Ana Marcela supera água viva e é campeã na maratona aquática
Brasileira garantiu título da Série Mundial da modalidade; mesmo sem precisar terminar prova, nadadora foi até o fim enquanto sentia água viva lhe queimando o rosto

Na madrugada desta sexta-feira, Ana Marcela deu outro significado à palavra guerreira. Na etapa de Abu Dhabi, a brasileira garantiu o tetracampeonato da Série Mundial de maratona aquática - que já estava matematicamente assegurado, mas o regulamento obrigava a atleta a participar da última prova.
O triunfo da nadadora, porém, veio com um detalhe doloroso: Ana Marcela teve que lidar com uma água viva que estava grudada a seu rosto, causando queimaduras. Terminar a prova não era uma obrigação para a brasileira de acordo com o regulamento, mas ela foi até o fim da mesma forma, ficando com o terceiro lugar (atrás das italianas Arianna Bridi e Rachele Bruni).
- A Ana teve um problema na terceira volta. Eu não tinha entendido direito na hora o que tinha acontecido. Ela passou para se alimentar gritando: 'minha cara, minha cara, minha cara'. Na hora eu não entendi, mas depois, quando ela chegou da prova, eu fui entender que o 'minha cara' foi porque tinha uma água viva grudada na cara dela. Ela estava com a sobrancelha, a testa, ali próximo ao olho, tudo inchado e vermelho - revelou Fernando Possenti, treinador de Ana Marcela.
O técnico ainda revelou que a brasileira não foi a única a ser atingida por queimaduras de águas vivas, mas foi quem melhor lidou com a situação - outras atletas desistiram da prova. A persistência de Ana Marcela, porém, não apaga as dificuldades encontradas pela atleta.
- Tiveram algumas atletas com quem aconteceu a mesma coisa e elas desistiram. Outras, que estavam brigando no pelotão, ficaram lá para trás. Começou a arder e ela começou a chorar. Ela falou que teve que parar para esvaziar o óculos porque tava cheio de água de tanto que ela estava chorando pela irritação no olho. Aí ela se desconcentrou. Ficou metade de uma volta um pouco apreensiva e depois voltou a nadar bem, a ficar bem posicionada no pelotão e fechou forte - complementou.
A dobradinha italiana no pódio reflete a preparação do país para a prova, que serve como seletiva para o Mundial para as atletas da Velha Bota. Na opinião de Possenti, esse fator tornou a prova ainda mais complicada do que uma disputa mundial, já que havia um maior número de nadadoras qualificadas.
- As italianas estavam muito bem preparadas porque essa prova servia de seletiva para o Mundial para elas. Tinham seis italianas brigando por duas vagas. Então, elas vieram aqui com a faca nos dentes. E a Ana fechou bem e conseguiu garantir um terceiro. Foi uma prova mais forte do que um Mundial porque no Mundial cada país só pode inscrever duas atletas. Aqui você tinha seis alemãs, seis italianas, sete francesas. Você tinha muito mais gente do que você tem de qualidade num Mundial. A prova foi forte, muito bem nadada - finalizou Fernando Possenti.

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