Análise tática do Guffo: o que melhorou no Corinthians de Diniz?
Técnico ainda não sofreu gols nos primeiros jogos no comando do Timão

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O Corinthians já mudou de cara em tão pouco tempo com Fernando Diniz porque o novo treinador não entrou só para mexer na escalação. Ele entrou para mexer no comportamento do time. E isso, no futebol, costuma ser mais importante do que qualquer desenho inicial. Em poucos dias, o Corinthians passou a parecer um time mais conectado, mais confiante e mais disposto a se aproximar para jogar. Não é pouca coisa.
A primeira mudança é visível na própria rotina. Diniz tem conversado muito com os jogadores, cobra de perto, explica o que quer e dá atenção até para quem não vinha sendo usado. Isso parece detalhe de bastidor, mas no futebol não é. Quando o elenco compra a ideia, o campo responde. E o Timão respondeu rápido: em três jogos sob o comando de Diniz, venceu dois e empatou um, sem sofrer gols. Isso é organização emocional e tática caminhando juntas.
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Um time mais próximo
Em campo, a mudança mais clara está na saída de jogo e na forma como o time passou a se aproximar do lado da bola. O Corinthians de Diniz já mostra uma estrutura mais fluida, com laterais assumindo funções diferentes a depender do momento. O Bidu, por exemplo, em alguns momentos baixa para formar uma linha de três na base da jogada; em outros, ganha liberdade para apoiar mais alto. Isso cria uma leitura mais inteligente do espaço. O time deixa de ser estático e passa a se mover de acordo com a necessidade da jogada.
Outro ponto importante é a presença dos meias muito mais perto da construção. Garro e Breno Bidon, em vários momentos, descem para participar da saída, ajudam a dar continuidade e formam aquele amontoado coordenado que é bem a cara do Diniz. É o famoso princípio de aproximar peças para associar melhor. Quando isso acontece, o Corinthians ganha passes curtos, mais opções de tabelas e uma circulação que faz o adversário correr atrás da bola em vez de controlar o jogo.
Isso também muda o papel dos laterais. O Mateuzinho, em boa parte do tempo, se projeta mais alto e vira quase uma peça de amplitude no corredor direito. Já o Bidu, dependendo da situação, fica mais na base ou avança como apoio por dentro e por fora. Essa alternância é muito valiosa porque impede que o Corinthians fique previsível. Um time que alterna entre 3-2-5 e 2-3-5, como o Diniz gosta, consegue ocupar melhor o campo e empurrar o rival para trás com mais consistência.
Tem ainda uma mudança de peso no corredor central. Antes, o Corinthians muitas vezes girava a bola sem conseguir romper por dentro. Agora, o time tenta gerar mais associações internas, com Garro, Bidon, André e até Kaique oferecendo linhas de passe e criando superioridade próxima. Isso é decisivo contra times fechados, como o Santa Fe, que protegeu muito bem o centro com o 5-4-1. Para desmontar esse tipo de bloco, não basta cruzar bola. É preciso atrair, combinar, inverter e atacar o espaço certo. E aí vem os gols de bola parada e/ou jogada ensaiada. Com Dorival, em 56 jogos, o time marcou 29 gols de bola parada. Uma média de 0,51 por jogo (ver arte abaixo). Com Diniz, essa média já subiu para 0,66 por jogo.
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Um futuro alvissareiro
Ainda há um desafio evidente: fazer esse modelo funcionar contra blocos muito baixos e manter a progressão por dentro com regularidade. Porque uma coisa é aproximar peças; outra é transformar isso em chance clara o tempo todo. Mas a direção é promissora. O Corinthians de Diniz já parece mais vivo, mais associativo e mais difícil de prever. Se ele conseguir sustentar essa fluidez sem perder equilíbrio na transição defensiva, o time pode ganhar um repertório que faltava fazia tempo.
No fim, o que mudou no Corinthians de Diniz é que deixou de ser um time só de intenção e passou a ter um desenho mais coerente com o jogo que quer jogar. Diniz ainda está no começo, mas já deu ao time algo fundamental: identidade. E quando isso acontece tão cedo, o próximo passo deixa de ser apenas melhorar. Passa a ser descobrir até onde esse Corinthians pode ir.
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Gustavo Fogaça escreve sua coluna no Lance! nas noites de segunda e quinta-feira. Leia outras publicações do colunista nos links abaixo:
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