Artilheiro da Copa de 1938: Leônidas da Silva, do Brasil
Conheça Leônidas, o Diamante Negro e goleador do Brasil na Copa de 1938.

A terceira edição da Copa do Mundo, realizada na França em 1938, ocorreu sob a pesada sombra das tensões políticas que logo culminariam na Segunda Guerra Mundial. Mesmo com o clima pesado no continente europeu, o torneio seguiu seu curso e serviu como um palco fundamental para a consolidação do futebol como um espetáculo de massas. Foi nessa competição que o mundo começou a olhar de forma diferente para a América do Sul, encantando-se com um estilo de jogo criativo e cheio de ginga. O Lance! relembra o artilheiro da Copa de 1938: Leônidas da Silva, do Brasil.
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A seleção brasileira desembarcou em solo francês disposta a apagar as campanhas ruins dos mundiais anteriores (1930 e 1934). O time levou para a Europa um elenco talentoso, que misturava a técnica refinada com a improvisação, que se tornaria a marca registrada do futebol nacional. Os franceses, acostumados a um jogo mais físico e tático, ficaram maravilhados com a habilidade dos sul-americanos em tratar a bola com tanta intimidade.
Artilheiro da Copa de 1938: Leônidas da Silva, do Brasil
O grande astro daquela delegação brasileira era um atacante de carisma inigualável e um vigor atlético fora do comum. Dono de uma elasticidade impressionante, ele realizava acrobacias no ar que deixavam os defensores perplexos e os torcedores aplaudindo de pé. Sua capacidade de saltar e finalizar em posições quase impossíveis rendeu-lhe o apelido de "Homem de Borracha" pela imprensa internacional.
O talento do craque transcendeu as quatro linhas, transformando-o no primeiro grande ídolo popular do esporte no Brasil, a ponto de batizar uma famosa marca de chocolates que existe até os dias atuais. No entanto, sua maior contribuição histórica foi popularizar a jogada mais plástica do esporte: o gol de bicicleta. Embora não tenha sido o inventor absoluto do movimento, foi ele quem o aperfeiçoou e o executou nos maiores palcos possíveis.
Leônidas da Silva, o eterno "Diamante Negro", foi a sensação absoluta daquele torneio. Liderando o ataque do Brasil com maestria e uma precisão letal, ele anotou sete gols ao longo da competição, garantindo não apenas o terceiro lugar para a seleção, mas também o prêmio individual mais cobiçado pelos atacantes. A consagração na França fez de Leônidas o primeiro craque brasileiro a ter reconhecimento verdadeiramente global.
A estreia épica de Leônidas e o gol sem chuteiras
A caminhada do Brasil na Copa de 1938 começou nas oitavas de final, em um duelo antológico contra a seleção da Polônia, disputado debaixo de uma tempestade na cidade de Estrasburgo. Em um gramado completamente encharcado e pesado, as equipes protagonizaram um dos jogos mais emocionantes da história, que terminou com a vitória brasileira por 6 a 5 na prorrogação.
Foi nesse cenário adverso que Leônidas mostrou seu brilho. O Diamante Negro marcou simplesmente três gols (hat-trick) na partida. O momento mais folclórico do jogo ocorreu quando, devido à lama, a chuteira do craque estourou. Enquanto a comissão técnica tentava consertá-la, Leônidas aproveitou um lance na área e, descalço, marcou um dos gols. O árbitro, que não havia percebido o detalhe por conta da lama que cobria os pés do jogador, validou o tento.
A Batalha de Bordeaux e a polêmica semifinal
Nas quartas de final, o Brasil enfrentou a forte seleção da Tchecoslováquia, atual vice-campeã mundial. O primeiro confronto ficou conhecido como a "Batalha de Bordeaux" devido à extrema violência de ambas as partes, terminando empatado em 1 a 1, com o gol brasileiro anotado, claro, por Leônidas. Como não havia disputa de pênaltis na época, um jogo-desempate foi realizado dois dias depois. Novamente, o artilheiro deixou sua marca na vitória por 2 a 1, garantindo o Brasil na semifinal.
O desafio seguinte era contra a Itália, que viria a ser a campeã do torneio. Foi então que ocorreu uma das maiores controvérsias da história das Copas. O técnico Adhemar Pimenta decidiu poupar Leônidas, que estava com dores musculares devido à exaustiva maratona de jogos. Acreditando que o Brasil venceria e precisaria do craque 100% para a final, o treinador deixou seu principal jogador no banco. Sem sua estrela, o Brasil perdeu por 2 a 1 e foi eliminado do sonho do título.
O prêmio de consolação contra a Suécia
Apesar da frustração da eliminação, a seleção brasileira ainda precisava disputar a partida que valia a medalha de bronze contra a Suécia. Com Leônidas de volta ao time titular e descansado, o Brasil não tomou conhecimento do adversário europeu.
Em mais uma atuação de gala, o Diamante Negro comandou a vitória brasileira por 4 a 2. Ele marcou mais dois gols na partida, alcançando a marca definitiva de sete tentos na competição. Esse desempenho o colocou no topo isolado da tabela de artilheiros, superando o húngaro György Sárosi e o italiano Silvio Piola. A consagração de Leônidas da Silva na França pavimentou o caminho para a mística da camisa 9 (e posteriormente da camisa 10) do Brasil, deixando um legado de arte, plasticidade e eficiência que definiria o futebol pentacampeão do mundo nas décadas seguintes.
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