Do Real Madrid ao Brasil: os motivos que explicam a queda de Ancelotti na Copa
Erros táticos, lesões e falta de tempo explicam a pior campanha desde 1966

A eliminação precoce da Seleção Brasileira nas oitavas de final da Copa do Mundo diante da Noruega abriu uma crise de identidade e colocou o trabalho de Carlo Ancelotti sob forte questionamento. Dono de um dos currículos mais pesados da história do futebol, com cinco títulos de Champions League, o italiano viu seu modelo de jogo ser duramente contestado após comandar a pior campanha brasileira em Copas do Mundo desde 1966.
➡️ Siga o Lance! no WhatsApp e acompanhe em tempo real as principais notícias do esporte

Para entender a queda brasileira, é preciso olhar para o passado recente de Ancelotti no Real Madrid. As duas últimas taças europeias do treinador nesta década (2021/22 e 2023/24) foram conquistadas em campanhas marcadas por oscilações, nas quais o talento individual frequentemente apareceu como fator decisivo diante das dificuldades coletivas. No Brasil, a receita se repetiu — mas, desta vez, sem o final feliz.
O peso das individualidades 'estrelas' e os milagres no fim
Durante a fase de grupos nos Estados Unidos, a Seleção Brasileira sobreviveu graças ao talento de seus atacantes. Vini Jr., com 4 gols, e Matheus Cunha, com 3 gols, foram responsáveis por todos os gols da equipe na primeira fase.

Quando o coletivo falhou no mata-mata contra o Japão, a Amarelinha precisou de um "milagre" nos acréscimos: após Casemiro buscar o empate, Gabriel Martinelli garantiu a classificação no último lance. Esse roteiro de decisões individuais nos minutos finais se tornou uma característica das equipes de Ancelotti. Dois episódios na Champions League ilustram esse padrão: Rodrygo e Joselu foram protagonistas de viradas improváveis.
Na Copa do Mundo de 2026, porém, as individualidades falharam diante do ferrolho norueguês, e nenhum salvador da pátria apareceu para evitar o vexame.

O milagre de Rodrygo (2021/22)
Contra o Manchester City na semifinal da Champions League, o Real Madrid perdia o jogo de volta até os 90 minutos. Rodrygo saiu do banco, marcou aos 90 e aos 91 minutos, e Benzema garantiu a vaga de pênalti na prorrogação.

O fator Joselu (2023/24)
Contra o Bayern de Munique na semifinal, o Real Madrid estava sendo eliminado até os 88 minutos, quando o contestado atacante Joselu marcou duas vezes em três minutos para garantir a virada histórica.

O abandono da identidade brasileira: 33% de posse de bola
Outro ponto que gerou forte rejeição entre os torcedores foi a postura passiva da Seleção Brasileira. Historicamente associada a um futebol ofensivo, dominante e marcado pela criatividade, a equipe terminou o jogo da eliminação contra a Noruega com apenas 33% de posse de bola, deixando o controle das ações nas mãos do adversário.
A estratégia de abrir mão da posse e apostar em transições rápidas, porém, não é uma novidade nos trabalhos de Carlo Ancelotti. O treinador utilizou um modelo semelhante em campanhas vitoriosas pelo Real Madrid, principalmente em jogos decisivos de mata-mata, embora a escolha sempre tenha gerado debates na Europa.
O massacre tático do City (2023/24)
Um dos exemplos mais marcantes aconteceu nas quartas de final da Champions League contra o Manchester City. O Real Madrid avançou nos pênaltis após dois jogos em que aceitou ficar sem a bola: teve 38% de posse no empate por 3 a 3 no Santiago Bernabéu e apenas 33% na volta, no empate por 1 a 1 na Inglaterra.
Mesmo diante do domínio ofensivo do City, Ancelotti manteve a estratégia de resistência defensiva e exploração dos contra-ataques, fórmula que acabou levando o clube à classificação.
O hat-trick de Benzema salvando o esquema (2021/22)
Outro episódio aconteceu nas quartas de final da Champions contra o Chelsea. O Real Madrid adotou postura mais cautelosa e terminou os dois confrontos com 43% de posse de bola. No jogo de ida, a equipe venceu por 3 a 1 com uma atuação histórica de Karim Benzema, autor de três gols.
Na partida de volta, o Chelsea venceu por 3 a 1 no tempo regulamentar, mas o Real resistiu na prorrogação e garantiu a classificação graças a mais um gol de Benzema, após assistência de Vini Jr.
O peso do sistema de jogo
A proposta do treinador italiano sempre teve como pilar a transição rápida e a capacidade de acelerar o jogo em poucos passes. No Real Madrid de 2021/22, a dependência girava em torno do pivô de Benzema e dos arranques de Vini Jr. pela ponta esquerda. Em 2023/24, com a saída do centroavante francês, o brasileiro assumiu completamente o protagonismo do ataque rápido.
Ao tentar transferir exatamente essa mesma dinâmica para a Seleção Brasileira, Ancelotti engessou o meio-campo e isolou suas peças criativas, deixando o time exposto quando os adversários conseguiam neutralizar as pontas.
Antes de retornar ao topo com o Real Madrid, Ancelotti havia acumulado passagens modestas e sem deixar saudades pelo Napoli (2018/19) e pelo Everton (2019 a 2021). A eliminação do Brasil em 2026 reacende o debate sobre se o modelo de Ancelotti consegue se sustentar longe de elencos estrelados, onde soluções individuais aparecem com frequência para decidir partidas.
Por que o esquema de Ancelotti não deu certo na Seleção Brasileira?
Se a receita rendeu troféus na Europa, por que ela ruiu tão rápido na Copa do Mundo? A resposta não está em uma falha isolada, mas na soma de peças que nunca encaixaram como no Real Madrid — e no tempo que faltou para tentar encaixá-las.
No Real Madrid, esse desenho reativo funcionava porque cada função tinha um dono claro — a começar pelo setor que sustentava, por trás, a dependência das estrelas já descrita acima. Casemiro, depois Tchouameni e Camavinga, garantiam bloqueio e recomposição; Kroos e Modrić, mesmo em fim de carreira, ditavam o ritmo assim que a bola voltava ao Real. Era um time lapidado, ano após ano, para sofrer pressão e golpear na transição.

Na Seleção, Ancelotti tentou reproduzir o desenho sem ter as peças tecnicamente parecidas. O meio-campo chegou aos Estados Unidos com cinco nomes de origem — Casemiro, Bruno Guimarães, Fabinho, Lucas Paquetá e Danilo Santos —, e a lesão de Wesley obrigou o treinador a puxar Éderson para o meio ainda antes da estreia.
Faltou o que o Real sempre teve de sobra: um segundo volante de contenção pronto para substituir Casemiro sem perda de intensidade. Andrey Santos e Gerson, testados ao longo do ciclo, ficaram fora da lista. O resultado foi um setor sem profundidade justamente na função mais decisiva do modelo – a que recupera a bola –, agora dependente de um Casemiro de 34 anos, fisicamente mais desgastado.
O flanco direito expõe bem essa diferença de recursos. No Real, Ancelotti sempre contou com Carvajal e opções de reposição para sustentar largura e velocidade dos dois lados. Na Seleção, a lesão de Wesley no último amistoso antes da estreia tirou a principal peça de profundidade pela direita, e Danilo não tinha mais como repor essa velocidade.
Raphinha, que deveria ocupar a ponta, foi um dos jogadores mais contestados do torneio e ainda se lesionou. Na emergência, Ancelotti escalou Rayan, garoto de 19 anos que se tornou uma das poucas certezas da equipe – elogiado pelo próprio treinador pela intensidade e pela personalidade dentro de campo. Não por acaso, foi justamente a sua saída, mais adiante na Copa, que deixou o lado direito exposto no momento mais decisivo contra a Noruega.
O preço de uma pressão que Ancelotti não enfrentava na Europa
Em Madri, uma marca do treinador sempre foi bancar suas convicções, mesmo sob cobrança de torcida e imprensa. Na Seleção, esse comportamento se inverteu diante do fenômeno Neymar: contestado por não competir em alto nível havia anos, o camisa 10 foi convocado sob forte pressão popular e política dentro da própria CBF.

Contra a Noruega, mesmo com o Brasil jogando melhor, o treinador colocou Neymar em campo. A consequência foi uma reação em cadeia: saíram Martinelli e Rayan — este último, até ali, uma das melhores notícias da campanha —; Endrick precisou se deslocar para a direita, posição em que rende menos; Bruno Guimarães, autor de quatro assistências no torneio, deu lugar a Éderson para compensar a fragilidade defensiva do camisa 10.
Na prática, o time ficou com um jogador a menos em campo, e o lado direito, sem a cobertura que Rayan vinha oferecendo, ficou exposto. Foi exatamente por ali que a Noruega cresceu no jogo até Haaland decidir, entregando exatamente o tipo de solução individual que se esperava, sem sucesso, de Neymar.
Tempo: o insumo que Ancelotti nunca teve
No Real Madrid, o modelo reativo foi lapidado ao longo de anos de treinos, pré-temporadas e repetição. Na Seleção, o italiano assumiu às vésperas do Mundial, quarto técnico do ciclo, herdando um grupo que já havia passado por Ramon Menezes, Fernando Diniz e Dorival Júnior – cada um com uma ideia diferente de jogo.
Não por acaso, a equipe começou o ciclo pensada em um 4-2-4, migrou para o 4-3-3 pouco antes da Copa e ainda precisou se adaptar dentro do próprio torneio por causa de lesões. Enquanto o Real de Ancelotti sabia, com anos de antecedência, quando recuar e quando acelerar, a Seleção ainda buscava essas respostas durante os jogos — o que ficou evidente na queda de rendimento após as trocas do segundo tempo diante dos noruegueses.
Sem os milagres de sempre
Talvez o retrato mais cruel dessa incompatibilidade esteja nos instantes finais. O roteiro que salvou o Real tantas vezes simplesmente não se repetiu na Copa: Bruno Guimarães desperdiçou o pênalti que abriria vantagem no placar; Endrick, sozinho na cara do gol depois de receber de Vini Jr, mandou para fora. Dessa vez, não apareceu um substituto providencial para reverter o que se perdia em campo.
Do outro lado, coube a Haaland bancar sozinho o papel de resolvedor – mas amparado por um plano coletivo que a Seleção, incapaz de sustentar a bola pelo tempo necessário, não conseguiu construir.
No fim, a eliminação diante da Noruega não foi só o fracasso de um esquema tático. Foi a prova de que o modelo reativo de Ancelotti não é uma fórmula universal: ele depende de um encaixe raro entre elenco, tempo de trabalho e uma confiança blindada de pressões externas – exatamente os três ingredientes que sobraram no Real Madrid e faltaram à Seleção Brasileira em 2026.
🤑 Ganhe 100% em aposta extra até R$100 na Novibet — aproveite somente hoje
18+ | Ministério da Fazenda adverte: Aposta não é investimento | Conteúdo comercial | Aplicam-se termos e condições!

Lance! Negócios
Buscas sobre Copa do Mundo batem recorde e Seleção Brasileira cresce; entenda
Há 7 minutos
Fora de Campo
Harmonização facial de Vini Jr: veja antes e depois do jogador
Há 8 horas
Copa do Mundo 2026
Jesus faz revelação sobre a Seleção e diz que convocaria astro do Flamengo
Há 19 horas
Fora de Campo
Vini Jr aparece com novo visual após procedimento estético
Há 20 horas
Copa do Mundo 2026
Brasil sobe no ranking da Fifa e encosta nos líderes após Copa; confira
Há 20 horas
Copa do Mundo 2026
Nosso fracasso na Copa começa com a falta de uma estratégia para o produto futebol
Há 1 diaMais LANCE!

Kaká desabafa sobre momento da Seleção Brasileira: 'Sinais'

Jogadores, CBF ou Ancelotti: torcida elege vilões do Brasil na Copa do Mundo

Globo tem a maior audiência de partida sem a Seleção Brasileira

Dez respostas para explicar o fracasso do Brasil na Copa do Mundo

IA projeta jogadores da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2030

Surpresa? Veja o ranking da Fifa após o fim da Copa do Mundo de 2026

Brasil, Argentina, Espanha e mais: veja a classificação final da Copa do Mundo de 2026

Quais seleções podem ameaçar o penta do Brasil na próxima Copa do Mundo?

Participação de Ronaldo e Ronaldinho na final da Copa viraliza: 'Do nada'

Destaque da Copa é sincero sobre confronto com Vini Jr: 'Estava com medo'

Jornal português aponta três brasileiros entre as maiores decepções da Copa do Mundo

Comentarista faz paralelo entre Pelé e Messi e se rende: 'Eu aceito'
