Artilheiro da Copa de 1990: Salvatore Schillaci, da Itália
A mágica de Salvatore Schillaci, o artilheiro improvável da Copa de 1990.

A décima quarta edição da Copa do Mundo, realizada na Itália em 1990, é lembrada por muitos como o torneio das defesas implacáveis e do futebol de resultados. Marcada pela menor média de gols da história da competição, a Copa exigiu que os atacantes fossem mais criativos e cirúrgicos do que nunca para superar sistemas táticos extremamente recuados. O país sede respirava futebol, e a empolgante trilha sonora "Un'estate italiana" embalou o sonho de uma nação inteira de celebrar o tetracampeonato mundial em casa. O Lance! relembra a trajetória do artilheiro da Copa de 1990: Salvatore Schillaci, da Itália.
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A seleção da Itália, conhecida como a Azzurra, chegou ao torneio carregando a imensa e sufocante responsabilidade de erguer a taça diante de sua apaixonada torcida. Comandada pelo técnico Azeglio Vicini, a equipe contava com um sistema defensivo praticamente intransponível e um elenco recheado de craques consolidados no futebol europeu. A pressão por bons resultados desde a estreia transformou cada partida no Estádio Olímpico de Roma em um teste para os nervos de jogadores e torcedores.
O ataque titular no início da competição era formado pelos badalados Gianluca Vialli e Andrea Carnevale, nomes que estampavam as capas dos jornais esportivos da época. No entanto, o futebol tem a mágica capacidade de criar heróis completamente inesperados. No banco de reservas da Itália, vestindo a camisa 19, estava um atacante de origem humilde da Sicília que havia sido convocado de última hora. Ele vinha de uma excelente temporada de estreia pela Juventus, mas possuía pouquíssima experiência internacional.
A marca registrada desse jogador ia muito além da sua velocidade e do faro de gol apurado. Quando balançava as redes, suas comemorações eram explosões vulcânicas de pura paixão. Com os braços erguidos, correndo sem direção e com os olhos arregalados como se não acreditasse no que estava vivendo, ele rapidamente se conectou com a alma da torcida italiana. Em um time cheio de astros frios e calculistas, sua entrega incondicional e emoção genuína o transformaram no rosto carismático daquelas famosas "Noites Mágicas".
Esse herói improvável era Salvatore "Totò" Schillaci, o homem que entrou para a eternidade como o grande Artilheiro da Copa de 1990. Saindo da obscuridade do banco de reservas para o estrelato global em questão de dias, ele marcou seis gols que salvaram a Itália em diversas ocasiões críticas. Sua campanha de contos de fadas não apenas lhe rendeu a cobiçada Chuteira de Ouro de forma isolada, mas também a Bola de Ouro de melhor jogador de um Mundial inesquecível.
Artilheiro da Copa de 1990: Salvatore Schillaci, da Itália
Salvatore Schillaci, o salvador improvável na fase de grupos
A jornada de consagração de Totò começou logo na tensa partida de estreia da Itália contra a Áustria. O jogo se arrastava em um perigoso empate em 0 a 0, com o ataque italiano parando na forte retranca adversária. Aos 30 minutos do segundo tempo, o treinador decidiu colocar Schillaci em campo. Quatro minutos depois, aproveitando um belíssimo cruzamento de Vialli, o siciliano subiu entre os gigantes zagueiros austríacos e, de cabeça, garantiu a fundamental vitória por 1 a 0.
Após participar sem marcar no segundo jogo contra os Estados Unidos (vitória por 1 a 0, com gol de Giannini), Schillaci ganhou de vez a titularidade na rodada final da fase de grupos, formando dupla de ataque com Roberto Baggio diante da Tchecoslováquia. Com menos de dez minutos de bola rolando, Totò aproveitou um chute mascado de fora da área, desviou de cabeça e abriu o placar na vitória italiana por 2 a 0, consolidando seu status de novo ídolo da nação.
A letalidade no mata-mata contra uruguaios e irlandeses
O primeiro desafio das oitavas de final colocou os donos da casa frente a frente com o respeitado e sempre perigoso time do Uruguai. Em mais uma partida extremamente truncada e de muita marcação física, a estrela de Salvatore Schillaci brilhou na etapa complementar. O atacante recebeu a bola na entrada da grande área e, de primeira, emendou um poderoso chute de perna esquerda, inaugurando o marcador na vitória por 2 a 0 que levou a Itália adiante.
Nas quartas de final, o cenário dramático se repetiu diante da surpreendente e recuada seleção da República da Irlanda. Como já havia se tornado rotina, a torcida esperava por um lampejo do seu camisa 19 para decidir a classificação. Schillaci não decepcionou: após um rebote do goleiro irlandês Pat Bonner em um forte chute de Roberto Donadoni, Totò apareceu como um raio no meio da pequena área para empurrar a bola para as redes, sacramentando o magro triunfo por 1 a 0.
O drama contra a Argentina e a despedida de ouro
A aguardada semifinal ocorreu em Nápoles, colocando a invicta Itália diante da temida Argentina de Diego Maradona. Schillaci voltou a fazer o país explodir de alegria logo aos 17 minutos do primeiro tempo, aproveitando mais um rebote dentro da área para marcar o seu quinto gol e abrir o placar. Contudo, os argentinos buscaram o empate na etapa final, o jogo seguiu para os pênaltis e a Itália acabou amargando uma trágica eliminação, frustrando o sonho do tetracampeonato em casa.
Apesar das lágrimas e da imensa decepção, a Itália ainda precisava entrar em campo para a disputa do terceiro lugar contra a Inglaterra. Além da medalha de bronze, estava em jogo a consagração individual de Totò. Com o placar empatado em 1 a 1 e caminhando para o fim, o atacante sofreu um pênalti. Como cobrador oficial da equipe, Roberto Baggio abriu mão de bater e cedeu a bola para que Schillaci marcasse o seu sexto gol. Com essa cobrança perfeita, o siciliano isolou-se no topo da artilharia, eternizando seu nome no esporte com uma ascensão meteórica e memorável.
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