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Vitória reclama de tratamento desigual na FFU e notifica o bloco

Presidente do clube baiano diz que o Atlético-MG não vem sofrendo descontos e fala em desequilíbrio

Rio de Janeiro (RJ)
03/08/2026 17:42
Atualizado há 2 minutos
Fábio Mota, presidente do Vitória (Foto: Victor Ferreira / EC Vitória)
Presidente do Vitória está insatisfeito com descontos em contrato (Foto: Victor Ferreira/EC Vitória)

Inconformado com o que considera um "tratamento desigual", o presidente do Vitória, Fábio Mota, declarou ao Lance! que enviou uma notificação extrajudicial à liga Futebol Forte União (FFU) pedindo esclarecimentos sobre os descontos nos repasses que recebe da Sports Media Entertainment (SME). A empresa é a principal investidora do bloco de clubes e, no ano passado, pagou R$ 68,2 milhões aos baianos em troca de 15% dos valores recebidos por direitos de transmissão e publicidade. Para o Vitória, a situação acarreta um desequilíbrio à medida em que, segundo o clube, um rival direto na tabela do Brasileiro não está sendo cobrado.

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O clube baiano integrava a Libra e, no segundo semestre do ano passado, mudou-se para a FFU em movimento idêntico ao realizado pelo Atlético-MG. Os dois clubes já tinham compromissos com a Libra válidos até 2029, e, portanto, a mudança de bloco passará a ter efeito prático apenas em 2030. O acordo financeiro para a troca de grupo, contudo, já foi firmado, e os valores repassados.

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Mas agora Mota está incomodado com o que considera um tratamento desigual. Ele afirma que, apesar de ambos terem feito a troca ao mesmo tempo, somente o Vitória vem sofrendo descontos.

— Vitória e Atlético Mineiro fizeram o mesmo movimento. Qual foi o movimento que fizeram? Saíram da Libra a partir de 2029 e foram para a LFU. Até aí, tudo certo. O Vitória vai receber o aporte que recebeu e, se não tivesse recebido, teria caído (para a Série B) ano passado, porque não tinha como sustentar. E, a partir deste ano, cumpriu o que foi aprovado e o que está no contrato. O Vitória está fazendo 100% do que foi combinado e do que foi assinado. Até aí não tem problema, não tem descontentamento, eu já sabia que ia descontar. Fui porque eu achei que o negócio era bom, e é bom. As receitas lá (na FFU) são maiores do que as da Libra. Essa é a grande verdade. Mesmo descontando o que vai descontar, no final, o valor é maior — explicou o presidente do Vitória ao Lance!.

Questionada, a SME informou que "não comenta contratos celebrados individualmente com os clubes". Ou seja, há uma possibilidade de o Atlético-MG ter obtido uma melhor negociação. De acordo com Fábio Mota, todos os clubes da FFU que negociaram a participação de receitas futuras estão tendo os descontos nos repasses, à exceção do Atlético-MG. Indagado sobre a questão, o dirigente disse:

— Os contratos são iguais. São padrão, são iguais para todos. O que você muda é o que você vendeu, se 15% , se 20%, se 30%. No meu caso foi 15%, o dele também foi 15%. O contrato é padrão, então. São iguais, iguais com todos os clubes do Brasil, todos são iguais. E todos descontam, todos, todos estão descontando. O único que não está descontando é o que foi junto comigo.

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Vitória já recebeu R$ 68,2 milhões pela adesão à FFU
Vitória já recebeu R$ 68,2 milhões pela adesão à FFU (Reprodução)

O dirigente reclama que os descontos que o Vitória recebe agora não se aplicam ao Atlético-MG apesar de os dois terem mudado de bloco no mesmo período, e fala em desequilíbrio financeiro que afeta o clube também no aspecto técnico.

— O Atlético, que fez o mesmo movimento que o Vitória, não está descontando nada, zero. E qual é o problema? O Atlético hoje é meu adversário na tabela (do Brasileirão Série A), é um ponto de diferença. Eu estou brigando palmo a palmo com os caras. Então, eu entendo que isso desequilibra o campeonato, desequilibra a minha briga com o Atlético. Do ponto de vista técnico, há um desequilíbrio, porque, quando você tem um desequilíbrio do ponto de vista financeiro, você tem um desequilíbrio do ponto de vista técnico. Então, não dá para a LFU tratar casos iguais lá dentro, com dois pesos e duas medidas — criticou o dirigente.

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Para o presidente do Vitória, o clube mineiro estaria sendo beneficiado por causa das ligações de seus proprietários com o sistema financeiro.

— Por que a LFU está fazendo isso? É porque, do lado do Atlético, você tem banqueiros, que são amigos dos caras, e, do lado do Vitória, você não tem banqueiros, porque o Vitória é menor, o Atlético é maior? Esse é o questionamento que eu estou fazendo — disse o dirigente, referindo-se a Rubens Menin, principal acionista da SAF do Atlético-MG e que também comanda o Banco Inter, e Ricardo Guimarães, do Banco BMG e figura conhecida na política do clube mineiro.

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Fábio Mota em Quito, no Equador, antes de Universidad Católica x Vitória Foto: Victor Ferreira / EC Vitória
Presidente do Vitória quer esclarecimentos da FFU (Foto: Victor Ferreira / EC Vitória)

O Lance! entrou em contato com a Sports Media Entertainment, que somente informou que não comenta contratos celebrados individualmente com os clubes. A empresa foi questionada diretamente sobre o motivo de o Atlético-MG não ser descontado, mas se recusou a comentar e não negou a ausência de cobrança ao clube mineiro. A reportagem também pediu uma posição à assessoria de comunicação do Atlético-MG, que informou que o clube não irá se posicionar. A assessoria também não negou que os descontos não estejam ocorrendo, mas não explicou o motivo.

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