Artilheiros da Copa de 1994: Oleg Salenko, da Rússia, e Hristo Stoichkov, da Bulgária
O recorde de Salenko e a magia de Stoichkov na inesquecível Copa de 1994.

A décima quinta edição da Copa do Mundo, realizada nos Estados Unidos em 1994, representou um marco comercial e de quebra de recordes de público para o esporte. Em um país onde o futebol ainda lutava para se popularizar, o torneio entregou um espetáculo vibrante, marcado por estádios lotados, sol escaldante e partidas inesquecíveis. A competição culminou no aguardado tetracampeonato da seleção brasileira, mas a disputa pelo prêmio de maior goleador do torneio reservou um enredo à parte. O Lance! relembra a trajetória dos artilheiros da Copa de 1994: Oleg Salenko, da Rússia, e Hristo Stoichkov, da Bulgária.
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Diferente da maioria das edições anteriores, a corrida pela Chuteira de Ouro em solo norte-americano terminou com um empate histórico no topo da tabela. O que torna o desfecho de 1994 tão fascinante é o contraste absoluto entre as campanhas dos dois artilheiros. Foi uma divisão de honras entre um jogador que teve uma participação relâmpago, restrita à primeira fase, e um craque genial que carregou sua seleção nas costas até as fases mais agudas e dramáticas do Mundial.
O primeiro protagonista dessa história foi um centroavante da Rússia que protagonizou um dos maiores surtos de letalidade já vistos no futebol. Sua seleção não conseguiu avançar para o mata-mata, o que significa que ele teve apenas três partidas para deixar sua marca. Apesar do pouco tempo em campo, ele cravou seu nome na eternidade ao quebrar um recorde absurdo em uma única tarde, provando que o faro de gol pode transformar um jogador comum em uma lenda instantânea das Copas.
O segundo herói foi o grande maestro da Bulgária, conhecido tanto pelo seu talento excepcional com a perna esquerda quanto pelo seu temperamento explosivo. Ele era o grande craque do Barcelona na época e desembarcou nos Estados Unidos como a esperança de uma geração dourada. Diferente do colega russo, ele espalhou seus gols ao longo de toda a competição, punindo adversários gigantes e conduzindo seu modesto país a uma das campanhas mais surpreendentes da história do torneio.
Com trajetórias diametralmente opostas, Oleg Salenko e Hristo Stoichkov terminaram o Mundial dividindo o topo da artilharia, com seis gols cada. Enquanto um representa o acaso maravilhoso e os recordes inatingíveis que só uma Copa do Mundo pode proporcionar, o outro simboliza a consagração técnica de um dos maiores jogadores de sua geração no maior palco do planeta.
Artilheiros da Copa de 1994
Oleg Salenko e o recorde em uma única tarde
A jornada de Oleg Salenko na Copa de 1994 parecia destinada à frustração. A Rússia caiu em um grupo fortíssimo e acabou perdendo na estreia para o Brasil. No segundo jogo, contra a Suécia, a equipe voltou a ser derrotada por 3 a 1. Foi nessa partida que Salenko anotou o seu primeiro gol no torneio, convertendo uma cobrança de pênalti. O cenário para a última rodada era melancólico: a Rússia já estava praticamente eliminada e enfrentaria Camarões apenas para cumprir tabela.
Foi no Estádio Stanford, na Califórnia, que a história foi escrita de forma brutal. Em uma atuação iluminada e impiedosa, Salenko destruiu a defesa de Camarões na vitória russa por 6 a 1. O atacante marcou simplesmente cinco gols na mesma partida. Esse feito inacreditável estabeleceu o recorde absoluto de mais gols marcados por um único jogador em um mesmo jogo de Copa do Mundo. Com esses cinco tentos somados ao gol contra os suecos, Salenko chegou a seis gols em apenas três jogos e voltou para casa, aguardando para ver se alguém o alcançaria.
Hristo Stoichkov e a mágica geração búlgara
Enquanto Salenko assistia ao resto da Copa pela televisão, Hristo Stoichkov liderava a Bulgária em uma campanha épica. Após uma derrota na estreia, a canhota letal do camisa 8 começou a funcionar no segundo jogo. Contra a Grécia, Stoichkov foi o dono da partida, marcando dois gols de pênalti na vitória tranquila por 4 a 0. No jogo decisivo da fase de grupos, ele abriu o placar na surpreendente e histórica vitória por 2 a 0 sobre a poderosa Argentina, garantindo a classificação búlgara.
No mata-mata, a estrela do gênio brilhou ainda mais forte. Nas oitavas de final contra o México, o jogo terminou empatado em 1 a 1, com um belo gol de Stoichkov abrindo o marcador (a Bulgária avançaria nos pênaltis). O auge de sua técnica, porém, aconteceu nas quartas de final, diante da temida Alemanha, então atual campeã mundial. Com a Bulgária perdendo por 1 a 0, Stoichkov cobrou uma falta magistral, por cima da barreira, empatando o jogo que terminaria com a heroica virada búlgara por 2 a 1.
A saga de Stoichkov e da Bulgária terminou na semifinal contra a Itália, em uma derrota por 2 a 1. Mesmo com o revés, o craque búlgaro deixou sua marca registrada ao converter um pênalti no final do primeiro tempo, anotando o seu sexto gol no torneio. Esse tento final igualou a marca do russo Oleg Salenko. Stoichkov não levou a Bulgária à decisão, mas coroou o seu ano inesquecível faturando não apenas a Chuteira de Ouro da Copa, mas também a prestigiosa Bola de Ouro (Ballon d'Or) como o melhor jogador da Europa naquela temporada.
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