Análise Tática do Guffo: o Arsenal ainda tem chance de ser campeão?
Gunners perderam oportunidade de abrir vantagem na liderança contra o City

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O Arsenal saiu do jogo contra o Manchester City com uma derrota que vale mais do que três pontos perdidos. Vale como aviso. Em jogo grande, especialmente numa briga direta pelo título, não basta parecer competitivo. É preciso saber matar o contexto. E o Arsenal, mais uma vez, ficou no meio do caminho entre o controle e a convicção. Teve posse em certos momentos, teve pressão em outros, mas quase nunca teve a sensação de que estava realmente empurrando o City para o desconforto.
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Taticamente, o problema começa no desenho ofensivo. O Arsenal até se organizou num 4-3-3, mas a leitura prática era outra: um time sem profundidade real, com pouca ameaça nas costas e dependente demais de um único corredor para tentar ferir o City. Madueke era quase a única válvula vertical, enquanto o restante da equipe se enroscava por dentro sem conseguir esticar a última linha adversária. Quando isso acontece contra um time como o City, o adversário agradece. Porque aí o bloco sobe, a circulação fica confortável e o controle territorial passa a ser deles.
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Guardiola leu melhor o contexto
O City percebeu isso cedo e escolheu um alvo claro: Doku contra Mosquera. Era simples, direto e eficiente. Isolar o lado, forçar o mano a mano e empurrar o Arsenal para uma defesa sem cobertura. E aí entra um dos pontos mais discutíveis do jogo: se o risco estava tão evidente, por que não ajustar melhor a estrutura de apoio? Rice poderia ter dado mais proteção naquele setor, mas o Arsenal preferiu manter uma composição que deixou o meio-campo excessivamente exposto. Zubimendi e Rice precisaram cobrir terreno demais, enquanto Ødegaard e Havertz subiam para pressionar sem conseguir fechar o circuito inteiro.
Esse foi outro problema central do Arsenal: a pressão alta parecia existir mais como intenção do que como mecanismo. Em alguns momentos, até funcionou, como no lance em que Havertz força o erro e o time empata. Mas, no geral, a pressão era hesitante, quebrada entre a vontade de subir e o medo de desmontar a estrutura atrás. O City, nesse tipo de jogo, adora esse intervalo. Bernardo Silva e Rodri encontraram espaço para conduzir, girar e decidir com calma. E quando um time desses recebe esse tipo de liberdade, a conta vem rápido.
Com a bola, o Arsenal também produziu pouco em termos de amplitude. Faltou atacar os lados com mais consistência, faltou esticar o City e faltou colocar os pontas em funções que realmente abrissem o jogo. Quando Madueke saiu, o time perdeu a única ameaça vertical mais clara. A entrada de Martinelli até melhorou a energia do corredor, mas não resolveu a falta de equilíbrio interno. Eze, por exemplo, seguir aberto quando seu melhor uso é pelo centro, onde pode realmente conectar jogadas e romper linhas. São detalhes que parecem pequenos, mas em jogo de elite são exatamente esses detalhes que decidem.
E é aí que mora a frustração maior. O jogo era ganhável. Não era um massacre, não era um City inalcançável, não era uma daquelas partidas em que o rival simplesmente atropela. Era um jogo que pedia ajustes finos. Pedia leitura de momento. Pedia coragem para fazer o óbvio que machuca o outro lado. Mas o Arsenal insistiu numa estrutura que não explorou bem as fragilidades do City e tampouco protegeu suas próprias debilidades. Haaland, mesmo num dia irregular, continuou sendo presença constante e batendo na trave até encontrar o espaço certo.
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A probabilidade de título ainda existe
O problema do Arsenal não é só técnico. É mental também. Em teoria, muita gente vai olhar para o xG, para a posse, para o "jogo equilibrado" e tentar vender isso como consolo. Mas em corrida por título, isso não serve. Quem quer ser campeão, não pode tratar derrota apertada como quase-vitória. Não pode se contentar com a sensação de que "competiu bem" quando precisava sair com pelo menos um ponto. Segundo o supercomputador da Opta, o time de Arteta ainda tem 73% de probabilidade de ser campeão após a derrota (ver gráfico abaixo).

O Arsenal ainda tem chances de ser campeão? Se quiser realmente brigar até o fim, vai precisar ser mais duro, mais objetivo e menos tolerante com suas próprias meias-soluções. Arteta ainda não mostrou, com consistência, que sabe farejar o perigo e mudar a partida na hora certa. O jogo contra o City foi mais uma prova disso. O título não se perde num lance isolado. Ele vai escapando quando um time deixa de transformar jogos assim em vitória.
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Gustavo Fogaça escreve sua coluna no Lance! nas noites de segunda e quinta-feira. Leia outras publicações do colunista nos links abaixo:
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