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Análise tática do Guffo: os destaques da ida das oitavas da Copa do Brasil

Vitória no placar nem sempre significou superioridade tática

PorGustavo Fogaça
Colunista
Rio de Janeiro (RJ)
03/08/2026 11:55

Autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, esse texto não reflete necessariamente a opinião do Lance!
Internacional x Corinthians pela Copa do Brasil
Internacional x Corinthians pela Copa do Brasil (Foto: Roberto Vinicius/AGIF/Folhapress)

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A ida das oitavas de final da Copa do Brasil 2026 entregou um padrão tático claro e recorrente: quem mandou no jogo nem sempre foi quem jogou melhor, e quem jogou melhor nem sempre conseguiu furar o bloqueio adversário. A rodada foi dominada por encaixes defensivos rígidos, blocos médios e baixos que neutralizaram as principais peças criativas dos mandantes. O futebol decidiu, neste fim de semana, que a Copa do Brasil virou um torneio de paciência e resistência.

O grande destaque coletivo foi o Palmeiras. A goleada de 3 a 0 sobre o Fortaleza no Nubank Parque foi construída por um mecanismo claro: transições rápidas e volume ofensivo pelas pontas. O Fortaleza tentou fechar o corredor central, mas Abel Ferreira soltou seus extremos para alargar o jogo e criar superioridade nas laterais. O placar elástico foi consequência direta de imposição territorial e presença de área. Maurício foi o motor criativo do Alviverde, flutuando entre pontas e centro, quebrando linhas com passes verticais precisos. Destaque também para a volta da dupla Flaco López e Vitor Roque, que jogaram juntos alguns minutos.

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O Inter contou com elementos surpresa

O Internacional, por sua vez, resolveu o clássico contra o Corinthians no Beira-Rio com um misto de paciência posicional e elemento surpresa. Alan Patrick controlou o meio-campo como um maestro, converteu o pênalti que selou os 2 a 0 e chegou a 2 assistências acumuladas no torneio, liderando o ranking geral de criadores. Mas o gol que abriu o jogo veio de Matheus Bahia, lateral-esquerdo que se infiltrou como elemento surpresa no início do segundo tempo para desmontar a retranca corintiana. Foi um gol tático, desenhado para quebrar a estrutura defensiva quando os atacantes estavam sufocados pela marcação física.

Alan Patrick celebra o segundo gol do Inter sobre o Corinthians
Alan Patrick celebra o segundo gol do Inter sobre o Corinthians (Foto: Divulgação / Internacional)

O restante da rodada foi um festival de 0 a 0 que revela um problema estrutural dos mandantes brasileiros: falta de criatividade no terço final. Vasco e Fluminense fizeram um xadrez tático no Maracanã, onde o Vasco fechou o corredor central para anular a saída de bola característica do Tricolor e o Flu priorizou segurança para decidir em casa. Atlético-MG teve posse, mas esbarrou na compactação impecável de duas linhas de quatro do Juventude. Santos e Cruzeiro sofreram o mesmo mal contra Remo e Chapecoense, respectivamente: blocos baixos, resistência física e zero verticalidade para furar o bloqueio.

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O empate mais interessante foi Mirassol 1 x 1 Grêmio. O time paulista manteve sua identidade de propor o jogo e incomodar, enquanto o Grêmio apostou no contra-ataque rápido para punir os espaços cedidos. O resultado deixou o confronto em aberto para a volta no Rio Grande do Sul, mas o Mirassol provou, mais uma vez, que sua proposta de jogo se sustenta contra adversários de maior investimento. A questão é saber se terá fôlego para repetir a dose fora de casa.

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Os destaques individuais da rodada

Os dados individuais das oitavas da Copa do Brasil reforçam quem brilhou. Alexandro Bernabéi, do Inter, mantém consistência de altíssimo nível: 3 participações diretas em gols na competição, liderando o ranking geral em gols + assistências. Alan Patrick soma 1 gol e 2 assistências no torneio. O que esses números dizem é que a Copa do Brasil 2026 está sendo decidida por meias e laterais, e por pontas que flutuam para o centro. Os centroavantes fixos têm sido sufocados pela maré de blocos baixos.

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A projeção da volta aponta para cenários distintos. Palmeiras e Internacional carregam vantagens confortáveis e jogarão por administração. Vasco x Fluminense, Atlético-MG x Juventude, Santos x Remo e Chapecoense x Cruzeiro seguem empatados no placar agregado, e a tendência é que os donos de casa na volta sofram contra os mesmos blocos baixos que os travaram na ida. A diferença será quem tiver o artilheiro de uma jogada isolada ou a capacidade de pressionar alto sem se expor ao contra-ataque. Mirassol x Grêmio promete ser o jogo mais aberto da volta das oitavas da Copa do Brasil, já que um precisa vencer e o outro sabe contra-atacar.

Ramon Rique em ação com a bola durante Vasco e Fluminense
Ramon Rique em ação com a bola durante Vasco e Fluminense (Foto: Ruano Carneiro / Carneiro Images/Fotoarena/Folhapress)

A Copa do Brasil nesta fase separou quem tem ideia de jogo de quem apenas tem elenco. O Palmeiras de Abel e o Inter de Pezzolano mostraram que sistema tático e soluções de quebra de linha têm o seu valor em copas. Os que empataram em 0 a 0 confirmaram que posse sem verticalidade é posse estéril. A volta vai cobrar cara a falta de criatividade. Quem resolver o terço final com passes verticais e infiltrações, passa. Quem insistir no para-brisa lateral, volta para casa mais cedo. Veremos!

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Gustavo Fogaça escreve sua coluna no Lance! nas noites de segunda e quinta-feira. Leia outras publicações do colunista nos links abaixo:

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