Análise – Brasil chega à 2ª rodada da Copa do Mundo ainda em construção
Ancelotti ainda não conseguiu repetir uma escalação na Seleção

Carlo Ancelotti completou no início deste mês um ano desde o primeiro jogo em que comandou a Seleção Brasileira. Daquele empate por 0 a 0 com o Equador em Guayaquil, em 5 de junho do ano passado, até o empate por 1 a 1 com o Marrocos neste sábado (13), pela Copa do Mundo, o treinador italiano comandou o Brasil em 13 partidas. E nunca conseguiu repetir uma escalação.
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As razões sempre foram alheias à vontade do treinador, que teve o desfalque de Raphinha logo no primeiro jogo — ele estava suspenso para aquela partida das Eliminatórias —, precisou fazer cortes em meio a Datas Fifa e perdeu o lateral-direito da Copa do Mundo a uma semana da estreia, quando Wesley se lesionou na vitória do Brasil por 2 a 1 sobre o Egito.
A chance de repetir o time se apresentaria pela primeira vez agora, já que o Brasil vai encarar o Haiti na próxima sexta-feira (19), pela segunda rodada do Grupo C da Copa do Mundo, e encerrou o jogo com o Marrocos sem problemas de lesão ou suspensão. Mas tudo indica que mais uma vez Ancelotti irá mexer no time, pela primeira vez por opção própria.
Titular da lateral-direita no jogo do MetLife, Ibañez recebeu cartão amarelo e, se receber mais um diante do Haiti, ficará suspenso. É improvável que Ancelotti corra esse risco e perca uma opção para o duelo com a Escócia no dia 24, que fechará o grupo e que definirá o futuro da Seleção Brasileira na Copa do Mundo.
Também advertido com cartão amarelo no duelo de estreia, Casemiro tem situação um pouco diferente. Ele é jogador de confiança de Ancelotti, tendo jogado 12 das 13 partidas do Brasil sob o comando do treinador. E, se for preservado, corre o risco de levar o segundo cartão justamente diante da Escócia, o que o tiraria do primeiro duelo de mata-mata.
Pelo regulamento da Copa do Mundo, os cartões amarelos só zeram a partir das quartas de final.

Mas, para além do dilema dos cartões, Ancelotti terá que pensar para a próxima partida qual o melhor time e o melhor sistema de jogo, algo que em 13 jogos até aqui não parece lhe estar muito claro.
Ao fim de 2025, o treinador estava convencido de que o melhor modelo de jogo era aquele com dois volantes e quatro atacantes. Nesse sistema, Casemiro e Bruno Guimarães são os meio-campistas, e Raphinha e Vini Jr são dois dos quatro atacantes. Matheus Cunha e Estêvão eram os outros dois.
O atacante do Chelsea sofreu séria lesão muscular semanas antes da convocação e deixou de ser opção. E o desempenho do time diante da França no amistoso de março, mesmo com um Brasil esfacelado por desfalques, mostrou que jogar com quatro atacantes e apenas dois meio-campistas talvez não fosse a melhor opção para 100% dos adversários.
O resultado disso tudo é que Carlo Ancelotti chega à segunda rodada da Copa do Mundo ainda sem ter um time titular definido. O treinador procura relevar esse fato e sustenta que "o time que começa não é o mesmo que termina", e isso parece ser genuíno. Afinal, em uma era em que a condição física é essencial no futebol, não seria razoável pensar que os mesmos 11 atletas jogariam os mais de 90 minutos das partidas. Rodar a equipe é natural.
Ao mesmo tempo, contudo, chegar ao segundo jogo do Mundial sem que o Brasil nunca tenha repetido uma escalação demonstra que a Seleção ainda não está pronta. A ver se ficará a tempo de se garantir na Copa do Mundo até 19 de julho.
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