OPINIÃO: Fernando Diniz promete reviver 'estilo brasileiro' na Seleção; será que é disso que precisamos?
Técnico fará sua primeira convocação à frente da Amarelinha nesta sexta-feira (18)

A era Fernando Diniz na Seleção Brasileira terá início nesta sexta-feira (18), com a primeira convocação do técnico à frente da Amarelinha. Por mais que, a princípio, o treinador permaneça no comando da equipe apenas por um ano, seu trabalho à frente do Brasil gera muita expectativa, não apenas por seus métodos, mas também por tudo o que Diniz simboliza.
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O treinador do Fluminense é um representante da 'escola' brasileira de futebol, de Zagallo, Telê Santana e Vanderlei Luxemburgo, baseada na qualidade individual dos jogadores e na sua liberdade para solucionar lances através do improviso (veja mais detalhes nesta análise). No vídeo de apresentação divulgado pela CBF para anunciar a sua contratação, Diniz chega a falar que seu objetivo é "ajudar o jogador a colocar para fora a sua inventividade e criatividade".
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Esta deve ser a tônica da Seleção Brasileira a partir de agora: jogadores que se movimentam livremente no campo e procuram se aglomerar na bola e ao redor de seus companheiros para dar sequência aos lances de ataque. Como toda forma de jogar, essas ideias tem vantagens e desvantagens, mas ainda assim é um estilo 'nosso' e que rendeu cinco títulos mundiais para o Brasil.
A atuação de Diniz como comandante da Amarelinha, no entanto, abre espaço para um outro debate que, aparentemente, ficou em segundo plano diante de outras questões - como ética e a divisão de foco com o trabalho no Fluminense: será mesmo que a Seleção Brasileira precisava de um retorno ao seu 'velho' estilo? Sem conquistar uma Copa do Mundo há mais de 20 anos, não seria esse o momento de mudar a nossa forma de trabalhar?
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Defensores do trabalho de Fernando Diniz argumentarão que a última seleção campeã do mundo, a Argentina, se utilizou do mesmo expediente para quebrar o jejum de mais de 30 anos sem conquistar uma Copa. Lionel Scaloni, técnico dos nossos 'hermanos', deu liberdade total para seus atacantes - especialmente Messi - trocarem passes curtos e se aproximarem uns dos outros de maneira intuitiva.
Se ao redor do mundo essa forma de jogar ficou conhecida como 'Scaloneta', na Argentina os torcedores a batizaram de 'La Nuestra' (ou 'A Nossa') em referência ao resgate de um estilo tipicamente argentino de jogar. Dessa forma, tanto Scaloni lá, quanto Diniz aqui, seriam responsáveis por reaproximar as respectivas seleções do povo de seu país, através da identificação com um estilo de jogo próprio.

Entretanto, críticos ao estilo de Diniz - grupo do qual faço parte - dirão que os europeus (de uma maneira geral), com um futebol de maior controle do jogo, sem espaço para improvisos, e mais baseado no estudo do que na intuição, dominou o futebol mundial nos últimos 21 anos, desde a conquista do penta pelo Brasil.
Essa hegemonia europeia nas últimas duas décadas, seja a nível de clubes ou de seleções, seria um indicativo de que não há mais espaço para que os jogadores fiquem reféns do improviso em um jogo e, portanto, seria o modelo a ser seguido pela Seleção Brasileira para retomar o caminho das conquistas. O sucesso recente de técnicos portugueses em clubes locais seria outra prova de que precisamos beber de outras fontes.
Vale destacar: esse debate não é sobre a competência de Fernando Diniz para dirigir o Brasil, e sim uma discussão de ideias. São maneiras diferentes de interpretar e pensar o jogo. Dessa forma, a questão está posta novamente: será que Fernando Diniz era o que a Seleção Brasileira precisava? Esperamos que o período do próximo ano nos mostre a resposta.
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