Veto da CBF à camisa vermelha expõe nova disputa de poder nos bastidores
A pedido de Samir Xaud, Fifa mudou a camisa de goleiro no jogo desta quarta (24)

A decisão da CBF de pedir à Fifa a troca da camisa vermelha que seria utilizada pelo goleiro Alisson na partida contra a Escócia, nesta quarta-feira (24), em Miami, vai muito além de uma simples mudança estética. O episódio escancarou divergências internas na entidade e reforçou a estratégia política adotada pelo presidente Samir Xaud desde que assumiu o comando da confederação.
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Inicialmente prevista pela Fifa para compor o uniforme da Seleção Brasileira no confronto válido pela última rodada do Grupo C da Copa do Mundo, a camisa vermelha fazia parte das opções oficiais disponibilizadas pela Nike para os goleiros quando o Brasil atua com o tradicional uniforme amarelo. Além do modelo vermelho, também estão previstas as versões verde e preta.
A alteração foi solicitada pela própria CBF e aceita pela Fifa, embora a medida tenha causado estranheza até mesmo dentro da entidade máxima do futebol. O regulamento da Copa do Mundo permite que federações nacionais solicitem mudanças na combinação de uniformes, desde que haja aprovação da organização do torneio.
Nos bastidores da CBF, porém, a discussão ganhou contornos mais intensos. Desde que assumiu a presidência, Samir Xaud tem procurado se afastar de qualquer tema que possa gerar interpretações políticas envolvendo a Seleção Brasileira. A camisa vermelha se tornou um desses símbolos.
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Ainda durante o lançamento da coleção da Nike para a Copa do Mundo, a possibilidade de uma camisa vermelha ligada à Seleção provocou forte repercussão nas redes sociais. O tema rapidamente extrapolou o ambiente esportivo e passou a ser associado a disputas ideológicas e partidárias. Naquele momento, Xaud determinou o abandono da cor, argumentando que a medida evitaria desgastes desnecessários para a entidade. Vale lembrar que Xaud já foi candidato a deputado federal pelo Partido Verde, em 2018, e pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB) em 2022 — não foi eleito em ambas as tentativas.
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A decisão de vetar a camisa vermelha de goleiro, no entanto, não encontrou unanimidade dentro da própria confederação. Integrantes da alta cúpula da CBF consideram que o presidente agiu mais por cálculo político do que por uma necessidade institucional. Nos bastidores, dirigentes avaliam que a medida serviu para projetar uma imagem de firmeza junto a setores mais conservadores do futebol brasileiro e consolidar apoios internos.
A leitura de parte dos cartolas é que o episódio também ocorre em um momento delicado para Samir Xaud. Recentemente, o dirigente viu sua gestão ser alvo de desgaste após a divulgação de relatos envolvendo casos extraconjugais e viagens custeadas com recursos da entidade. Nesse cenário, ações de forte apelo simbólico passaram a ser vistas como instrumentos para reorganizar sua base de apoio e reduzir a pressão política.
O resultado prático será visto em campo nesta quarta-feira. Em vez do uniforme vermelho originalmente programado, Alisson entrará em campo vestindo a camisa verde. Mas a troca de cor, aparentemente simples para o torcedor, revela uma disputa muito mais profunda nos corredores da CBF: a tentativa de controle da narrativa e a busca por estabilidade política em um dos momentos mais sensíveis da gestão de Samir Xaud.
Brasil x Escócia: onde assistir
A partida entre Brasil e Escócia, nesta quarta-feira (24), será realizada no Hard Rock Stadium, em Miami, nos Estados Unidos, e a bola rola às 19h (de Brasília). O duelo decisivo terá transmissão da Globo, SB, Sportv, N Sports, ge tv e CazéTV. ➡️Clique para assistir à Copa do Mundo na Cazé TV com Disney+!
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