Susto no aeroporto no desembarque do Grêmio
Quando a paixão pelo futebol dá lugar à escolta policial e à cultura do medo

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Estou em Porto Alegre. A cidade é calma e vive uma realidade bem diferente do Rio de Janeiro e São Paulo. Pouca violência, índices caindo a cada ano e uma sensação de segurança que cresce com o passar do tempo. Por isso, uma pequena surpresa ao chegar ao aeroporto neste domingo à noite. Carros da Polícia Civil, ônibus da Brigada Militar, todos no portão de entrada, muito perto do ônibus do Grêmio, clube gaúcho multicampeão, mas que não vive uma das suas melhores fases. O Grêmio está ameaçado de rebaixamento, perde com erros grosseiros e o time não consegue deslanchar no campeonato. Os magros 22 pontos em 20 rodadas acenderam o alerta de "perigo: rebaixamento próximo" que tensiona, e muito, a relação time-torcida.
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Recém-eliminado da Sul-Americana, podemos dizer que os jogadores do Grêmio têm vivido sob constante crítica da torcida e a paz demora a chegar à Arena após um mix de jogos de desempenho mediano ou muito abaixo do esperado. Não é preciso ser muito esperto para perceber que as forças de segurança estavam, se não de plantão pelo menos em alerta, com a chegada do Grêmio após empatar com o Mirassol em São Paulo pela Copa do Brasil.

O resultado não foi tão ruim, pois agora os gremistas jogarão por vitória simples na partida de volta em Porto Alegre na próxima quarta-feira. Mas… Antes do jogo, ainda no hotel, os jogadores foram cobrados por mais empenho por torcedores indignados com as últimas péssimas atuações. Até aí, faz parte do jogo. Mas o que impressiona é que qualquer time de futebol, por pior que esteja, possa se sentir ameaçado por resultados.
Concordo com Nelson Rodrigues (alguns acham que a frase é do treinador italiano Arrigo Sacchi, outros dizem que é do escritor brasileiro) quando dizia que "futebol é a coisa mais importante entre as menos importantes". Mas chegarmos ao cúmulo de ter que pedir segurança em um desembarque, que precisamos ter atletas se cuidando ao deixar um estádio ou centro de treinamento, que precisamos garantir uma chegada tranquila a um aeroporto, é porque estamos com problemas. Problemas sérios mesmo.
A paixão tem que conviver com a racionalidade. Por mais sofrido que seja o momento, por piores que sejam os atletas, violência ou qualquer ameaça não pode ser considerada uma opção. Nem mesmo imaginar que algo violento possa acontecer em função de resultados é aceitável. Não sei se alguém ameaçou ou se as forças de segurança, corretamente, se prepararam para alguma situação de descontrole. Mas só o fato de acreditarmos em algo assim já mostra a que ponto chegamos.
Esporte é vida, é vibração, é emoção, é paixão. Mas nada disso pode justificar violência ou se pensar em soluções que intimidem ou ameacem. Tomara que os policiais tenham ido ao aeroporto apenas para cumprir rotina normal. Só de pensar em algo diferente me deixa preocupado. Quem ama esporte não pode e nunca poderá amar a violência. Por pior que sejam os resultados. Por maior que seja a frustração.
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