Leandro vê crise nas laterais e diz que atual geração vive 'nível mais baixo' que já acompanhou na Seleção
Ex-jogador revela conversa com Wesley, recém-cortado da Canarinho
Nas vésperas da Copa do Mundo, as laterais da Seleção Brasileira seguem sendo um dos principais problemas da equipe. Com autoridade de quem marcou época na posição e é considerado um dos maiores laterais-direitos da história do futebol brasileiro, Leandro analisou, em entrevista ao Lance!, a escassez de opções nas duas alas, criticou a atual safra de jogadores e lamentou o corte de Wesley, revelação do Flamengo que ficou fora do Mundial após sofrer uma lesão.
A decisão de Carlo Ancelotti, técnico da Seleção Brasileira, de não convocar um substituto para Wesley após o corte chamou atenção e, para Leandro, é mais um reflexo da falta de alternativas no futebol brasileiro. O ex-lateral acredita que o treinador italiano precisará adaptar a equipe diante da carência de jogadores especializados na função.
— Nós estamos sem laterais. Tanto pela direita quanto pela esquerda. Temos o Danilo, que pode jogar por ali, mas já tem uma certa idade. Temos o Alex Sandro, que também já tem uma certa idade, mas são dois grandes jogadores. Acredito que o Ancelotti possa querer se guarnecer mais, jogar com dois laterais/zagueiros até o meio-campo, formando ali com dois volantes, e liberar mais os meninos da frente. Acho que é o que ele tem que fazer — avaliou Leandro, durante evento do Museu do Flamengo na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro.

Antes de abordar a questão tática, Leandro comentou o corte de Wesley, um dos destaques do Flamengo em 2025 e jogador por quem demonstra grande carinho. O ex-jogador revelou ao Lance! que entrou em contato com o lateral após a confirmação da lesão e tentou ajudá-lo a lidar com a frustração.
— Fiquei muito triste por ser um ex-jogador do Flamengo e meu amigo, torço muito por ele. Já mandei uma mensagem para ele. Essas coisas acontecem, mas são muito ruins. Eu me coloco no lugar dele porque, em 1982, tivemos o corte do Careca, que foi muito triste para todos nós. Espero que ele tenha uma boa recuperação, se fortaleça psicologicamente, porque isso abala muito. Outras seleções e outras Copas virão. Se ele mantiver a performance que apresentou até agora, continuará tendo oportunidades — disse.

Leandro diz que Seleção pode surpreender mesmo sem a alcunha de favorita
Apesar das críticas ao momento da Seleção Brasileira, Leandro acredita que o Brasil pode surpreender na Copa justamente por chegar sem o peso do favoritismo. Segundo ele, a equipe atual não transmite a mesma confiança de outras gerações, mas ainda conta com jogadores experientes capazes de competir em alto nível.
— Infelizmente, a Seleção não está indo para a Copa com a confiança dos torcedores. Não por culpa da gente, mas pelas próprias apresentações que vêm sendo feitas. Ao mesmo tempo, é uma competição muito rápida. O Brasil não tem mais aqueles grandes craques de antigamente, mas tem bons jogadores e atletas experientes que atuam há muito tempo na Europa. Às vezes, quando vamos como favoritos, acabamos ficando pelo caminho. Dessa vez, talvez sem esse favoritismo, possamos conseguir algo mais.
Questionado sobre o motivo de o Brasil ter chegado a esse cenário de escassez nas laterais, Leandro foi sincero. Para ele, a queda de qualidade não se limita à posição e representa um problema mais amplo da formação de jogadores no país.
— Essa pergunta sempre é feita para mim e para outros laterais. A safra não é boa há muito tempo. Em termos de qualidade, acho que é o nível mais baixo de todas as seleções desde que me conheço como jogador. Você não tem laterais, não tem meio-campo criativo. Você só tem volante.
Ao comparar diferentes gerações, o ex-jogador citou alguns dos maiores nomes da história da Seleção Brasileira para exemplificar a diferença técnica.
— Você não tem um Falcão, um Cerezo, um Sócrates. Não tem Roberto Carlos, Marcelo, Cafu, Jorginho, Nelinho, Marinho Chagas. A safra realmente não tem esses jogadores.
Para Leandro, a principal dificuldade está justamente na complexidade da função. Segundo ele, formar um lateral de alto nível exige características cada vez mais raras no futebol atual.
— Você não faz lateral. O jogador tem que nascer lateral, ter habilidade, qualidade. A posição exige marcar, subir, criar jogadas. Colocar alguém ali apenas para marcar é fácil. Esse tipo de jogador está em falta, realmente — refletiu.
Laterais à disposição de Ancelotti
Para a Copa do Mundo deste ano, Ancelotti conta com Danilo e Ibañez, pelo lado direito, ambos improvisados. Pela esquerda, Alex Sandro e Douglas Santos, laterais de ofício, estão à disposição. Além de Wesley, quem também fica fora por lesão é o zagueiro Éder Militão que, na teoria, seria o titular pelo lado direito.
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