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Comissão da FFU pede mudanças a investidor, que refuta recompra individual de direitos

Grupo apresentou proposta aprovada em assembleia na última semana e negociações continuam

PorVicente SedaRio de Janeiro (RJ)
25/08/2026 12:05
Clubes aprovaram em reunião nesta quarta que proposta de mudança no estatuto seja encaminhada ao investidor da FFU
Clubes da FFU apresentaram ao investidor propostas de mudanças na convenção do bloco (Reprodução)

Uma comissão de clubes da liga Futebol Forte União (FFU) se reuniu na terça-feira, por vídeo, com executivos da Sports Media Entertainment (SME), principal investidora do bloco de 33 clubes que negocia seus direitos de transmissão de forma conjunta. Em pauta, a proposta de mudanças na convenção do Condomínio Forte União (CFU), estrutura empresarial criada para operar os negócios do grupo, como publicou o Lance! na última semana. Entre as principais reivindicações dos clubes estão mudanças nas regras de extinção do condomínio e também na governança, com o objetivo de reduzir o poder de decisão do investidor e aumentar o das equipes.

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O grupo que apresentou as propostas à SME foi formado por Internacional, Vasco, Atlhetico-PR, Fluminense, Cuiabá, Botafogo e Atlético-GO. Pelo investidor, participaram Carlos Gamboa, fundador de um fundo gestor de recursos (Life Capital Partners) que controla a SME, e Bruno Pimenta, CEO da investidora da FFU.

De acordo com dirigentes ouvidos pela reportagem, Gamboa se mostrou receptivo à conversa, que transcorreu em tom amistoso, mas irredutível em certos pontos, especialmente à recompra individual de direitos cedidos pelos clubes ao aderirem ao bloco.

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O argumento é de que a saída individual afeta o todo. O Operário, por exemplo, já formalizou o pedido de desligamento e recentemente notificou o CFU por estar há dois meses tentando apurar o valor de recompra dos seus direitos, sem sucesso.

Clubes aprovaram em reunião nesta quarta que proposta de mudança no estatuto seja encaminhada ao investidor da FFU
Proposta de mudanças inclui redução do poder de decisão do investidor (Reprodução)

Outra questão proposta pelos clubes é a mudança no quórum necessário para aprovação de decisões majoritárias do bloco. As equipes querem que as aprovações passem a acontecer com 75% dos votos da assembleia, e não mais 90% como está o acordo atual. Entre essas matérias que precisam desse quórum para a aprovação está a substituição da administradora do condomínio.

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Os cartolas consultados informaram que a questão encontrou resistência de Gamboa, argumentando que os valores pagos na assinatura com os investidores refletiam também a compra desse "direito" de maior controle nas votações principais. Ouviram do investidor que não é impossível negociar uma alteração, mas não sairá de graça.

Conforme publicou o Lance!, "" class="font-bold break-normal hover:underline" style="color:#00A021">três clubes (Atlético-GO, Cuiabá e Operário) formalizaram notificações extrajudiciais ao CFU cogitando abertura de processo para troca da administração sob alegações de "perda de independência", ou favorecimento ao investidor, que indicou Gabriel Lima para a posição. O fato de Gabriel também participar como sócio-fundador de Ronaldo em uma agência de marketing esportivo acirrou o clima com alegações de conflito de interesses feitas pelo CSA, também em notificação extrajudicial.

Página da ODDZ Network mostra Gabriel Lima como sócio de Ronaldo na empresa
Página da ODDZ Network mostra Gabriel Lima como sócio de Ronaldo (Reprodução)

O clube alagoano, por sua vez, é o responsável pela abertura de processo no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que, no fim de junho, decidiu que a SME não pode criar barreiras ou obstáculos financeiros para a saída de membros da FFU. E é nisso que se baseiam os clubes que tentam a recompra de seus direitos, como o Operário. Depois dessa decisão do Cade, diversas equipes também formalizaram sua preocupação em notificações ao investidor. O Corinthians chegou a cogitar a saída do bloco caso a medida não fosse revertida.

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A conversa desta segunda-feira foi uma negociação inicial que deve continuar nas próximas semanas. Os clubes insatisfeitos pretendem esgotar as possibilidades de conversa antes de novas medidas, mas o assunto já deve ser levado de imediato ao Cade, bem como o alegado conflito de interesses na administradora do condomínio, que já foi comunicado ao tribunal administrativo. Mesmo na semana passada, quando uma assembleia da FFU aprovou a proposta de mudanças a ser apresentada aos investidores, já havia um entendimento de alguns dos clubes consultados de que seria muito difícil, ou impossível, que parte das medidas fosse aceita.

A FFU é um bloco de clubes (entre os quais Corinthians, Cruzeiro, Fluminense, Internacional e outros) que assinou acordo por 50 anos com a investidora Sports Media Entertainment (SME) para cessão de percentuais de sua arrecadação com direitos de transmissão — o total cedido individualmente por cada clube varia entre 10% e 20%. A empresa que negocia os direitos de transmissão deste bloco é a Livemode, dona da Cazé TV. Até 2029, esses ativos foram divididos entre Rede Globo, Record, Youtube (Cazé TV) e Amazon Prime. A Livemode só negociou direitos da Série A do Brasileiro, a comercialização de direitos da Série B ficou com a Peak.

O Lance! pediu posicionamento da investidora SME, que, até o momento da publicação, não se manifestou. Na última semana, após a aprovação das propostas de mudança em assembleia, a SME emitiu um comunicado com o seguinte trecho:

"A companhia avaliará de forma construtiva propostas que tragam maior equilíbrio à governança, eficiência ao funcionamento do condomínio e segurança para clubes e investidores. Há espaço para soluções negociadas, desde que sejam preservados os direitos econômicos e societários estabelecidos nos acordos e a integridade do modelo construído conjuntamente.

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