Testemunhas dizem que Casares retirava R$ 100 mil por mês do São Paulo

Casares está sendo investigado pela justiça

PorIzabella GiannolaSão Paulo (SP)
09/07/2026 13:44
Casares em coletiva do São Paulo
Casares está com caso correndo na justiça (Foto: Izabella Giannola/ Lance!)

A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo ouviram duas testemunhas em cima do processo que corre em cima de Julio Casares, ex-presidente do clube. Em vídeo no qual o "ge" teve acesso, as pessoas ouvidas informaram que Casares chegava a sacar em torno de R$ 100 mil, em espécie, dos cofres do clube. O dinheiro era retirado em sacolas e envelopes.

O Lance! apurou que o caso está sendo conduzido por Tiago Fernando Correia, da Polícia Civil, e pelos promotores José Reinaldo Carneiro e Tomás Ramadan, do Ministério Público, que acompanham desde o começo. A identidade das testemunhas será mantida em segredo de justiça.

continua após a publicidade

O caso começou a ser movimentado no começo deste ano. O presidente Julio Casares teria recebido cerca de R$ 1,5 milhão em depósitos em dinheiro em sua conta corrente entre janeiro de 2023 e maio de 2025.

Os rendimentos de Casares referentes ao salário pago pelo São Paulo representariam apenas 19,3% de toda a movimentação identificada na conta, o equivalente a R$ 617 mil. O restante diz respeito a depósitos em dinheiro realizados de maneira fracionada e em valores menores.

continua após a publicidade

Segundo o Coaf, esse tipo de operação é classificado como "smurfing", prática utilizada para tentar burlar os mecanismos de monitoramento financeiro. Há registros de até 12 depósitos feitos em um único dia, além de operações no valor de R$ 49 mil, justamente abaixo do limite de R$ 50 mil que gera comunicação automática ao órgão de controle. Justamente por isso, isso seria interpretado como desvio de dinheiro.

– Ele comprovava com o recibo que era encaminhado. É um recibo de aquisição de ingresso, que é o que ele fazia. Eles mandavam um encaminhamento de ação promocional, que eu não sei qual é a ação promocional. E depois, na cobrança, ele (Julio Casares) (...) assinava um documento... Ele não, o representante dele (assinava), de que eram ingressos adquiridos para dia de jogo. Tem uma série de jogos - disse uma das testemunhas no vídeo que foi divulgado.

continua após a publicidade

Uma das testemunhas afirmou que Julio Casares requisitava recursos ao departamento financeiro sob a justificativa de "ações promocionais em eventos", sem apresentar especificações sobre a destinação dos valores. Conforme o relato, o montante era retirado do cofre do Morumbis, acondicionado em envelopes e entregue à presidência.

O Lance! entrou em contato com a defesa de Julio Casares, mas ainda não recebeu um posicionamento. Caso receba, a reportagem será atualizada.

continua após a publicidade
Casares como presidente do São Paulo
Casares no salão nobre do São Paulo (Foto: Bruno Santos/Folhapress)

Justiça pede quebra de sigilo bancário de Casares e envolvidos em camarotes do São Paulo

A Justiça determinou no começo de junho a quebra do sigilo bancário dos envolvidos no caso que investiga a suposta venda irregular de camarotes do São Paulo no Morumbis. A informação foi publicada pelo "ge" e confirmada pelo Lance!.

Entre os citados na investigação estão Julio Casaresex-presidente do São PauloMara CasaresDouglas SchwartzmannMarcio Carlomagno e Rita de Cassia Adriana Prado.

continua após a publicidade

O escândalo envolve um esquema de comercialização clandestina de camarotes corporativos no Morumbis. O caso desencadeou uma investigação policial, inquérito do Ministério Público e culminou na expulsão dos diretores envolvidos do quadro de sócios do São Paulo

A justiça está fazendo uma força-tarefa em cima desde então. O caso veio à tona em dezembro do último ano. José Reinaldo Carneiro e Tomás Ramadan, promotores do Ministério Público, além de Tiago Correia, da Polícia Civil, estão em cima do assunto.

continua após a publicidade

O Ministério Público foi quem pediu, primeiramente, a abertura do inquérito. Agora, a Polícia abriu investigação para apurar uso irregular de camarotes do São Paulo. Segundo apurou a reportagem, as investigações estão em andamento pelo DPPC (Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania), em segredo de Justiça, motivo pelo qual detalhes serão preservados para garantir autonomia ao trabalho policial.


Sugerida para você!

Mais LANCE!