Gestão Esportiva na Prática: Copa do Mundo Feminina 2027 – oportunidade, legado e teste de maturidade
Evento esportivo pode ser um raro marco simbólico e estratégico

- Matéria
- Mais Notícias
Realmente espero que o lançamento da Copa do Mundo Feminina de 2027 no Brasil seja mais do que um anúncio esportivo. Ele pode ser um raro marco simbólico e estratégico. O país que construiu sua identidade futebolística no improviso, na genialidade individual e na paixão popular recebe, agora, mais uma chance de liderar um novo ciclo. Mais estruturado. Mais consciente. Mais responsável.
Relacionadas
O futebol feminino vive o momento de maior crescimento de sua história. Estudos da FIFA e da Nielsen Sports projetam que a modalidade alcance mais de 800 milhões de fãs globais até 2030, tornando-se um dos cinco esportes mais acompanhados do mundo. A base de praticantes também cresce de forma consistente. A FIFA aponta que o número de mulheres e meninas jogando futebol organizado aumentou quase 25% desde 2019, chegando a mais de 16 milhões de praticantes. Não é tendência. É realidade.
➡️ Gestão Esportiva na Prática: leia todas as colunas
Oportunidade única
Receber a Copa do Mundo Feminina, portanto, é uma oportunidade única para o Brasil consolidar a modalidade internamente. Não apenas no discurso, mas na prática. O evento pode e deve ser um catalisador para a recuperação e reocupação de equipamentos esportivos que ficaram subutilizados após a Copa de 2014 e o Rio 2016, para a profissionalização de estruturas locais e a criação de uma cadeia sustentável de desenvolvimento.
Além disso, é também uma chance de validar, sob os olhos do mundo, as mudanças recentes de gestão e governança promovidas pela CBF. O futebol feminino exige planejamento, continuidade, investimento e método. Não sobrevive de improviso. Se a organização entregar uma Copa bem estruturada, transparente e eficiente, o impacto institucional será tão relevante quanto o esportivo.
➡️ Siga o Lance! no WhatsApp e acompanhe em tempo real as principais notícias do esporte

Sem base, não há topo
Mas preciso ser honesto. No Brasil, o futebol feminino ainda carece de investimento consistente, respeito institucional, autonomia de gestão, sustentabilidade econômica e, sobretudo, do fortalecimento das categorias de formação. Sem base, não há topo. Sem um calendário estruturado, não há carreira. Sem independência técnica, não há desenvolvimento duradouro. A era do "respeita as minas" já passou. O momento pede visão sistêmica de negócio
A Copa de 2027 será, portanto, uma prova de fogo. Não apenas para a CBF, mas para clubes, federações, patrocinadores, gestores públicos e privados. Um teste de visão. Um teste de compromisso e maturidade para a gestão esportiva no nosso país.
O mundo já entendeu o valor do futebol feminino. O mercado responde, a audiência cresce e o interesse das marcas se amplia, com patrocínios crescendo mais rápido do que em muitas ligas masculinas tradicionais.
A provocação que deixo é a seguinte: Queremos construir um legado real ou somente fazer mais uma grande festa no país do carnaval e do futebol?
- Matéria
- Mais Notícias


















