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Gestão Esportiva na Prática: entre o que pode ser e o que tende a ser

No futebol, exemplos não faltam. E talvez esse seja exatamente o problema

Foto: Imagem gerada por IA
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Autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, esse texto não reflete necessariamente a opinião do Lance!
Dia 29/04/2026
07:00

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Um clube manteve o treinador e foi rebaixado. Outro trocou quatro vezes e levantou a taça. Elencos milionários não se encaixam. Orçamentos modestos surpreendem. A cada rodada, a realidade oferece argumentos para todos os lados.

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No fim, sempre há um caso que justifica qualquer decisão. É nesse ambiente que nasce a confusão entre possibilidade e probabilidade. A possibilidade abre portas. A probabilidade aponta caminhos. Mas nenhuma das duas decide por você.

A pressão do momento, essa sim, decide. E quase sempre mal.

Ela exige respostas rápidas, simplifica problemas complexos e cria a ilusão de que existe uma solução pronta esperando para ser aplicada. Troca-se o treinador como quem troca uma peça defeituosa. Ajusta-se o sistema como se o problema fosse apenas tático. Busca- se o efeito imediato sem entender a causa estrutural.

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No fundo, não é gestão. É uma reação travestida de estratégia. O gestor moderno precisa resistir a essa armadilha.

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Gestão não é adivinhar o futuro

Mas aqui está o ponto que separa o discurso da prática: não se trata de escolher entre prever ou reagir. Trata-se de saber quando cada uma dessas forças deve prevalecer.

Prever sem capacidade de adaptação gera rigidez. Reagir sem direção gera desespero. Gestão não é adivinhar o futuro. Mas também não é correr atrás dele.

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É construir convicções fortes o suficiente para resistir ao ruído e flexíveis o bastante para evoluir com a realidade. É confiar no repertório, validar a prática na ciência e entender que teoria sem campo é frágil, mas campo sem método é aleatório. No futebol, quem tenta explicar tudo pelos exemplos do passado costuma apenas justificar os erros do presente. E quem decide apenas pelo que parece mais provável, muitas vezes deixa de fazer o que é necessário.

No fim, a decisão mais difícil continua sendo a mesma: ignorar o que engana, desconfiar do que seduz e, ainda assim, escolher o que é certo. Porque no futebol, como na gestão, o certo não garante o resultado, mas sustenta o processo e sempre será o certo. Mesmo dando errado.

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Felipe Ximenes escreve sua coluna no Lance! todas as quartas-feiras. Confira outras postagens do colunista:

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