Com qual tamanho a Seleção saiu da Copa do Mundo? Colunistas do Lance! opinam
Colunistas do Lance! analisam a Seleção Brasileira após o fim da Copa do Mundo

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Após o encerramento da Copa do Mundo, a campanha da Seleção Brasileira segue sendo um dos principais temas de debate. Eliminado nas oitavas de final pela Noruega, o Brasil voltou a deixar o Mundial antes da disputa pelo título e ampliou o jejum de conquistas. Diante desse cenário, os colunistas do Lance! avaliaram como a equipe encerrou sua participação no torneio e refletiram sobre o atual momento da Seleção.
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Confira abaixo a opinião de Gustavo Fogaça, Eduardo Tironi e Lúcio de Castro sobre o momento do Brasil após mais uma eliminação em mata-mata de Mundial.
Fala, Guffo 🗣️
Aos olhares do mundo, o Brasil sempre será a Seleção do jogo bonito, dos craques do passado, do pentacampeonato. Para 2030 e na perspectiva dos nossos adversários, o Brasil não mudou de tamanho, mesmo tendo sido eliminado no mata-mata desde 2006 frequentemente. Quando formos jogar a próxima Copa, todos seguirão nos colocando entre os favoritos e o mundo (menos os argentinos) seguirá tendo o Brasil como sua segunda seleção favorita. Isso é o que se chama de "legado verde-amarelo", o que nossos heróis do passado deixaram pra gente.
Agora, para nós, brasileiros, esta Copa precisa nos levar a uma indagação: que tipo de futebol queremos jogar? Qual é a nossa identidade futebolística? Socialmente, o Brasil é o país do terceiro mundo que mais passou por transformações na sua estrutura nos últimos 30 anos. Políticas sociais e outros fatores (desde o crescimento das religiões neopentecostais até o sucateamento dos clubes de futebol), fizeram nossos tecidos sociais se alterarem como nunca vimos na nossa história. Quem é o Brasil e quem somos como nação? Seguimos sendo o país em que o futebol é válvula de escape para os vulneráveis e a Seleção é a representação de quem foi excluído pelo sistema? Nosso jogo segue refletindo a estrutura do nosso país, em que o drible e o engano sempre foram um recurso, em que a "malandragem" era sobrevivência? Ou estamos caminhando para uma nova estrutura social, em que quem antes não tinha chances agora senta à mesa, tem poder de voz e dinheiro? Não precisamos mais da "malandragem" que Garrincha usou contra os russos em 58, ou que Denílson simbolizava em 2002?
Pode parecer meio sem pé e sem cabeça, mas o futebol é o reflexo de uma sociedade. E quando uma seleção joga o futebol no qual aquela sociedade se vê refletida, cria-se uma conexão como a que vimos na Espanha de De la Fuente e na Argentina de Scaloni. Os dois times faziam o futebol que era a cara do seu povo. Qual é a cara do Brasil de 2026? O que nós somos como sociedade? Quais são os valores que queremos ver em campo, o jeito que tratamos a bola e o jogo? Estamos no divã como Nação, como sociedade e, por consequência, como Seleção. Não sei se Ancelotti e toda a turma da CBF possuem capacidade intelectual para esse processo. Mas, se não tiverem, seguiremos como agora: sendo eliminados por alguma seleção europeia do segundo escalão na próxima Copa.
Fala, Tironi 🗣️
Houve uma torcida turbinada contra a Argentina nesta Copa do Mundo, e isso se deve muito ao fiasco brasileiro. Quanto mais a Argentina avançava, mais a distância aumentava dela para o Brasil. E isso ficou refletido em todos os aspectos: torcida, envolvimento do time com o torneio, jogadores (muito pelo fato da presença de Messi no time argentino).
A derrota na final apenas estanca este sentimento de que nossos vizinhos e rivais jogam mais futebol e têm mais resultados em campo do que nós nos últimos anos. Não há sequer um argentino que hoje não esteja orgulhoso do que sua seleção fez nos Estados Unidos, mesmo com o jogo final decepcionante. Há algum brasileiro orgulhoso do que viu do Brasil? Duvido.
Fala, Lúcio de Castro 🗣️
Pode parecer incrível, mas o Brasil conseguiu sair da Copa menor ainda do que já estava. E vale observar que a moral já não era tão grande. Não precisa ir longe para entender. Basta pegar a Noruega como exemplo. A seleção que se impôs contra o Brasil e entrou em campo com uma proposta clara de ter a bola, avançar seus blocos e sufocar a seleção brasileira foi a mesma que entrou contra a Inglaterra e se botou atrás, disposta a entregar a bola.
Seriam vários exemplos de sintomas, como o Brasil atual não desperta sequer cuidado. Aliás, o que é pior: não desperta nada, apenas indiferença dos adversários. Mas sempre vai ter gente batendo no peito para dizer que somos 5 vezes campeões, etc. E não vai haver mudança. As pessoas que lá estão não tem condição de mudar, como também qualquer uma que o atual sistema colocar. Espera-se ao menos que o vídeo da derrota em 2030 seja um pouco melhor do que o vídeo surreal desse ano.
Sonho do hexa adiado
Após mais uma Copa do Mundo sem o tão sonhado hexacampeonato, a Seleção Brasileira adiou o objetivo para 2030. Eliminado nas oitavas de final pela Noruega, o Brasil encerrou a campanha de forma precoce e inicia um novo ciclo cercado por cobranças. Carlo Ancelotti terá pela frente uma longa missão até o próximo Mundial: reconstruir a confiança da equipe, definir uma identidade de jogo e recolocar a Seleção entre as principais forças do futebol mundial.

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