Tecnologia da NFL invade treino da Seleção antes da estreia na Copa
Jogadores utilizam aparelhos para memorizar jogadas em treinos antes do Mundial

MORRISTOWN, NJ (EUA) - A preparação da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo de 2026 vai muito além dos treinos físicos, táticos e técnicos realizados diariamente no centro de treinamento do New York Red Bulls, em Nova Jersey. Às vésperas da estreia diante do Marrocos, neste sábado (13), um detalhe chamou a atenção durante a atividade comandada por Carlo Ancelotti: alguns jogadores utilizavam uma espécie de munhequeira tecnológica no braço.
À primeira vista, o acessório poderia ser confundido com uma simples proteção ou um item para absorver suor. Mas a realidade é bem diferente. Trata-se de uma ferramenta utilizada para auxiliar na memorização de jogadas ensaiadas, posicionamentos defensivos e movimentos específicos determinados pela comissão técnica.
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) investiu pesado em equipamentos de ponta para oferecer à comissão técnica e aos jogadores as melhores condições possíveis durante a preparação para o Mundial. E a tecnologia passou a ser mais uma aliada na busca pelo tão sonhado hexacampeonato.
No treinamento desta quinta-feira (11), foi possível observar os zagueiros Marquinhos e Gabriel Magalhães utilizando o equipamento durante parte da atividade. O acessório funciona como um guia rápido de consulta para situações específicas de jogo. Em seu interior, ficam armazenadas informações estratégicas elaboradas pela comissão técnica.
O conceito não é exatamente novo. Em diversas modalidades esportivas de alto rendimento, especialmente nos Estados Unidos, recursos semelhantes já fazem parte da rotina dos atletas. Na NFL, por exemplo, os famosos "wrist coaches" são amplamente utilizados por quarterbacks, linebackers e outros jogadores para consultar rapidamente códigos de jogadas, ajustes defensivos e orientações táticas sem a necessidade de longas explicações durante a partida.
No futebol, a prática vem ganhando espaço, principalmente em clubes europeus que trabalham com grande volume de informações táticas. A ideia é acelerar o processo de assimilação dos conceitos e garantir que cada atleta saiba exatamente qual deve ser seu posicionamento em diferentes cenários de jogo.
Esses acessórios são conhecidos como pulseiras de jogadas, ou wrist coaches, na terminologia utilizada internacionalmente. Tradicionalmente, o equipamento consiste em uma munhequeira com uma janela transparente onde são inseridos cartões ou fichas plásticas contendo códigos, números e diagramas das jogadas previamente estudadas.
No caso da Seleção Brasileira, o equipamento funciona praticamente como um pequeno "tablet de pulso", permitindo que os atletas tenham acesso rápido às orientações definidas por Ancelotti e seus auxiliares. O recurso é especialmente útil em cobranças de bola parada, posicionamentos defensivos e movimentações coordenadas que exigem precisão quase cirúrgica.
A adoção da tecnologia mostra como a preparação para uma Copa do Mundo mudou nos últimos anos. Se antes a diferença estava apenas na qualidade técnica dos jogadores, hoje ela também passa pela capacidade de utilizar dados, informação e inovação para ganhar preciosos centímetros dentro de campo.
E é justamente nessa busca pelos detalhes que o Brasil aposta para começar sua caminhada no Mundial com o pé direito. Afinal, em uma competição decidida nos mínimos detalhes, cada informação assimilada pode representar a diferença entre defender um gol ou comemorar um deles.

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