Comparado a Ted Lasso por jogadora, Léo Mendes analisa ano à frente da Ferroviária

Treinador concedeu entrevista exclusiva ao Lance!

PorGiselly Correa BarataSão Paulo (SP)
08/07/2026 10:30
Palmeiras x Palmeiras - Fonte Luminosa - 3ª RODADA - Paulistão F- 21.05.2026 Foto: Jonatan Dutra/Ferroviária
Ferroviária e Palmeiras se enfrentaram na Fonte Luminosa pela 3ª rodada do Paulistão. (Foto: Jonatan Dutra/Ferroviária)

"Believe" ("Acredite", em inglês) é a palavra que estampa a porta do vestiário de Ted Lasso, treinador fictício que conquistou fãs ao transformar um clube inglês pela liderança baseada na confiança, na empatia e na valorização das pessoas. A comparação foi usada pela lateral Kati ao definir o técnico da Ferroviária, Léo Mendes, em uma publicação nas redes sociais.

De volta às Guerreiras Grenás desde junho de 2025, após comandar a equipe sub-17 do Bahia, Léo voltou para o clube da cidade natal há pouco mais de um ano. Campeão da Libertadores Feminina em 2015, o treinador retornou com a missão de manter a Ferroviária entre as protagonistas do futebol brasileiro em um cenário de investimentos cada vez maiores e concorrência mais acirrada, conforme define.

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Ao longo de pouco mais de um ano no cargo, Léo consolidou uma identidade de jogo baseada no protagonismo com a bola, na coragem para atacar e, principalmente, no desenvolvimento humano das atletas. Não por acaso, costuma repetir que seu trabalho começa antes da prancheta. No treino desta terça-feira (7), horas antes desta entrevista , 14 das 23 jogadoras de linha do elenco principal foram formadas nas categorias de base do clube.

Em entrevista exclusiva ao Lance!, o treinador relembrou o retorno à Ferroviária, explicou sua metodologia de trabalho, analisou a evolução do futebol feminino e projetou os próximos desafios da temporada, inclusive o confronto contra o Corinthians.

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Kati e Leo Mendes comemora resultado para a Ferroviária. (Foto: Jonatan Dutra/Ferroviária)
Kati e Leo Mendes comemora resultado para a Ferroviária. (Foto: Jonatan Dutra/Ferroviária)

Entrevista de Léo Mendes, treinador da Ferroviária

L!: Você retornou à Ferroviária depois de um período na base do Bahia e de uma passagem importante pelo futebol masculino. O que pesou para aceitar o convite e voltar ao clube?

LM: Eu nunca deixei o futebol feminino de lado, mesmo passando dez anos trabalhando no masculino. Sempre acompanhei. Inclusive, esses dias recebi uma foto minha, de 2014, assistindo a um jogo das Guerreiras Grenás como torcedor. Brinquei que antes eu estava na arquibancada e agora estou à beira do campo. Antes de migrar para a base do futebol masculino, trabalhei dez anos com futsal feminino, em uma época em que o futsal tinha um papel muito importante na formação de atletas para o campo. A Nut, por exemplo, hoje coordenadora da Ferroviária, era atleta de futsal. Depois foi para o futebol de campo, foi campeã da Libertadores e hoje faz parte desse projeto. Mesmo trabalhando na base da Ferroviária, do Palmeiras e do Bahia, sempre acompanhei o futebol feminino de perto. No Bahia, por exemplo, via muitos treinos do Felipe Freitas e conversava bastante com ele sobre a modalidade.

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Quando surgiu o convite da Ferroviária, enxerguei um projeto no qual acredito muito. Um projeto que valoriza a formação de atletas e a transição da base para o profissional. Como passei muitos anos trabalhando com categorias de base, isso pesou bastante na minha decisão.

Hoje, por exemplo, tivemos 23 jogadoras de linha treinando e 14 delas foram formadas na base do clube. É um número muito expressivo. Eu, sinceramente, não conheço outro clube, masculino ou feminino, que tenha essa proporção. É um processo mais trabalhoso, mas extremamente gratificante, porque o nosso trabalho não é apenas desenvolver aspectos técnicos e táticos. É desenvolver pessoas, potencializar atletas e prepará-las para competir em um Campeonato Brasileiro cada vez mais forte.

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Sabemos que não vamos entrar na disputa financeira com alguns clubes. Por isso, precisamos formar jogadoras e criar condições para que elas alcancem o alto rendimento aqui dentro. Já completei um ano de retorno à Ferroviária e hoje estou totalmente inserido na modalidade novamente. Mesmo acompanhando o futebol feminino durante esse período fora, viver o dia a dia mostra o quanto ele cresceu.

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L!: Nesses dez anos trabalhando na base do futebol masculino, você aprendeu algo que tem aplicado no futebol feminino?

LM: Existe um discurso de que trabalhar com homens e mulheres é completamente diferente. Claro que existem particularidades, mas, antes de tudo, estamos lidando com seres humanos.

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No Bahia, trabalhei com muitos jovens que enxergavam o futebol como a oportunidade de transformar a vida da família. Cada atleta carregava uma história diferente, dificuldades, perdas, desafios pessoais.

Quando você cruza o caminho dessas pessoas, precisa deixar uma marca positiva. Para mim, isso passa por conseguir acessar o coração delas, ser alguém que escuta, que orienta, que está presente quando elas erram e que transmite confiança, principalmente nos momentos difíceis.

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Essa forma de trabalhar eu levo tanto para o masculino quanto para o feminino. Sempre procuro construir uma relação muito boa com as atletas, mas sabendo estabelecer limites. Porque amanhã posso precisar deixar uma atleta no banco e a relação profissional precisa continuar saudável.

Todo mundo tem suas dores, seus sentimentos e sua história. Quanto mais entendemos essas histórias, melhores condições temos para ajudar essas pessoas a crescerem dentro e fora do futebol.

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L!: Você chegou a jogar futebol ou futsal antes de virar treinador?

LM: Minha trajetória foi praticamente toda no futsal. Comecei no futebol de campo da Ferroviária quando era menino, mas o clube também tinha equipe de futsal. Depois recebi um convite do tradicional Clube 22 de Agosto, aqui de Araraquara, e acabei deixando o futebol de campo para jogar futsal. Foi ali que me apaixonei pela modalidade. Muitas das ideias que aplico hoje no futebol vêm do futsal. Joguei até os 26 anos, mas aos 24 já era treinador da equipe feminina da cidade.

Léo Mendes (o terceiro jogador, em pé), quando atuava no futsal de Araraquara. (Acervo pessoal)
Léo Mendes (o terceiro jogador, em pé), quando atuava no futsal de Araraquara. (Acervo pessoal)

L!: Depois de um ano de trabalho, o que você acredita que a Ferroviária já evoluiu e onde ainda pode crescer?

LM: Quando aceitei o convite, uma das ideias era fazer com que a Ferroviária tivesse mais protagonismo dentro de campo. Eu gosto até de fazer uma analogia com o nosso símbolo. A guerreira antes aparecia apenas com um escudo, representando a defesa. Hoje ela também tem uma espada. Isso representa a ideia de atacar, de ser protagonista.

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Queremos uma equipe corajosa, que tenha posse de bola, construa o jogo e mantenha essa identidade mesmo diante das equipes mais fortes. Acho que evoluímos muito nesse aspecto. Existe uma palavra que usamos bastante internamente: coragem. Nós vamos errar, faz parte, mas precisamos ter coragem para jogar. Quanto mais a atleta participa do jogo e toma decisões sob pressão, mais ela evolui. Isso é ainda mais importante porque temos um elenco bastante jovem.

Hoje vejo uma equipe que controla mais as partidas, busca pressionar alto, joga para frente e tenta incomodar o adversário o tempo inteiro. Brinco até que o nosso trabalho é fazer a Luciana trabalhar o mínimo possível. Ela sempre foi decisiva pela Ferroviária, mas queremos que o time consiga controlar os jogos para que ela não precise fazer milagres o tempo todo.

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Ter a bola também é uma forma de defender. Se estamos jogando e controlando a partida, também estamos impedindo que o adversário nos agrida. Claro que ainda existem muitos caminhos para evoluir. Cada adversário apresenta desafios diferentes e precisamos ampliar nosso repertório para responder a essas situações. Mas acredito que nossa identidade de jogo já está bastante consolidada.

L!: Você comparou a Libertadores que venceu em 2015 com a edição do ano passado. O que mais mudou na competição?

LM: Mudou muita coisa. Naquela época, o número de integrantes da comissão técnica era bem menor. Nós éramos cinco pessoas para fazer tudo. O hotel era dividido com outras equipes, a alimentação era muito difícil. Eu, particularmente, quase não conseguia comer durante a competição. Imagina para as atletas, que ainda precisavam entrar em campo.

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O intervalo entre os jogos também era muito curto. Eram apenas dois dias entre uma partida e outra, e só na semifinal e na final tivemos três dias de descanso. Além disso, a Libertadores tinha apenas 12 equipes. Hoje são 16, e acredito que ainda pode crescer mais.

Naquele título, também tínhamos um elenco muito jovem. Nove atletas da Ferroviária estavam na seleção permanente, e, das 11 titulares, seis tinham menos de 20 anos. A gente nem chegou como favorito. Fomos crescendo durante a competição, vencemos os primeiros jogos, eliminamos o São José na semifinal, que era o grande rival da época e tricampeão da competição, e depois fizemos uma grande final contra o Colo-Colo.

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Hoje vejo uma Libertadores muito mais estruturada. Os campos de treinamento melhoraram, a logística é melhor, a alimentação evoluiu bastante e o nível competitivo aumentou muito. Na edição do ano passado, por exemplo, o primeiro jogo contra o Adiffem foi extremamente difícil. Ganhamos por 1 a 0, com um gol contra no fim, tivemos gols anulados e foi uma partida muito tensa. O futebol feminino evoluiu fisicamente e taticamente. Hoje qualquer equipe bem organizada dificulta muito o jogo.

Mesmo assim, conseguimos crescer durante a competição. Fizemos uma grande partida contra o Independiente del Valle Dragonas, vencendo por 3 a 0, e tivemos um duelo muito equilibrado contra o Corinthians na semifinal. Tivemos chances de decidir antes dos pênaltis, mas acabamos eliminados.

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Depois conquistamos o terceiro lugar vencendo o Colo-Colo, que vinha de uma sequência enorme de vitórias e havia sido campeão invicto do Campeonato Chileno. Foi uma recompensa importante para um grupo que vinha de uma maratona de dez jogos em 30 dias entre Paulista, Copa do Brasil e Libertadores. Saímos invictos da competição e ficamos muito perto de disputar a final.

Ferroviária conquistou Libertadores 2015. (Tetê Viviani)
Ferroviária conquistou Libertadores 2015. (Tetê Viviani)

L!: Antes de falar do Corinthians, queria entrar na questão do mercado. A Ferroviária trouxe nomes como Brenda Pinheiro, Maressa, Patrícia Sochor e Tayslane. Qual foi a estratégia do clube para montar esse elenco?

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LM: Essas atletas já vinham sendo observadas há bastante tempo. Desde que soube que voltaria para a Ferroviária, começamos a assistir muitos jogos e identificar onde poderíamos reforçar o elenco.

A Pâmela, por exemplo, nós nem tratamos como reforço porque ela era da base, estava emprestada ao Red Bull Bragantino e já fazia parte do nosso planejamento.

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A Tayslane chegou porque sabíamos que perderíamos a Mylena Carioca. É uma jogadora muito veloz, que cria muitas situações de gol e consegue atacar bastante os espaços. A Brenda Pinheiro nos chamou atenção pela capacidade física, pela construção das jogadas e pela leitura do jogo ofensivo. O Thiago, nosso analista de mercado, faz um trabalho importante nesse processo de observação, e ela foi uma atleta que nos agradou bastante. A Patrícia Sochor veio para fortalecer o ataque, mas infelizmente sofreu uma lesão séria logo no início e tivemos que reorganizar a equipe sem ela. E a Maressa parece que joga aqui há muitos anos. Ela chegou muito à vontade, assumiu protagonismo rapidamente, virou nossa vice-artilheira e encaixou perfeitamente na maneira como queremos jogar. Ela ganhou mais liberdade para chegar na área e isso potencializou o desempenho dela. Perdemos atletas importantes, como a Duda e a Raquel, e a Maressa assumiu essa responsabilidade muito bem. Além da qualidade técnica, ajuda bastante no dia a dia e tem um perfil extremamente competitivo. Estamos muito satisfeitos com os reforços da temporada.

L!: O torcedor pode esperar mais contratações até o fim do ano?

LM: Contratações, não. Mas temos uma atleta da base que enxergamos como um reforço importante, que é a Raíssa. Ela já participou da Copa do Brasil, foi titular no último jogo, marcou dois gols e é uma centroavante com características que hoje são difíceis de encontrar no mercado. Ainda tem idade de sub-20, mas acreditamos muito no potencial dela e queremos desenvolvê-la para que possa brilhar aqui na Ferroviária.

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L!: Além dos reforços, o clube também conseguiu manter atletas importantes, como Vendito e Fátima Dutra. Qual a importância dessas renovações?

LM: A Vendito é uma jogadora extremamente versátil. Ela amadureceu muito e hoje consegue atuar em mais de uma função. Muitas vezes utilizamos como meia, porque ela participa bastante do jogo e tem uma capacidade muito grande de colocar as companheiras em condição de finalizar. É uma característica rara. Ela tem um passe refinado e acreditamos que pode se tornar uma camisa 10 cada vez mais valorizada.

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A Fátima Dutra também ocupa uma posição muito carente no mercado. Além da qualidade técnica, demonstra muita disposição para aprender novas funções dentro da equipe. Como não trabalhamos com um elenco muito numeroso, é importante contar com atletas que consigam desempenhar diferentes papéis. Ficamos muito felizes por ela renovar conosco até 2027.

L!: Eu gosto muito da evolução da Monique nesta temporada. Como você enxerga o crescimento dela?

LM: Ela é um ótimo exemplo do trabalho que estamos desenvolvendo. Nunca esteve nos nossos planos jogar com três zagueiras, mas as circunstâncias da temporada nos levaram para esse caminho. Perdemos algumas atletas por lesão, outras saíram, e as zagueiras começaram a desempenhar um papel muito importante.

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Hoje temos um grupo forte com Camila, Andressa, Grazi, Monique e a Luana voltando. A Monique é uma atleta em quem enxergamos uma projeção enorme dentro do futebol mundial. Ela constrói muito bem o jogo, é forte pelo alto e ainda tem aparecido com frequência no ataque para marcar gols. Ficamos felizes em ver atletas formadas na base aproveitando as oportunidades e evoluindo no profissional. Isso também mostra a qualidade do trabalho realizado nas categorias de base da Ferroviária.

L!: Corinthians e Ferroviária voltam a se enfrentar em um mata-mata importante, agora pelas oitavas de final da Copa do Brasil. É um confronto que se repete no Brasileiro, no Paulista e até na Libertadores. Pela história das duas equipes na modalidade, você considera esse um clássico? O que espera encontrar do Corinthians da Emily Lima?

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LM: Antes de voltar para a Ferroviária, eu acompanhava de fora e via o Corinthians conquistando praticamente tudo: Brasileiro, Libertadores, Paulista. Em alguns momentos até abria mão de determinadas competições por causa do calendário, mas seguia extremamente dominante.

Eu me perguntava quando alguém conseguiria bater de frente com esse time. Hoje acho que essa distância diminuiu bastante. O Palmeiras já conquistou títulos importantes, a Ferroviária também vem reduzindo essa diferença e outras equipes cresceram muito.

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Lembro como torcedor do último Campeonato Brasileiro conquistado pela Ferroviária, quando a Luciana fez uma partida histórica. Naquela época, quando o Corinthians entrava em campo, a sensação era de que ele iria vencer, a não ser que acontecesse algo extraordinário. O futebol permite isso, mas era uma equipe muito dominante.

Hoje o Corinthians continua sendo uma referência. Tem uma comissão técnica nova que já conseguiu dar identidade ao time, atletas de altíssimo nível e muita capacidade de decisão.

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Para nós, enfrentar equipes desse tamanho é importante porque mede a nossa evolução. Também é uma oportunidade para as jogadoras mais jovens viverem partidas grandes, adquirirem experiência e criarem casca competitiva.

Pelo histórico, o Corinthians ainda é a principal equipe do futebol feminino brasileiro. O Palmeiras já igualou muito em investimento, estrutura e elenco, mas temos muito respeito pela trajetória construída pelo Corinthians. Ao mesmo tempo, queremos conquistar o nosso espaço e incomodar cada vez mais.

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A Copa do Brasil é uma competição muito interessante justamente porque permite esse tipo de confronto. Claro que, no sorteio, você pensa que poderia enfrentar um adversário diferente, mas também é um campeonato que dá oportunidades para equipes de outras divisões crescerem, atraírem investimento e fortalecerem a modalidade.

Agora teremos um jogo único, e isso muda completamente o cenário. São apenas 90 minutos. Precisamos acreditar que pode ser o nosso dia, fazer uma grande partida, neutralizar as principais virtudes do Corinthians e, ao mesmo tempo, manter a nossa identidade de jogo.

L!: A partida passou das 15h para as 20h. Qual o impacto dessa mudança e o que representa jogar na Fonte Luminosa?

LM: Nós gostamos muito de jogar em casa. A Ferroviária é um dos poucos clubes que coloca o futebol feminino para atuar regularmente no estádio principal, e isso engrandece muito a modalidade. A Fonte Luminosa oferece um gramado excelente, uma estrutura muito boa e um ambiente que faz diferença para as atletas. A mudança de horário também ajuda bastante. Às três da tarde seria muito mais difícil para o torcedor comparecer. À noite, esperamos ter um público maior, apoiando a equipe e criando um ambiente favorável. Neste ano já conquistamos resultados importantes em casa, como a virada sobre o Palmeiras, e isso aumenta nossa confiança para enfrentar o Corinthians diante da nossa torcida.

Léo Mendes na arquibancada da Fonte Luminosa. (Acervo pessoal)
Léo Mendes na arquibancada da Fonte Luminosa. (Acervo pessoal)

L!: Para terminar: quando conversarmos novamente no fim da temporada, o que você espera poder me contar sobre 2026?

LM: Existem coisas que nós não controlamos, e o principal exemplo é o resultado. Claro que queremos conquistar títulos. Chegamos a uma final de Copa do Brasil, queríamos muito trazer esse troféu para Araraquara e não conseguimos. Mas espero poder dizer que ajudamos a manter a Ferroviária entre as principais equipes do país, chegando sempre o mais longe possível nas competições.

Também quero olhar para trás e ver uma equipe com identidade bem definida, organizada, competitiva, com espírito coletivo e que nunca desiste. Isso faz parte da história da Ferroviária. Nos últimos jogos contra Atlético-MG e Palmeiras, por exemplo, buscamos vitórias nos minutos finais. Essa capacidade de acreditar até o fim precisa continuar sendo uma marca do time.

Espero também poder dizer que valorizamos o elenco, que as atletas evoluíram durante a temporada, que as contratações deram certo e que as jogadoras da base aproveitaram as oportunidades. Se conseguirmos consolidar essa identidade e promover essa evolução coletiva, teremos grandes chances de disputar coisas importantes. O nível do futebol feminino brasileiro está cada vez mais alto e não dá para prometer títulos, mas podemos prometer trabalho para que a Ferroviária continue crescendo. Muitas dessas conquistas não aparecem para quem está na arquibancada, mas, para quem vive o dia a dia do clube, elas têm um valor enorme.

Leo Mendes é o novo treinador da Ferroviária. (Foto: Tiago Pavini/Ferroviária SA)
Leo Mendes, treinador da Ferroviária. (Foto: Tiago Pavini/Ferroviária SA)
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