BASTIDORES: As disputas comerciais e de poder por trás da formação da liga única
Para a CBF, é necessário que clubes se livrem de controle de investidor, mas ideia não é negociar pacote único: 'Cheque alto demais para uma empresa só'

A liga única de clubes para organizar o Campeonato Brasileiro já foi ensaiada no Brasil diversas vezes. Nunca deu certo. Interesses individuais sempre racharam o desejo coletivo. Há alguns anos, mais uma tentativa foi frustrada, e dela nasceram dois blocos: a então Liga Forte União (LFU), hoje Futebol Forte União (FFU), e a Liga do Futebol Brasileiro (Libra). E, agora, a CBF tenta reunir as equipes em uma liga unificada sob sua chancela, o que também traz novas disputas para a mesa.
O grande entrave, no momento, é o controle dos investidores colocado em contrato na formação da FFU, que sofre ataques nos bastidores, mas, por ora, se mantém firme, respaldada pelas cláusulas contratuais assinadas. Para entender a complexidade do cenário, é preciso primeiro compreender as disputas em curso.
Há um duelo velado, mas nem tanto, de emissoras nos bastidores. E também uma disputa interna de poder e influência na CBF. Como envolve tratativas delicadas e acordos comerciais sigilosos, a reportagem do Lance! conversou nas últimas semanas com pessoas ligadas a todas as partes envolvidas e amplo acesso aos bastidores do imbróglio, mas sob condição de anonimato.

Guerra de emissoras
A Cazé TV, controlada pela Livemode, que por sua vez é a responsável por negociar os direitos dos clubes que fazem parte da FFU, incomodou, e muito, a Rede Globo com a transmissão dos 104 jogos da Copa do Mundo. A ponto de a questão contribuir para demissões na alta cúpula executiva da emissora de maior alcance no país.
Na guerra comercial, a Cazé TV acabou fora da negociação por direitos de transmissão da Copa do Brasil. Gente de peso na CBF explicou que não houve uma exclusão, mas também não houve convite, pelo entendimento de que poderia trazer insatisfação de clubes com os problemas internos que estão acontecendo na FFU. Consultada, a Livemode não respondeu se procurou, ou não, a entidade.
A própria CBF já deixou uma impressão digital na crise quando o Sindicato Nacional das Associações de Futebol Profissional (Sinafut) entrou com uma ação na Justiça de Brasília contestando uma operação de emissão de R$ 950 milhões em debêntures (títulos emitidos por empresas para captação de recursos no mercado) pela principal investidora da FFU, a Sports Media Entertainment (SME). Há vice-presidentes da CBF na diretoria do Sinafut, que teve recentemente a sua legitimidade questionada na ação.
A Rede Globo tem, também, fortes aliados na entidade, incluindo um antigo vice-presidente que é dono de uma de suas afiliadas — Fernando Sarney, mandatário do grupo Mirante. Mas, independentemente disso, há uma relação institucional forte construída durante anos de negociações de direitos das principais competições controladas pela entidade.

Disputa interna na CBF
Em outra frente, há uma disputa interna de poder na CBF, e envolve também o controle das negociações pela liga única. Francisco Schertel Ferreira Mendes, filho do ministro do Superior Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, é um dos articuladores dessa liga nos bastidores. Ele tem bom trânsito com clubes e federações. E o sobrenome, por si só, já tem peso em qualquer tratativa que interfira.
A questão, contudo, não passa necessariamente por uma queda de Samir Xaud ou um atrito entre ele e Francisco Mendes, como já foi ventilado. Um exemplo disso é a ligação que fez para presidentes de federação em junho, quando Samir enfrentava turbulências com divulgação de gastos pessoais faturados pela entidade. O contato não foi para elevar a temperatura, mas para acalmar os ânimos em relação à gestão.
Entre a cartolagem, comenta-se que Mendes será candidato à sucessão de Xaud, que cumpre mandato de 2025 a 2029. Mas não há confirmação oficial. E existe um outro cenário no qual há espaço — e poder — para ambos. Da mesma forma que há quem diga que ele será concorrente do atual presidente, outros dirigentes já enxergam o caminho de Mendes como futuro CEO dessa liga — um cargo que alia poder à menor exposição, mais condizente com seu perfil. Para tanto, precisaria ser eleito pelos clubes se o projeto de fato decolar.
Francisco Mendes não tem cargo oficial na CBF, é vice-presidente da Federação Matogrossense de Futebol e diretor do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), parceiro comercial da entidade desde 2023 e responsável pela CBF Academy.
A academia fornece estudos, como o já entregue sobre melhoria de tempo de bola em jogo, para reuniões sobre a formação da liga. A Anresf (Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol), criada no início do ano para fiscalizar o fair play financeiro, outro tema importante dentro da criação da liga, foi entregue ao comando do economista Caio Resende, que é diretor executivo da CBF Academy.
No início do ano, uma viagem com dirigentes de clube pela Europa para conhecer o funcionamento de ligas e clubes foi organizada pela CBF Academy, e Mendes foi junto, bem como Samir Xaud. Foi ativo nos encontros e conversas, especialmente em países onde dominava o idioma, como a Alemanha, e isso contribuiu para a imagem que hoje tem nos bastidores de ser um dos personagens mais influentes da CBF.
Mesmo sem cargo, Mendes tem trânsito livre e grande prestígio na entidade. Neste domingo, esteve no estádio Nilton Santos para acompanhar o empate entre Botafogo e Palmeiras, ao lado do técnico da Seleção Brasileira, Carlo Ancelotti.
O controle da liga implica também no controle da fatia que a venda de direitos pode render à CBF, dependendo de como for conduzida a negociação no futuro. E isso, por si só, fomenta disputas. Em uma conta hipotética, o contrato de cinco anos da Libra com a Globo foi fechado em cerca de R$ 6 bilhões, podendo atingir patamar mais alto dependendo de variáveis. Uma comissão, por exemplo, de 5% desse valor base já corresponderia a R$ 300 milhões.

Para efeito de comparação, o interesse se equipara ao de um político em determinar o uso do dinheiro de emendas parlamentares, que são recursos do orçamento público que deputados e senadores indicam para atender projetos em estados e municípios. Enquanto um político pode usar as verbas de uma emenda para fortalecer alianças, o gestor dessa verba na CBF pode igualmente se valer da liberação do dinheiro para angariar simpatia entre federações.
Daí o tamanho da importância política do tema. Mas é mais uma questão que só será tratada no futuro, já que ainda não há qualquer formato definido sobre como serão as negociações de direitos pela liga única. Não é inédito, nem incomum, clubes recorrerem à CBF para ajudar nesse tipo de questão, especialmente os de menor expressão. Em outubro do ano passado, por exemplo, equipes da Série B com dificuldades na venda do campeonato foram pedir socorro à entidade. A FFU recentemente enviou aos clubes uma estimativa de aumento de receitas em 2027 para os clubes da Série B, que passará a receber 15% do total das receitas da Série A.
Mendes, a princípio, apesar da influência nos bastidores, não participa diretamente das reuniões sobre liga que acontecem de tempos em tempos na CBF. Dois vice-presidentes, Gustavo Dias Henrique e Flávio Zveiter, além do CEO, Helder Melilo, são os que costumam estar presentes. Zveiter traz na bagagem a experiência da negociação da formação da Libra, conduzida por meio da Codajas Sports Kapital. Gustavo Dias costuma abrir os encontros ao lado de Samir, e Melilo por vezes conversa com dirigentes de clubes sobre o tema.
Há mais quatro encontros dessa natureza previstos para 2026. O próximo ainda neste mês, sobre organização das competições. Em outubro, o tema será licenciamento e infraestrutura. No mês seguinte, realização das partidas, e em dezembro, fechando as reuniões na temporada, a CBF e os 40 clubes das Séries A e B falarão sobre governança, integridade, e fiscalização.
A estrutura da Libra e da FFU
A FFU é um bloco de clubes (entre os quais Corinthians, Cruzeiro, Fluminense, Internacional e outros) que assinou acordo por 50 anos com a SME para cessão de percentuais de sua arrecadação com direitos de transmissão — o total cedido individualmente por cada clube varia entre 10% e 20%. A empresa que tem o controle da negociação dos direitos de transmissão deste bloco é a Livemode, dona da Cazé TV. Até 2029, esses ativos foram divididos entre Rede Globo, Record, Youtube (Cazé TV) e Amazon Prime. Nos contratos atuais, a Livemode só negociou direitos da Série A do Brasileiro; a comercialização de direitos da Série B ficou com a Peak.
A Libra, por sua vez, não topou ceder direitos a longo prazo para o Mubadala, dos Emirados Árabes. O bloco fechou contrato exclusivo de direitos de transmissão com a Rede Globo também até 2029 e é encabeçado pelo Flamengo. Hoje o bloco tem uma estrutura muito enxuta, que praticamente só faz a gestão desse contrato. Dessa forma, a CBF não vê impedimentos para negociar.
O Palmeiras também fazia parte, mas acabou por deixar de forma amigável o bloco justamente por diferenças não resolvidas com o rival da Gávea. Os problemas neste bloco se concentraram em discussões sobre a unanimidade necessária, por exemplo, para mudanças no sistema de rateio de verbas. Há uma insatisfação dos demais clubes demonstrada de forma recorrente quando o Flamengo não está presente, mas que praticamente só o Palmeiras externava de forma clara na presença de representantes rubro-negros. E a situação pesou na decisão alviverde.

Isso porque, de acordo com pessoas com amplo acesso aos bastidores do bloco, a leitura é de que brigar com o Flamengo poderia acarretar medidas que atrasariam ou impediriam pagamentos, como já ocorreu por conta de disputas judiciais, e que, dessa forma, o atrito traria mais problemas do que soluções. O Palmeiras tem condição de comprar o barulho e bater o pé diante de um eventual bloqueio de verbas; a maioria dos demais, não.
O clube paulista decidiu deixar o grupo depois de um acordo em maio deste ano que garantiu dinheiro extra — R$ 150 milhões até 2029 — do contrato com a Globo ao rival. Mas não houve mudança de lado. O Palmeiras passou a se portar como neutro. Há quem diga, no grupo, que o Flamengo não tem interesse na liga única porque diminuiria a diferença atual das receitas em relação aos demais. Em conversas na CBF, o clube se posiciona da seguinte forma: não admite receber menos do que recebe hoje.
Para a liga única, a CBF a entidade vê com bons olhos um rateio nos moldes 40% igualitário, 30% por performance e 30% por audiência. Na FFU, hoje, a divisão segue uma proporção muito próxima: 45%, 30% e 25%.
A entidade entende que, dessa maneira, o Flamengo acabaria inevitavelmente por receber mais, já que normalmente detém recordes de audiência e nos últimos anos vem colecionando títulos, com um dos elencos mais fortes do país. A CBF também acha necessário um "para-quedas" para os rebaixados, ou seja, um percentual de receita garantida para aliviar o baque financeiro do descenso. Mas essas questões só devem ser abordadas com contundência mais para frente.
Despesas da estrutura da FFU
O Lance! obteve acesso a documentos internos do Condomínio Forte União (CFU), a estrutura empresarial criada para gerir o bloco FFU. Em um deles, um balanço interno de fechamento do ano de 2025, constam vários descontos do valor final a ser repassado aos condôminos. Só em 2025, por exemplo, foram descontados da receita bruta R$ 27 milhões de taxa comercial, R$ 25,2 milhões sob a rubrica "produção de transmissão" para as Séries A e B do Brasileiro, e mais R$ 13,3 milhões de "despesas CFU".
Outro documento, um demonstrativo interno do repasse a um dos clubes membros, mostra que, de um total de R$ 86 milhões de receita, foram descontados os R$ 12,9 milhões dos 15% dos direitos cedidos. Mas, além disso, também houve uma cobrança adicional de R$ 6 milhões de despesas com o condomínio.

A reportagem consultou uma fonte com acesso aos contratos do condomínio, que explicou que a taxa de produção de transmissão da Série A, por exemplo, é praticamente anulada pela receita de "tech fee", que consta como R$ 12,8 milhões no documento. Trata-se de um valor referente a receitas com estrutura tecnológica e ferramentas digitais. Na Série B, não há esse contraponto. E também não foi paga taxa comercial, já que a venda dos direitos ficou abaixo da meta.
Sobre a taxa comercial para a Série A, a explicação é de que se trata de um pagamento das agências que negociaram os ativos e que representa um percentual muito pequeno (1,4%) do valor total da venda. As despesas do condomínio envolvem custos com advogados, escritório e pagamento dos profissionais envolvidos. Foi destacado também pela fonte ligada ao CFU que, mesmo cedendo entre 10% e 20% das receitas, os clubes da FFU arrecadam mais hoje do que antes da assinatura do contrato.
— Uma empresa que está arrecadando quase R$ 2 bilhões e tem um total de custos e despesas na ordem de R$ 75 milhões é muito eficiente — avaliou o profissional consultado pelo Lance!.
Essa estrutura montada na FFU hoje é o principal entrave para o andamento da liga única sob chancela da CBF. Isso porque, além do formato escolhido no bloco, o investidor tem controle e poder de veto nas decisões majoritárias. Recentemente, os clubes iniciaram negociações para tentar alterar essa estrutura, mas já ouviram da SME uma negativa tanto em relação à recompra de direitos individualmente, sob a alegação de que a saída de um afeta o todo, quanto o controle nas votações.
Neste segundo caso, os investidores alegaram em reunião que pagaram pelo controle. Não foi vetada uma negociação, mas foi deixado claro que essa mudança não será de graça. As conversas continuam.
A crise interna na FFU
Porém, dos últimos meses para cá, a FFU tem convivido com diversas turbulências internas que já extrapolaram as discussões dentro do condomínio e foram parar em tribunais. A maior aposta dos insatisfeitos, e também da CBF, é em uma ação impetrada pelo CSA, de Alagoas, no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que, no fim de junho, deu uma decisão ordenando que a SME não crie obstáculos para a saída de membros, preservando, contudo, todas as cláusulas contratuais.
Mas, como já citado, por exemplo, a recompra individual de direitos não é aceita pelo investidor. O Operário já até notificou a empresa de que tenta há dois meses apurar o valor para recomprar o que cedeu, sem resposta. O clube já declarou publicamente que quer deixar o bloco. Outros, como o Amazonas FC, entraram na Justiça comum. O presidente do clube amazonense confirmou ao Lance! que a ideia é reaver os direitos cedidos, em uma ação que, como a do Sinafut, questiona as garantias da operação de emissão de debêntures feita pelos investidores da FFU.
Clubes do primeiro escalão do bloco, como Botafogo, Cruzeiro e Corinthians, manifestaram-se também em notificações extrajudiciais à FFU logo após a decisão do Cade, mostrando preocupação. Os paulistas chegaram a dizer expressamente no documento publicado pelo Lance! que poderiam deixar o bloco caso a decisão não fosse revertida — e, até o momento, não foi.
Pressão de pequenos e ataque à gestão do CFU
Alguns dos clubes de menor expressão do bloco acreditam que, sem eles, o negócio praticamente se torna de fato inviável, pois, em termos percentuais, acabam sendo mais lucrativos para os investidores do que os acordos com as principais equipes do grupo. Esse é um dos instrumentos de pressão.
Os investidores não enxergam necessariamente dessa forma, mas em termos práticos a saída de qualquer membro afeta o todo, e esse sim é o problema real para o grupo que controla a FFU. Por isso a decisão do Cade ordenando que não criem obstáculos para a saída de membros — embora tenha preservado por ora todas as cláusulas contratuais - causou preocupação não só internamente como nos grandes clubes do bloco.
Ainda assim, os cartolas ouvidos pelo Lance! ressaltaram que não há intenção de calote, ou seja, de não devolver o que foi pago pelo atual investidor. Mas todos confirmaram que a meta é reaver os direitos. A briga é de gente grande. Entre esses investidores da FFU, há gigantes financeiros como a General Atlantic e a XP Investimentos.
Três clubes — Atlético-GO, Cuiabá e Operário — enviaram notificações extrajudiciais ao condomínio, falando diretamente em substituição da atual administradora, por diferentes motivos, entre alegações de falta de transparência e perda de independência ao favorecer o investidor. Outros, como o Vitória, reclamam de tratamento desigual no bloco. E a Federação Bahiana de Futebol (FBF) também afirmou que levaria o tema ao Cade. O CFU informou por nota que responderia nas instâncias competentes e reforçou que a insatisfação a esse respeito era de uma pequena parcela dos membros.
O entendimento na CBF é de que a liga única passa pelo controle da negociação de direitos de transmissão deste bloco. E que é necessária a troca da administradora para esse processo andar. Isso porque a liga única precisa juntar os membros da FFU com os da outra liga formada no Brasil, a Libra, encabeçada pelo Flamengo, e que tem contrato vigente com a Rede Globo.

Recentemente, o Lance! publicou que clubes da FFU notificaram extrajudicialmente o condomínio, pedindo abertura de processo para troca da administradora. E foi levado ao Cade o assunto exposto pelo CSA dando conta de conflito de interesses na gestão de Gabriel Lima, que é sócio de Ronaldo Fenômeno em uma agência de marketing esportivo. Em nota, o executivo negou qualquer compartilhamento indevido de informações.
Como a CBF conduzirá a liga única
Um membro do alto escalão da CBF explicou que as tratativas pela liga única sob chancela da entidade precisam ser resolvidas até o fim do ano que vem. Isso porque, como os contratos de ambos os blocos terminam em 2029, a negociação dos direitos a partir de 2030 precisa ser iniciada em 2028. E, para isso, a nova liga, tanto em termos de governança, como de estrutura e rateio, precisa estar constituída até o fim de 2027, com alguma tolerância para os primeiros meses do ano seguinte.
Internamente, há um incômodo na CBF com o controle da Livemode sobre as negociações de direitos dos clubes. A leitura é de que não é necessário, nem benéfico, ter um agente externo na liga única com esse condão, e de que não faria sentido formar uma liga única sem o controle dos clubes.
Mas a própria CBF reforça internamente aos dirigentes que a procuram que há um contrato em vigor, e isso terá de ser sanado. Ainda que seja possível uma ruptura, o dinheiro aportado terá de ser devolvido. E, mesmo assim, a via jurídica não é fácil e pode se arrastar, até pela força das instituições que investiram na FFU. A ideia, agora, é buscar melhorar o produto com uma série de reuniões abordando diversos temas que envolvem o Brasileirão.
O entendimento na CBF é que em algum momento uma negociação terá de ocorrer e que, para o investidor, será mais vantajoso se alinhar do que bater de frente se os seus próprios membros tiverem intenção de judicializar as questões. A entidade, por exemplo, imagina um cenário em que assegure o repasse já acordado ao investidor retido na fonte, antes de a verba ser repassada aos clubes, o que seria uma garantia sólida para os investidores da FFU. Também se avalia que, formada com sucesso uma liga única, e com um produto aprimorado, os investidores do bloco teriam um repasse maior, já que os campeonatos passariam a valer mais.
Liga única traria novas propriedades
A CBF pretende trazer para a liga a possibilidade de negociar outras propriedades, como "naming rights" dos campeonatos, "backdrops" para entrevistas e outros. A entidade trabalha em uma sequência de encontros técnicos para ter, em 2030, um ativo superior ao atual para apresentar ao mercado. Recentemente, por exemplo, foi realizada uma na qual se detalhou um estudo para aumentar o tempo de bola rolando nas partidas.
A entidade também avalia que toda essa briga de bastidores afasta investidores. A corrida é para melhorar o produto a ser vendido até que comecem as negociações para novos contratos de direitos de transmissão. O grande entrave hoje é o contrato da FFU.
— Mas, se os clubes judicializarem, os investidores vão negociar — avaliou o cacique ouvido pelo Lance!.
Porém, engana-se quem pensa que a ideia da CBF é tomar para si o controle da liga e simplesmente fechar um pacotão de direitos com a Rede Globo. Questionado diretamente sobre o assunto, o dirigente consultado afirmou:
— Esse cheque é alto demais para uma empresa só.
Os blocos
Atualmente, fazem parte da Libra os seguintes clubes da Série A do Brasileiro: Flamengo, São Paulo, Bahia, Grêmio, Red Bull Bragantino, Santos e Remo. Atlético-MG e Vitória já anunciaram migração para a FFU, receberam aportes, mas continuam sob contrato com a Globo pela Libra e só passarão a integrar o condomínio a partir de 2030. O Palmeiras já fez parte do grupo, mas saiu após divergências com o Flamengo e hoje tem posição neutra.
Os clubes da elite nacional na FFU são: Fluminense, Botafogo, Internacional, Corinthians, Cruzeiro, Vasco, Athletico-PR, Coritiba, Chapecoense e Mirassol. O contato de cessão dos direitos de transmissão deste bloco, como o da Libra, vai até 2029. Ano de eleição na CBF.
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