Após cirurgia no coração, Bruna Honório volta a treinar com bola
Jogadora do Itambé/Minas falou sobre a recuperação e as dificuldades vividas

Há pouco mais de dois meses, a oposto Bruna Honório, do Itambé/Minas, levou um susto. Durante uma série de exames de rotina realizados pelo departamento médico da Confederação Brasileira de Voleibol (CBV), em Saquarema (RJ), a jogadora, que estava convocada para a Seleção Brasileira, foi informada que precisaria se afastar do grupo. Um exame de imagem descobriu um tumor benigno no átrio esquerdo do coração da atleta. O baque na cabeça da jogadora foi inevitável e, segundo ela, este foi o momento de maior emoção da sua vida.
- Eu chorava sem entender muito bem as coisas e sem acreditar que estava acontecendo aquilo naquele momento.
No dia 15 de maio, ela passou pela cirurgia em São Paulo e iniciou o trabalho de reabilitação. Três semanas atrás, ele voltou a treinar na academia do Minas, com o preparador físico Alexandre Marinho. Evoluindo dia a dia, Bruna, iniciou os treinamentos com bola nesta quinta-feira.
- A Bruna está na transição entre reabilitação e preparação física. Ela necessita, ainda, de alguns cuidados da medicina e da fisioterapia, que vem monitorando a jogadora diariamente. Na preparação física, ela já está na terceira semana de trabalhos com peso, com intensidades de moderadas a altas. Ela vem retomando os níveis de força e restabelecendo todos os parâmetros de quando finalizou a temporada passada com a gente. As notícias são muito boas e posso dizer que a evolução dela segue a passos largos, tudo está dentro ou até além do previsto, no bom sentido. Hoje daremos um novo passo no processo de recuperação dela, que serão algumas atividades moderadas com bola. Em breve, teremos mais boas notícias - disse o preparador físico.
Passado o susto e de volta aos treinamentos, menos de dois meses após o procedimento cirúrgico, a atleta fala sobre o drama vivido e comemora a volta às atividades esportivas.
Como você recebeu a notícia do tumor?
Depois de uma ressonância realizada em Saquarema, me chamaram em uma sala com o Zé Roberto (técnico da seleção brasileira José Roberto Guimarães). Me disseram que estava confirmado a suspeita que eles tinham, e eu estava com um tumor no coração. A única maneira de tratamento era cirúrgica. Algo teoricamente fácil, mas que não deixava de ser uma cirurgia cardíaca. Na hora, eu só pensava que teria que ir embora, que não poderia jogar até resolver isso. Eu chorava sem entender muito bem as coisas e sem acreditar que estava acontecendo aquilo naquele momento. Foi o momento de maior emoção por tudo que tinha me acontecido e naquele momento ter que parar por tempo indeterminado.
Como foram a chegada ao hospital, os momentos que antecederam a cirurgia e depois do procedimento?
Me internei na noite anterior à cirurgia. Estávamos eu, a minha mãe e o meu namorado (o oposto Rafael Bairros). Foi um momento que tentamos ficar tranquilos e conseguimos até o outro dia, às 6h da manhã, quando comecei a me preparar para ir ao centro cirúrgico. No momento em que eu troquei de roupa, deitei na maca e fui saindo do quarto, me bateu o medo... medo de estar indo para uma cirurgia teoricamente desconhecida. Ver a minha mãe e o meu namorando angustiados na porta do quarto foi muito ruim. Após a cirurgia, quando acordei, já estava no quarto de novo, cheia de fios (equipamentos de monitoramento). Quando abri os olhos, fiquei muito feliz em ver os rostos alegres da minha mãe e do meu namorado me esperando acordar. Me emocionei muito quando me dei conta de que tudo tinha dado certo.
Gostaria de agradecer alguém por todo esse processo que você passou?
Eu não tenho palavras para descrever e agradecer o que o Minas fez por mim. Tive todo apoio do doutor Rodrigo Otávio (diretor médico do Clube), que lutou comigo o tempo todo, desde o primeiro instante que descobriu. A Keyla Monadjemi (diretora de vôlei feminino do Minas) e a doutora Carla Tavares (médica do Esporte do Minas) também ficaram muito à frente de tudo e sempre estiveram ao meu lado. Eu agradeço a todos e a todas do Minas, que indiretamente, fizeram de tudo para ser da melhor forma possível e para não ter erros. Se na temporada passada eu briguei com unhas e dentes pelo Minas, apenas por ser o meu time, esse ano eu brigarei o triplo. Agradeço muito a todas as mensagens de carinho e apoio que também recebi pelas redes sociais. Tudo isso me deu muita força.
Sobre a recuperação, como foram as primeiras atividades?
Comecei a fazer fisio-cardiovascular, na primeira semana após a cirurgia. Em nenhum momento senti dor ou qualquer desconforto. Eu perdi um pouco de respiração, no início, mas com uma semana de treinos, já estava tudo 100%. Fiz mais duas semanas progressivas, que me adaptei muito bem, sem sentir dor alguma e sem nenhuma limitação articular.
De volta ao Minas, como tem sido o seu dia a dia?
Eu faço a parte física, com corrida para estimular e ver a reação do coração, tudo monitorado para medir a frequência cardíaca. Logo depois faço musculação, já específica para o vôlei, pegando peso, tudo também monitorada pelo departamento médico, fisioterápico e pela preparação física. Eu estou me sentindo 100%. Me sinto mais forte que antes, tanto psicologicamente quanto de energia. E sinto que, muito em breve, estarei de volta às quadras.

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