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Clubes tentam tirar poderes de investidor da FFU, e já miram o Cade

Reunião aprova encaminhamento de proposta de alteração de convenção, que deve seguir também para tribunal administrativo

PorVicente Seda•Rio de Janeiro (RJ)
19/08/2026 16:37
Sede da CBF (Foto: Vicente Seda)
Mudanças permitem extinção de CFU caso se concretize a liga unificada sob chancela da CBF (Foto: Vicente Seda)

Clubes da liga Futebol Forte União (FFU) novamente se reuniram na manhã desta quarta-feira (19) sem os investidores — como aconteceu no início de julho, na sede da Federação Paulista de Futebol (FPF). Desta vez, a reunião foi virtual. Foi aprovado em ata o encaminhamento ao investidor Sports Media Entertainment (SME) de uma proposta de mudanças da convenção do Condomínio Forte União (CFU) — estrutura criada para gerir o contrato comercial do bloco —, que inclui redução de poderes para o investidor, bem como mudanças nas cláusulas de extinção, passando a prever o fim do condomínio se for criada uma liga unificada sob chancela da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e a possibilidade de recompra dos ativos já negociados.

O Lance! ouviu participantes da reunião e obteve os documentos que entraram na pauta. A leitura é de que os clubes estão cientes de que as mudanças propostas para o estatuto não vão agradar ao investidor, e há uma expectativa, senão uma certeza, de que não haverá aprovação do outro lado.

Portanto, a estratégia é encaminhar a proposta também ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para provocar o órgão a deliberar sobre o tema. Uma ação no Cade impetrada pelo CSA já deu motivo a uma sentença obrigando a SME a não criar obstáculos para a saída de membros. O clube alega cláusulas abusivas de fidelização e o processo está em andamento. Consultada, a SME emitiu nota informando que se dispõe a negociar "desde que sejam preservados os direitos econômicos e societários estabelecidos nos acordos e a integridade do modelo construído conjuntamente" (leia a íntegra da nota no fim do texto).

A reunião desta quarta-feira é mais um capítulo da disputa política que envolve clubes da FFU, insatisfeitos com cláusulas do contrato, a SME, investidora, e a CBF, interessada em criar uma liga única.

Clubes aprovaram em reunião nesta quarta que proposta de mudança no estatuto seja encaminhada ao investidor da FFU
Clubes aprovaram em reunião nesta quarta que uma proposta de mudança no estatuto seja encaminhada ao investidor da FFU (Reprodução)

A proposta de mudanças no estatuto inclui também a transferência para os clubes do poder de indicar a administradora do condomínio. Recentemente, três clubes (Atlético-GO, Cuiabá e Operário) enviaram notificações extrajudiciais ao CFU indicando abertura de procedimento de troca da administradora por favorecimento ao investidor. O Cuiabá, em sua notificação, afirma que o atual administrador, Gabriel Lima, foi indicado pela SME, que em nota afirmou que responderia nas instâncias competentes. Além da troca de competência para mudança de administradora, a proposta para o estatuto também transfere para os clubes o monitoramento das atividades da empresa escolhida.

A alteração na cláusula 6.1, que versa sobre a questão, a deixaria desta forma: "6.1. Administradora. O Condomínio será administrado por empresa especializada, que será indicada pelos Clubes e contratada pelo Condomínio, assegurada ao Investidor manifestação prévia, de caráter não vinculante, sobre a indicação (a "Administradora"). A equipe da Administradora responsável perante o Condomínio pelos atos de gestão na forma desta Convenção é referida neste instrumento como a "Administração."

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Clubes aprovaram em reunião nesta quarta que proposta de mudança no estatuto seja encaminhada ao investidor da FFU
Clubes aprovaram em reunião nesta quarta que uma proposta de mudança no estatuto seja encaminhada ao investidor da FFU (Reprodução)

Outra alteração de grande impacto na proposta está na cláusula 16.1, que trata de causas para extinção do condomínio. Ela passa a prever a dissolução do bloco no caso da criação de uma liga única e a recompra dos direitos negociados. A proposta de nova redação da cláusula que seguirá para o investidor é esta:

"16.1. Causas de Extinção. O Condomínio se extinguirá nas seguintes hipóteses:
(i) por meio de deliberação tomada, por unanimidade, em Assembleia Geral;
(ii) no caso de consolidação da parte ideal do Investidor nos Clubes, mediante exercício da Opção de Compra;
(iii) no caso de resolução ou extinção do Contrato de Investimento e do Contrato Clubes União, conjuntamente, por qualquer motivo;
ou (iv) fim do prazo de vigência do Condomínio. ;
ou (v) formação efetiva de liga unificada de clubes do futebol brasileiro, por meio da LFU ou de outra forma, hipótese em que cessará a indivisão convencionada na Cláusula 2.4 e operar-se-á a divisão da coisa comum, na forma da Cláusula 16.2."

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Também estão na mesa mudanças como a diminuição do número de cadeiras do investidor no comitê condominial e quórum reduzido, que permite deliberação de matérias também sem a presença da Sports Media Entertainment (SME), que fez o principal aporte financeiro do acordo.

A síntese de proposta de alteração descrita no documento explica que a mudança "suprime a exigência de que a maioria de 5 dos 7 membros do Comitê Condominial, na recomendação prévia de penalidades ao Investidor, inclua o voto afirmativo de ao menos 1 membro por ele indicado. Mantém-se o quórum de 5 dos 7 membros para a recomendação e a maioria absoluta das partes ideais para a deliberação em Assembleia". Em outra alteração sobre quórum, está descrito que a proposta "reduz de 90% para 75% das partes ideais o quórum qualificado de aprovação das matérias".

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