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Análise Tática do Guffo: o Vasco copeiro de Renato Gaúcho

Equipe mostra organização ofensiva e pressão alta, mas ainda expõe falhas defensivas

Renato Gaúcho - Vasco
imagem cameraRenato Gaúcho observa a partida entre Vasco e Audax Italiano, em São Januário (Foto: Matheus Lima/Vasco)
Autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, esse texto não reflete necessariamente a opinião do Lance!
Dia 24/04/2026
15:08

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O Vasco de Renato Gaúcho começa a ganhar uma cara muito própria e, ao contrário da caricatura de "time do Renato = só motivação", há bastante mecanismo por trás da boa fase. O que mais chama atenção é como o treinador encontrou um equilíbrio raro entre um time que ataca com muita gente e, ao mesmo tempo, mantém um mínimo de organização para não virar aquele caos que marcava versões antigas de seus trabalhos. Hoje, o Vasco é um time que sabe onde quer roubar, como quer atacar e quem precisa estar perto da bola para que a jogada ganhe velocidade.

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A base da construção é clara: saída em três. A lógica é abrir a "plataforma" para empurrar o adversário, liberar os laterais e permitir que o Vasco empurre até seis jogadores para a última linha. Renato tem usado muito um 3-1-6 (e, às vezes, um 3-0-7), que serve para fixar o rival atrás e criar aquela sensação de sufoco permanente. Puma Rodríguez, por exemplo, virou praticamente um ponta e é uma das chaves para ampliar o campo e gerar profundidade.

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Tá bom, mas há problemas ainda 📋

Esse volume ofensivo não é aleatório; ele nasce da aproximação de peças. Rojas, Spinelli, Tchê Tchê, Andrés Gómez, todos aparecem em zonas similares para combinar, atrair o adversário e abrir a jogada para o lado oposto. É um mecanismo que lembra, em espírito, o Dinizismo que o próprio Renato admira: congestiona um lado, gira para o outro e encontra o espaço onde o rival não consegue chegar. Foi assim que o Vasco quebrou o Paysandu na Copa do Brasil, criando infiltrações constantes e chances por dentro da área.

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Se o ataque tem ritmo, a defesa ainda mostra oscilação, especialmente nas costas dos volantes. No primeiro tempo contra o Paysandu, houve buracos bem claros entre linhas, com o adversário conseguindo transitar e gerar situações de perigo, incluindo uma bola na trave. Isso acontece porque o Vasco marca, muitas vezes, num 4-4-2, mas os volantes saltam demais e deixam o setor vulnerável. É um ponto de atenção: quando a equipe perde o timing do bote, o time se parte. A diferença é que, no segundo tempo, aparece a melhor versão de Renato: o Vasco que recupera a bola no pós-perda como se fosse um time de Copa. Quando perde, morde. Quando é batido, cobre. Quando o rival tenta sair, encontra três, quatro, cinco jogadores encurtando o campo. E é essa faceta copeira, a de um time que transforma 10 segundos em caos controlado, que explica por que o Vasco cresce tanto em jogos eliminatórios.

Outro mérito é o papel dos laterais. Cuiabano e Puma não fazem a mesma função, e isso torna o time menos previsível. Enquanto Puma vira praticamente extremo e pisa na área com frequência, Cuiabano alterna como terceiro zagueiro, como apoio interno e como ultrapassagem. Essa versatilidade cria rota de passe para dentro, por fora e em profundidade, algo que faltava ao Vasco há anos. Com eles, o 3-1-6 vira um sistema dinâmico, sem ficar engessado em ataques sempre iguais.

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DNA copeiro 💢

Hoje, a grande virtude do Vasco de Renato é clara: é um time que joga o jogo do mata-mata com espírito e com mecanismo. Sufoca, pressiona, chega com número, golpeia rápido e não deixa o rival respirar. Falta ainda ajustar as costas dos volantes, calibrar melhor a ocupação por dentro e evitar a dependência de arrancadas individuais. Mas a identidade está ali: um Vasco agressivo, dominante territorialmente e que sente cheiro de transição como poucos.

Se Renato mantiver esse nível de intensidade e continuar afinando o modelo, o Vasco tem tudo para seguir sendo um time "copeiro": incômodo, pesado, difícil de enfrentar. E, em torneios eliminatórios, isso costuma valer muito mais do que qualquer rótulo.

Claudio Spinelli celebra gol do Vasco contra o Paysandu no Mangueirão, pela Copa do Brasil (Foto: Matheus Lima/Vasco)
Claudio Spinelli celebra gol do Vasco contra o Paysandu no Mangueirão, pela Copa do Brasil (Foto: Matheus Lima/Vasco)
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