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Gestão Esportiva na Prática: mudar para permanecer

O futuro do futebol brasileiro não depende de escolher entre tradição e transformação, mas de compreender que uma não sobrevive sem a outra

menino com a bola debaixo do braço e camisa suja olha para o campo de futebol na entrada do estádio
imagem cameraClubes permanecem vivos porque sabem evoluir sem abrir mão da própria identidade (Foto: Imagem gerada por IA)
Autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, esse texto não reflete necessariamente a opinião do Lance!
Dia 03/06/2026
07:00

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Há alguns dias escrevi uma reflexão que insiste em me acompanhar:

"Na dura batalha de mudar todos os dias para continuar sendo a mesma pessoa, não se surpreenda com as críticas de quem você já não reconhece mais. Alguns mudam para permanecer fiéis a si mesmos. Outros mudam justamente porque ficaram parados."

Quanto mais reflito sobre ela, mais percebo que talvez também explique um dos maiores desafios do futebol brasileiro neste momento. Vivemos uma disputa inócua.

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De um lado, aqueles que defendem a tradição dos clubes. Do outro, os que defendem a modernização da gestão. Como se preservar a história e promover mudanças fossem objetivos incompatíveis.

Não são. Aliás, a história mostra exatamente o contrário.

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Evolução com identidade

Os clubes que atravessaram décadas, sobreviveram a crises econômicas, transformações sociais, revoluções tecnológicas e mudanças profundas no comportamento dos torcedores não permaneceram vivos porque resistiram ao novo. Permaneceram vivos porque souberam evoluir sem abrir mão da própria identidade.

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A história de um clube não está nos seus processos ultrapassados. A história está nos seus valores. Está na sua relação com a comunidade, na memória construída por gerações, nos símbolos que atravessam o tempo e no sentimento de pertencimento que transforma uma instituição esportiva em patrimônio cultural.

Processos podem mudar. Modelos de gestão e governança também devem mudar. Estruturas precisam mudar.

Os valores, não.

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Homens gestores fazem reunião com bola em cima da mesa
A história de um clube está nos seus valores (Foto: Imagem gerada por IA)

Disputa sem vencedores

Por isso me preocupa quando vejo dirigentes abnegados e profissionais da gestão esportiva sendo colocados em lados opostos de uma mesma mesa. Essa disputa não produz vencedores.

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Os dirigentes carregam a memória institucional, a cultura e o sentimento que mantiveram os clubes vivos durante décadas.

Os executivos trazem método, governança, conhecimento técnico e capacidade de execução compatíveis com a complexidade do futebol contemporâneo.

Quando um lado tenta eliminar o outro, o clube perde. O futebol moderno exige integração, não substituição.

Mudanças importantes

Depois de muitos anos, o futebol brasileiro começa a discutir temas fundamentais para sua sobrevivência. Governança, integridade, licenciamento, profissionalização, formação de gestores e, mais recentemente, Fair Play Financeiro passaram a ocupar um espaço que durante muito tempo foi ignorado.

A própria CBF vem conduzindo mudanças estruturais importantes. Naturalmente, algumas serão aperfeiçoadas ao longo do caminho. Toda transformação carrega imperfeições.

Mas existe algo mais perigoso do que errar tentando evoluir: recusar-se a evoluir. Os desafios do futebol de 2026 não serão resolvidos com as soluções de 1996. Da mesma forma que os valores que sustentaram nossos clubes em 1996 continuam indispensáveis em 2026.

Talvez o verdadeiro desafio esteja justamente aí. Encontrar a coragem para mudar tudo aquilo que precisa ser mudado. E a sabedoria para preservar tudo aquilo que jamais deveria mudar. Porque alguns mudam para permanecer fiéis à própria essência. Outros acabam  mudando justamente porque ficaram parados.

Os clubes não se tornam imortais porque resistem ao tempo. Tornam-se imortais porque aprendem a caminhar com ele.

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Felipe Ximenes escreve sua coluna no Lance! todas as quartas-feiras. Confira outras postagens do colunista:

➡️ O futebol brasileiro desaprendeu a esperar
➡️ Entre o que pode ser e o que tende a ser
➡️ O triângulo que engole treinadores no futebol brasileiro
➡️ O futebol brasileiro está formando para quem?
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