Coreia do Sul 1 x 3 México na Copa de 1998: Hernández brilha e vira para mexicanos

Relembre a grande virada mexicana com show de Luis Hernández na Copa de 1998.

PorLance!São Paulo (SP)
18/06/2026 06:27
O atacante Luis "El Matador" Hernández comemora de braços abertos um de seus gols históricos na virada da seleção do México sobre a Coreia do Sul no Stade de Gerland, em Lyon. (FIFA)
O atacante Luis "El Matador" Hernández comemora de braços abertos um de seus gols históricos na virada da seleção do México sobre a Coreia do Sul no Stade de Gerland, em Lyon. (FIFA)
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Copa do Mundo de 1998 teve 32 seleções.
Coreia do Sul tentou surpreender, mas sofreu expulsão.
México virou o jogo, vencendo por 3 a 1.
Resumo supervisionado pelo jornalista!

A décima sexta edição da história dos Mundiais, realizada na França no glorioso verão de 1998, entrou para os livros de história como o torneio da expansão e da globalização do futebol. Com o aumento definitivo de 24 para 32 seleções participantes, o torneio ganhou em diversidade, cores e narrativas dramáticas espalhadas por palcos históricos de solo francês. No dia 13 de junho, a charmosa cidade de Lyon e as arquibancadas do Stade de Gerland testemunharam a abertura dos trabalhos no equilibrado Grupo E, colocando frente a frente duas escolas que buscavam consolidação no cenário internacional em um duelo que se tornaria inesquecível pela reviravolta tática e emocional. O Lance! relembra Coreia do Sul 1 x 3 México na Copa de 1998.

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A seleção da Coreia do Sul desembarcou em território europeu, respaldada por uma campanha avassaladora e dominante nas Eliminatórias Asiáticas, onde sobrou tecnicamente sob o comando do técnico Cha Bum-Kun. Considerado o maior jogador sul-coreano do século XX, o treinador implementou na equipe um estilo de jogo baseado na extrema disciplina tática, velocidade de recomposição e forte intensidade física. Os "Guerreiros Taeguk" carregavam o sonho de conquistar a primeiríssima vitória do país na história das Copas do Mundo, apoiando-se na liderança técnica do elegante defensor Hong Myung-bo para surpreender os favoritos do grupo.

Do outro lado, a seleção do México vivia uma atmosfera de imensa desconfiança, cobranças e pesadas críticas por parte de sua própria imprensa nacional antes do apito inicial. O experiente comandante Manuel Lapuente havia enfrentado uma série de resultados negativos nos amistosos de preparação, o que levantava sérias dúvidas sobre a consistência e a solidez do sistema defensivo asteca. No entanto, o elenco mexicano ostentava jogadores de personalidade forte, liderados pela agilidade do folclórico goleiro Jorge Campos, pelo ritmo ditado pelo capitão Alberto García Aspe e pelo talento de uma dupla de ataque imprevisível formada por Cuauhtémoc Blanco e Luis Hernández.

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O confronto em Lyon desenhou-se de forma surpreendente, transformando-se em uma autêntica montanha-russa de emoções para os espectadores que lotavam as arquibancadas. O primeiro tempo mostrou uma Coreia do Sul corajosa, bloqueando com imensa eficiência o meio-campo mexicano e inaugurando o placar com uma cobrança de falta do meia Ha Seok-Ju. Contudo, em um roteiro digno dos dramas mais intensos do esporte, o herói da abertura transformou-se em vilão absoluto em um intervalo de apenas 120 segundos, recebendo um cartão vermelho direto que alteraria completamente o destino e a estrutura tática do embate.

Na etapa complementar, a superioridade técnica, a experiência internacional e a vantagem numérica do México sufocaram completamente a retaguarda sul-coreana. As mexidas cirúrgicas e corajosas promovidas por Manuel Lapuente no intervalo mudaram a engrenagem do time, injetando uma velocidade asfixiante que destruiu a resistência asiática. Impulsionado pelo faro de gol do reserva Ricardo Peláez e pelo brilho monumental do atacante Luis "El Matador" Hernández, autor de dois gols de extrema categoria, o México construiu uma virada categórica por 3 a 1 que marcou o início de uma campanha histórica na França.

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Coreia do Sul 1 x 3 México na Copa de 1998

O drama de Ha Seok-Ju: De herói a vilão em dois minutos

O apito inicial do árbitro austríaco Günter Benkö, para Coreia do Sul 1 x 3 México, deu início a um primeiro tempo truncado, nervoso e caracterizado pelo forte encaixe de marcação das duas equipes. O México tentava propor as ações e ditar o ritmo através da posse de bola de García Aspe, mas esbarrava na barreira física montada por Cha Bum-Kun, que impedia as infiltrações de Cuauhtémoc Blanco. A Coreia do Sul fechava os espaços com imensa dedicação coletiva e assustava nas saídas rápidas em transição de Ko Jong-Soo, deixando claro que o jogo seria decidido nos detalhes ou nas jogadas de bola parada.

Aos 28 minutos da etapa inicial, o detalhe decisivo apareceu a favor dos sul-coreanos. Em uma falta marcada na entrada da grande área mexicana, o meia Ha Seok-Ju assumiu a responsabilidade da cobrança de perna esquerda. O chute saiu forte e rasteiro, explodindo na barreira armada por Jorge Campos; a bola desviou de forma caprichosa na marcação e mudou completamente de trajetória, enganando o arqueiro mexicano, que já havia escolhido o canto esquerdo. A bola morreu mansamente no fundo das redes para inaugurar o placar, explodindo o banco de reservas asiático em uma comemoração histórica em Lyon.

No entanto, a euforia e a catarse do gol inédito duraram pouquíssimo tempo no gramado do Stade de Gerland. Apenas dois minutos depois, aos 30, o próprio Ha Seok-Ju cometeu um erro emocional gravíssimo ao dar uma entrada violenta, desnecessária e por trás nas pernas do lateral mexicano Ramón Ramírez no meio-campo. O árbitro Günter Benkö correu em direção ao lance e, aplicando as novas e rígidas diretrizes da FIFA para aquela Copa sobre faltas por trás, sacou o cartão vermelho direto. Em um piscar de olhos, o herói nacional sul-coreano deixava o campo cabisbaixo, deixando seus companheiros em inferioridade numérica pelo restante do confronto.

As cartadas de Manuel Lapuente: Mudanças táticas que incendiaram o México

Atrás no marcador antes do intervalo, o técnico Manuel Lapuente percebeu que precisaria de ousadia absoluta para quebrar a linha de cinco defensores que a Coreia do Sul organizou para suportar a pressão após a expulsão. No vestiário, o comandante do México promoveu duas alterações simultâneas e que mudariam completamente o panorama técnico da partida: sacou Braulio Luna e Jaime Ordiales para lançar o veloz ponta Jesús Arellano e o centroavante de área Ricardo Peláez, transformando o esquema tático em um autêntico abafa ofensivo.

A entrada de Jesús Arellano pelo flanco direito destruiu os planos de contenção do treinador sul-coreano Cha Bum-Kun. Com dribles em velocidade e arrancadas verticais, Arellano alargou o campo e passou a abastecer a grande área asiática com cruzamentos contínuos. A insistência mexicana cobrou o seu preço logo no início do segundo tempo. Aos 6 minutos, após uma cobrança de escanteio precisa que gerou um bate-rebate tenso na pequena área, a bola sobrou limpa para o oportunismo de Ricardo Peláez. Com enorme presença de área, o atacante fuzilou o goleiro Kim Byung-ji para anotar o gol de empate e inflamar a torcida mexicana nas arquibancadas.

O show do Matador: Luis Hernández decreta a virada em Lyon

O gol de empate desestruturou por completo o físico e a confiança da Coreia do Sul, que passou a sofrer imensamente com o forte calor de Lyon e o desgaste de correr com um atleta a menos. O México se aproveitou do cenário de superioridade para desfilar o seu melhor repertório técnico. Cuauhtémoc Blanco começou a puxar a sua tradicional malandragem em campo, confundindo os marcadores com a famosa "Cuauhtemiña" — o lance plástico onde prendia a bola entre os dois pés para saltar por entre os defensores rivais —, abrindo imensos espaços na cansada retaguarda asiática.

Aos 29 minutos da etapa complementar, a virada asteca se concretizou através da categoria do grande artilheiro daquela geração. Em um cruzamento milimétrico desferido por Ramón Ramírez pela ponta esquerda, a bola viajou por trás da linha de zagueiros sul-coreanos; Luis "El Matador" Hernández infiltrou-se em velocidade e, com um toque sutil de pé esquerdo antes da saída desesperada do goleiro Kim Byung-ji, empurrou para as redes para virar o placar em 2 a 1. Com seus longos cabelos loiros ao vento, Hernández correu para comemorar em transe com a torcida do "El Tri".

O golpe de misericórdia veio dez minutos depois, aos 39, para sepultar de vez qualquer esboço de reação asiática. Em mais uma jogada construída pela habilidade de Cuauhtémoc Blanco pelo meio, a bola foi enfiada na grande área para Luis Hernández. Demonstrando uma frieza cirúrgica e imensa proteção de pivô, o camisa 15 girou de forma magnífica sobre a marcação de Kim Tae-young e chutou rasteiro, rasteiro no canto direito de Kim Byung-ji para balançar as redes pela terceira vez, decretando o placar final de 3 a 1 e assegurando os três pontos fundamentais para o México.

O legado em Lyon: Caminhos opostos no Grupo E

O apito final de Günter Benkö carimbou uma vitória maiúscula e de superação psicológica para o México, que espantou a crise interna e provou a força de seu elenco de forma incontestável na estreia. O triunfo em Lyon deu à seleção mexicana a tranquilidade necessária para somar pontos cruciais nas rodadas seguintes contra Holanda e Bélgica, carimbando a classificação histórica para as oitavas de final da Copa do Mundo de 1998 e consolidando Luis Hernández como o grande herói nacional mexicano daquele período em solo francês.

Para a Coreia do Sul, o desfecho dramático em Lyon representou um baque psicológico devastador do qual a equipe não conseguiu se recuperar ao longo do mês. O sonho da primeira vitória transformou-se em frustração crônica, e a expulsão precoce destruiu o planejamento de Cha Bum-Kun. Os sul-coreanos sofreram uma eliminação precoce na fase inicial, culminando inclusive na demissão histórica do treinador ainda durante a competição na França, um trauma técnico que só seria cicatrizado quatro anos depois, quando o país abrigou o torneio em sua própria casa.

Ficha técnica - Coreia do Sul 1 x 3 México na Copa de 1998

  • Data: Sábado, 13 de junho de 1998
  • Horário: 12:30 (de Brasília)
  • Local: Stade de Gerland – Lyon, França
  • Árbitro: Günter Benkö (Áustria)

Gols

  • Coreia do Sul: Ha Seok-Ju (28')
  • México: Ricardo Peláez (51'), Luis Hernández (74' e 84')

Escalações e substituições

Coreia do Sul (Técnico: Cha Bum-Kun)

  • 1 - Kim Byung-ji (G)
  • 13 - Kim Tae-young
  • 20 - Hong Myung-bo (C)
  • 5 - Lee Min-sung 🟨 (20')
  • 14 - Ko Jong-Soo (Saiu aos 75')
  • 6 - Yoo Sang-chul
  • 15 - Lee Sang-Yoon
  • 7 - Kim Doh-Keun (Saiu aos 60')
  • 8 - Noh Jung-Yoon (Saiu aos 55')
  • 17 - Ha Seok-Ju ⚽ 🟥 (30')
  • 9 - Kim Do-Hoon

Banco de reservas utilizados:

  • 16 - Jang Hyung-Seok (Entrou aos 55')
  • 2 - Choi Sung-yong (Entrou aos 60')
  • 11 - Seo Jung-won (Entrou aos 75')

Não utilizados: Seo Dong-Myung, Lee Sang-hun, Jang Dae-Il, Lee Lim-Saeng, Choi Young-Il, Lee Dong-gook, Choi Yong-soo, Hwang Sun-hong.

México (Técnico: Manuel Lapuente)

  • 1 - Jorge Campos (G)
  • 2 - Claudio Suárez
  • 5 - Duilio Davino
  • 13 - Pável Pardo
  • 19 - Braulio Luna (Saiu aos 45')
  • 14 - Raúl Lara
  • 20 - Jaime Ordiales 🟨 (26') (Saiu aos 45')
  • 7 - Ramón Ramírez
  • 8 - Alberto García Aspe 🟨 (27') (C) (Saiu aos 71')
  • 15 - Luis Hernández ⚽⚽
  • 11 - Cuauhtémoc Blanco

Banco de reservas utilizados:

  • 21 - Jesús Arellano (Entrou aos 45')
  • 9 - Ricardo Peláez ⚽ (Entrou aos 45')
  • 6 - Marcelino Bernal (Entrou aos 71')

Não utilizados: Oswaldo Sánchez, Óscar Pérez, Salvador Carmona, Isaac Terrazas, Joel Sánchez, Germán Villa, Luís García, Francisco Palencia.

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