A arma silenciosa da Seleção: tecnologia monitora o sono

Jogadores têm utilizado pulseira durante período pré Copa do Mundo

Enviado Especial
09/06/2026 19:00
Danilo Santos usa pulseira inteligente em treino da Seleção (Foto: Rafael Ribeiro / CBF)
Danilo Santos usa pulseira inteligente em treino da Seleção (Foto: Rafael Ribeiro / CBF)
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MORRISTOWN, NJ (EUA) - A preparação da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo vai muito além dos treinamentos em campo, das sessões de academia e das reuniões táticas comandadas por Carlo Ancelotti. Nos bastidores, uma tecnologia discreta, mas cada vez mais presente no esporte de alto rendimento, passou a fazer parte da rotina dos jogadores: a pulseira inteligente, que, entre outras funcionalidades, controla a rotina do sono.

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O acessório foi entregue aos atletas durante a última Data Fifa, também realizada nos Estados Unidos, antes dos amistosos contra França e Croácia. Desde então, tornou-se comum observar diversos jogadores utilizando o dispositivo durante a concentração e nos momentos de descanso ao longo da preparação para o Mundial.

Diferentemente dos relógios inteligentes tradicionais, a pulseira não possui tela. O objetivo não é exibir notificações ou servir como acessório tecnológico do dia a dia. Sua função é muito mais específica: monitorar continuamente indicadores fisiológicos para ajudar atletas a entenderem como o corpo está respondendo à carga de treinos e, principalmente, à qualidade do sono.

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A tecnologia é amplamente utilizada por atletas de elite ao redor do mundo, entre eles o português Cristiano Ronaldo e o quarterback Patrick Mahomes, do Kansas City Chiefs. A pulseira registra dados como frequência cardíaca, variabilidade da frequência cardíaca, temperatura corporal e níveis de oxigenação sanguínea. A partir dessas informações, o sistema calcula índices relacionados ao desgaste físico, à recuperação muscular e à necessidade de descanso.

O sono, considerado um dos pilares da performance esportiva moderna, é o principal foco da ferramenta. A pulseira monitora todas as fases do descanso noturno, identificando quanto tempo o usuário permanece em sono leve, profundo e REM — estágio fundamental para processos de recuperação cognitiva e consolidação da memória.

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Carlo Ancelotti também utiliza a tecnologia que monitora o sono (Foto: Rafael Ribeiro / CBF)
Carlo Ancelotti usa em seu braço esquerdo a tecnologia que monitora o sono (Foto: Rafael Ribeiro / CBF)

Com base nos dados coletados, o sistema consegue calcular a eficiência do sono e indicar se o atleta atingiu o nível de recuperação necessário para suportar as exigências físicas do dia seguinte. Em uma competição curta e intensa como a Copa do Mundo, na qual o intervalo entre partidas costuma ser reduzido, esse tipo de informação ganha valor estratégico.

Outra funcionalidade utilizada pelos atletas é o chamado planejador de sono. O recurso sugere horários ideais para dormir e acordar de acordo com o desgaste acumulado ao longo do dia, permitindo que cada jogador adapte sua rotina para maximizar a recuperação física.

A ferramenta também conta com alarmes inteligentes que utilizam vibrações suaves para despertar o usuário no momento programado ou quando o sistema identifica que o corpo já alcançou o nível de recuperação desejado.

Além dos dados fisiológicos, a plataforma permite que os atletas registrem hábitos diários que podem influenciar o descanso. Consumo de cafeína, níveis de estresse, horários das refeições e outros fatores podem ser inseridos em um diário digital. Com o passar do tempo, o sistema cruza essas informações e identifica padrões que ajudam a entender quais comportamentos favorecem ou prejudicam a recuperação.

Na prática, a tecnologia não substitui o trabalho dos médicos, fisiologistas e preparadores físicos da Seleção Brasileira. Ela funciona como mais uma fonte de dados para complementar a análise realizada pela comissão técnica e pelo departamento de saúde.

Em uma era na qual cada detalhe pode fazer diferença dentro de campo, o monitoramento do sono deixou de ser apenas uma preocupação médica e passou a integrar a estratégia esportiva. Se durante décadas a preparação de uma seleção se concentrava apenas nos gramados, hoje ela também passa pelo quarto dos jogadores.

E é justamente durante as horas de descanso que a Seleção busca ganhar uma vantagem invisível, mas cada vez mais valorizada no futebol de alto rendimento. Afinal, em uma Copa do Mundo decidida nos detalhes, dormir bem também pode ser parte do caminho para a vitória.

Pulseira que regula o sono é utilizada na Seleção (Foto: Márcio Iannacca / CBF)
Pulseira que regula o sono é utilizada na Seleção (Foto: Márcio Iannacca / CBF)

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