sai da estreia em alerta disciplinar. Casemiro e Ibañez receberam cartão amarelo e estão pendurados. Como os cartões só serão zerados nas quartas de final, um novo amarelo contra o Haiti significará suspensão automática para a terceira rodada da fase de grupos.

O empate não compromete a classificação brasileira, mas serviu como um choque de realidade. A Copa do Mundo não costuma oferecer muito tempo para ajustes. Ancelotti fez apostas ousadas na estreia. Algumas deram sinais positivos. Outras deixaram claro que mudanças serão necessárias para que o Brasil apresente um futebol compatível com o tamanho de sua ambição no torneio.

Vini Jr comemorando contra o Marrocos na Copa do Mundo (Foto: Richard Callis /Fotoarena/Folhapress)
Vini Jr foi um dos pontos altos do time de Ancelotti(Foto: Richard Callis /Fotoarena/Folhapress)

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