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Clube notifica FFU por conflito de interesses de administrador, sócio de Ronaldo

CSA cobra explicações de Gabriel Lima, parceiro do Fenômeno em empresa. Ele nega compartilhamento indevido de informações

PorVicente Seda•Rio de Janeiro (RJ)
20/08/2026 19:32
•Atualizado em 20/08/2026 20:14
Página da ODDZ Network mostra Gabriel Lima como sócio de Ronaldo na empresa (Reprodução)
Site de empresa de Ronaldo mostra Gabriel Lima (à direita), administrador do CFU como sócio fundador (Reprodução)

Após clubes notificarem o Condomínio Forte União (CFU), estrutura criada para tocar os negócios da liga Futebol Forte União (FFU), sobre intenção de deflagrar processo de troca de administradora, o CSA nesta quinta-feira (20) também enviou um documento extrajudicial apontando conflito de interesses no comando da empresa. O texto aponta que o "Sr. Gabriel Ribeiro Lima, que responde pela administração do Condomínio, é sócio-fundador e membro do conselho da ODDZ Network, holding de esporte, marketing esportivo, mídia e entretenimento fundada por Ronaldo Luís Nazário de Lima", e sustenta que o simples fato de ocupar a posição já configura um potencial conflito.

Em nota, Gabriel Lima afirmou que sua atividade é dedicada à administração do condomínio de clubes, que não exerce cargo executivo na ODDZ Network e sua participação é pública, e que nenhum dos questionamentos aponta caso concreto de compartilhamento indevido de informação: "O próprio documento reconhece que os fatos mencionados não configuram, isoladamente, ilícito e registra expressamente que não me atribui, nem atribui a qualquer outra pessoa, a prática de ato ilícito" (leia a íntegra da nota no fim do texto).

O Comitê Condominial, por sua vez, também emitiu nota informando que a "participação de Gabriel na ODDZ Network é anterior à sua atuação no Condomínio e era de conhecimento dos integrantes da estrutura quando ele assumiu suas funções" (leia a íntegra no fim do texto).

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A FFU é um bloco de 33 clubes (entre os quais Corinthians, Cruzeiro, Fluminense, Internacional e outros) que assinou acordo por 50 anos com a investidora Sports Media Entertainment (SME) para cessão de percentuais de sua arrecadação com direitos de transmissão — o total cedido individualmente por cada clube varia entre 10% e 20%. A empresa que negocia os direitos de transmissão deste bloco é a Livemode, dona da Cazé TV.

Até 2029, esses ativos foram divididos entre Rede Globo, Record, Youtube (Cazé TV) e Amazon Prime. A Livemode só negociou direitos da Série A do Brasileiro, a comercialização de direitos da Série B ficou com a Peak. Do outro lado, há a Libra, encabeçada pelo Flamengo, que também fechou acordo por 50 anos com o fundo Mubadala, dos Emirados Árabes, e tem contrato de exclusividade dos seus direitos com a Globo também até 2029.

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Notificação extrajudicial do CSA enviada ao CFU apontando conflito de interesses
Notificação extrajudicial do CSA enviada ao CFU apontando conflito de interesses (Reprodução)

O CSA, também autor de uma ação no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) alegando cláusulas abusivas e barreiras para saída de membros da FFU, explica no documento que as empresas, em muitas situações, são concorrentes no mercado. E que Gabriel Lima, por ser o administrador do condomínio de clubes, tem acesso a informações privilegiadas sobre as instituições, o que, na visão do clube, caracteriza um conflito de interesses. O CSA atualmente figura na Série D do Campeonato Brasileiro, que não tem direitos comercializados pela FFU.

A ação no Cade motivou inclusive notificações de Corinthians, Botafogo, Cruzeiro e outros à FFU mostrando preocupação com a decisão do fim de junho que ordenou que a SME não crie obstáculos para a saída de clubes membros. O Corinthians chegou a cogitar a saída do bloco caso a decisão não seja revertida. O documento do CSA cita ainda a informação publicada pelo Lance! de que três clubes — Atlético-GO, Cuiabá e Operário — também notificaram o CFU indicando abertura de processo para troca da administradora do condomínio.

O nome de Gabriel Lima está exposto ao lado de Ronaldo Fenômeno como sócio fundador na aba de lideranças da ODDZ Network. Em sua notificação, o CSA explica: "A ODDZ Network descreve-se como ecossistema de negócios especializado em esporte e entretenimento e reúne, entre outras, a Octagon Latam – apresentada como consultoria e agência de marketing esportivo e entretenimento, atuante em ativações, patrocínios, eventos, talentos e gestão de ativos e plataformas comerciais –, a produtora de conteúdo audiovisual Beyond Films, a plataforma de conteúdo Ronaldo TV, a empresa de agenciamento de atletas Talentz e a agência de viagens corporativas Wayz Travel Co".

O clube alagoano ressalta ainda que a participação do administrador do CFU não se limita à página institucional, mas está inscrita no registro empresarial e "vem acompanhada da condição de administrador da sociedade empresarial" da ODDZ Network. O CSA então explica que o CFU existe para negociar coletivamente os direitos de arena e propriedades comerciais dos clubes. E é aí que entraria o conflito de interesses. O clube alagoano aponta que a Octagon Latam atua na intermediação de ativos comerciais do esporte, além do agenciamento de atletas, incluindo jogadores de clubes do condomínio, e que "há, no mínimo, adjacência de mercado" e, "em tese, possibilidade de concorrência".

Os argumentos listados são os seguintes:

"Pela função que exerce, o Administrador do Condomínio conhece – e conhece antes de todos, e com nível de detalhe que não está disponível a nenhum outro agente do mercado – o seguinte acervo:

(i) as receitas, os repasses, a inadimplência e a posição financeira individualizada de cada condômino;
(ii) os contratos celebrados com adquirentes de direitos de transmissão – emissoras, plataformas e canais –, com seus preços, prazos, cotas, gatilhos de reajuste e condições de renovação;
(iii) a estrutura de custos do arranjo, os critérios de rateio e a alocação do resultado entre os condôminos;
(iv) as memórias de cálculo e os valores de recompra dos direitos cedidos por cada clube, matéria hoje em disputa;
(v) o inventário das propriedades comerciais, as cotas de patrocínio disponíveis, os preços praticados e as tratativas em curso com marcas e anunciantes;
(vi) o planejamento comercial e os projetos futuros do bloco, inclusive calendário de ofertas, estratégias de precificação e cenários de negociação para os próximos ciclos;
(vii) as posições negociais, as fragilidades e as divergências internas de cada clube em face do Investidor e dos demais condôminos
".

O documento, então, conclui, ressaltando que cláusulas da convenção do CFU sobre conflito de interesses: "É precisamente esse o tipo de informação que possui valor econômico no mercado em que atuam a Octagon Latam e as demais sociedades do grupo ODDZ – valor que não decorre de qualquer uso indevido que se suponha, mas da própria natureza da informação. Daí por que a simples coexistência das duas posições, sem divulgação, sem salvaguarda e sem qualquer mecanismo de segregação conhecido pelos Condôminos, já compromete a independência".

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Notificação extrajudicial do CSA enviada ao CFU apontando conflito de interesses
Notificação extrajudicial do CSA enviada ao CFU apontando conflito de interesses (Reprodução)






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