Polícia investiga movimentações milionárias ligadas a Casares, presidente do São Paulo
Dados informados pela reportagem estão no relatório do Coaf

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O presidente Julio Casares teria recebido cerca de R$ 1,5 milhão em depósitos em dinheiro em sua conta corrente entre janeiro de 2023 e maio de 2025. As movimentações do presidente do São Paulo estão sendo investigadas pela Polícia Civil, segundo informação antecipada pelo UOL e confirmada pelo Lance!.
O tema ganhou força desde a noite de segunda-feira (5), conforme apurado pela reportagem. Os dados constam em relatórios de análise financeira do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) - órgão do Governo Federal. O que chamou a atenção, no entanto, foi a forma como esses valores foram depositados.
Os rendimentos de Casares referentes ao salário pago pelo São Paulo representariam apenas 19,3% de toda a movimentação identificada na conta, o equivalente a R$ 617 mil. O restante diz respeito a depósitos em dinheiro realizados de maneira fracionada e em valores menores.
Segundo o Coaf, esse tipo de operação é classificado como "smurfing", prática utilizada para tentar burlar os mecanismos de monitoramento financeiro. Há registros de até 12 depósitos feitos em um único dia, além de operações no valor de R$ 49 mil, justamente abaixo do limite de R$ 50 mil que gera comunicação automática ao órgão de controle.
Esse cenário levanta a suspeita de um possível desvio de dinheiro segundo a polícia civil. A investigação segue em andamento na Justiça. O Lance! confirmou que os dados e valores citados na reportagem do UOL também constam nos autos da apuração.
A apuração também aponta que, entre janeiro de 2021 e novembro de 2025, foram sacados R$ 11 milhões em espécie das contas do São Paulo, distribuídos em 35 operações. Até o momento, porém, não há informações que estabeleçam uma relação direta entre essas retiradas e os depósitos identificados na conta de Julio Casares. As origens dos recursos e das transações ainda não foram esclarecidas até o momento.
Em contato com o clube, foi repassado ao Lance! que "o clube possui contabilidade e registros formais para o pagamento de todas as despesas operacionais, com os processos devidamente auditados" e que "toda a movimentação financeira é informada à Receita Federal por meio do Sped Contábil, não existindo saques sem registro ou sem a correta contabilização da origem dos gastos, sempre acompanhados da documentação fiscal correspondente".
Ainda de acordo com as informações, o nome de Mara Casares, ex-esposa do presidente e envolvida no esquema de venda ilegal de camarotes no estádio do Morumbis, também teria sido mencionado. Ao todo, foram identificados 104 boletos bancários pagos em nome de Mara.
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O Lance! entrou em contato com Coaf e o Ministério Público de São Paulo. O Ministério Público informou em nota que o caso é investigado, sob sigilo, pela 4ª Delegacia de Polícia da Divisão de Investigações sobre Crimes contra a Administração, Combate à Corrupção e Lavagem ou Ocultação de Bens, Direitos e Valores do DPPC. Diligências estão em andamento para o total esclarecimento dos fatos.

Advogados de Casares emitem nota à imprensa
Os advogados de Julio Casares emitiram uma nota à imprensa sobre a acusação. Representado pelos advogados Daniel Bialski e Bruno Borragine, a justificativa seria que "os gastos teriam origem lícita e legítima".
Na nota, a defesa de Júlio Casares busca reforçar que não há irregularidade nas movimentações financeiras apontadas nos relatórios do Coaf. Os advogados afirmam que todo o dinheiro movimentado tem origem lícita e compatível com a evolução patrimonial do presidente do São Paulo, destacando que ele já ocupava cargos de alta direção na iniciativa privada antes de assumir o clube, com remuneração elevada.
Além disso, os representantes legais ressaltam que os detalhes sobre a origem dos valores serão apresentados ao longo da investigação, por meio de documentos, declarações fiscais e outras provas.
Veja a nota na íntegra:
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Os advogados Daniel Bialski e Bruno Borragine, que representam a defesa particular de Júlio Casares, afirmam que todas as movimentações financeiras de Júlio, contidas nos relatórios do COAF, possuem origem lícita e legítima, com lastro compatível com a evolução de sua capacidade financeira.
Esclareça-se que antes de assumir a presidência do São Paulo Futebol Clube, nosso constituído desempenhou e exerceu funções de alta direção na iniciativa privada, com boa remuneração.
Ademais, a origem e o lastro de tais movimentações serão detalhadas e esclarecidas no curso das investigações, com a apresentação de provas, declarações e informações fiscais, justamente para rebater qualquer ilação que se fizer e, ainda mais porque não tiveram acesso à integralidade do inquérito policial.
São Paulo/SP, 05 de janeiro de 2026.
Daniel Leon Bialski
OAB/SP 125.000
Bruno Garcia Borragine
OAB/SP 298.533
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