Arábia Saudita 0 x 1 Espanha na Copa de 2006: Juanito garante espanhóis 100% na primeira fase

Relembre a vitória da Fúria com o time reserva que confirmou a campanha 100%.

PorLance!São Paulo (SP)
12/06/2026 06:33
Atualizado há 5 minutos
O zagueiro Juanito (camisa 20) celebra ao lado de seus companheiros após testar firme para as redes, anotando o gol que garantiu a vitória da seleção da Espanha sobre a Arábia Saudita no Fritz-Walter-Stadion. (FIFA)
O zagueiro Juanito (camisa 20) celebra ao lado de seus companheiros após testar firme para as redes, anotando o gol que garantiu a vitória da seleção da Espanha sobre a Arábia Saudita no Fritz-Walter-Stadion. (FIFA)
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Espanha vence Arábia Saudita por 1 a 0 na Copa do Mundo de 2006, garantindo a liderança do Grupo H
Gol marcado por Juanito define a vitória e encerra a fase de grupos com 9 pontos
A Espanha jogou com uma equipe reserva, destacando novos talentos como Cesc Fàbregas e Andrés Iniesta
Resumo supervisionado pelo jornalista!

A manhã de sexta-feira, 23 de junho de 2006, ofereceu ao público da Copa do Mundo da Alemanha um cenário de puro desfrute tático e gerenciamento de elenco na cidade de Kaiserslautern. No gramado do histórico Fritz-Walter-Stadion, as seleções da Arábia Saudita e da Espanha fecharam as suas participações na fase inicial do torneio em condições psicológicas completamente opostas. Enquanto os europeus já haviam carimbado o passaporte para as oitavas de final de forma antecipada, os asiáticos jogavam pela honra e por uma despedida digna. O placar econômico de Arábia Saudita 0 x 1 Espanha pode sugerir um jogo morno, mas os bastidores e a dinâmica de campo entregaram uma crônica rica sobre a profundidade e o surgimento de uma das eras mais dominantes do futebol moderno. O Lance! relembra Arábia Saudita 0 x 1 Espanha na Copa de 2006.

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A seleção da Espanha vivia dias de extrema euforia sob o comando do icônico treinador Luis Aragonés, o "Sábio de Hortaleza". Nas duas primeiras rodadas do Grupo H, a Fúria havia triturado a Ucrânia por um elástico 4 a 0 e buscado uma virada madura por 3 a 1 diante da Tunísia. Com a classificação e o primeiro lugar da chave virtualmente assegurados, Aragonés deu-se ao luxo de promover uma rotação completa na equipe titular. O treinador alterou os onze jogadores, mandando a campo uma formação repleta de astros alternativos e jovens prodígios que pediam passagem na hierarquia da seleção. Era a oportunidade perfeita para o mundo observar o entrosamento de peças que, anos mais tarde, reescreveriam a história das competições internacionais.

Do outro lado, a seleção da Arábia Saudita, dirigida pelo técnico brasileiro Marcos Paquetá, buscava assimilar o duro baque sofrido na rodada anterior, quando fora goleada impiedosamente pela Ucrânia. Paquetá estruturou os Filhos do Deserto com um plano focado na forte compactação defensiva e no orgulho competitivo. O grande combustível emocional da delegação saudita era a presença no onze inicial do lendário atacante Sami Al-Jaber, que fazia a sua última aparição absoluta em Copas do Mundo. Cientes da imensa superioridade técnica do adversário, os sauditas pisaram em Kaiserslautern dispostos a montar uma barreira intransponível e explorar os raros contra-ataques verticais para se despedirem da Alemanha de cabeça erguida.

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Arábia Saudita 0 x 1 Espanha na Copa de 2006

A rotação do Sábio e a redenção de Cañizares

O grande charme dos bastidores desse confronto residia justamente na escalação alternativa desenhada por Luis Aragonés. Dar descanso a pilares como Iker Casillas, Carles Puyol, Xavi Hernández, Fernando Torres e David Villa permitiu que a Espanha exibisse ao mundo o seu impressionante catálogo de talentos de segunda linha. No gol, a partida marcou um momento de profunda justiça poética para o veterano Santiago Cañizares. Após ter perdido a titularidade da Copa de 2002 devido a um bizarro acidente doméstico com um frasco de perfume que cortou o seu tendão do pé, o arqueiro do Valencia recebia a chance de disputar a sua última partida em Mundiais, ostentando a braçadeira de capitão e a liderança do grupo.

No meio-campo, a Fúria desfilava uma linha de articulação que faria inveja a qualquer potência do planeta futebol. A juventude irreverente de Cesc Fàbregas (então brilhando no Arsenal) unia-se à elegância cirúrgica de Andrés Iniesta para ditar o ritmo de posse de bola e envolver a marcação adversária. No ataque, a velocidade de Joaquín Sánchez e José Antonio Reyes pelas pontas municiava o veterano Raúl González. O plano tático espanhol consistia em sufocar a saída de bola da Arábia Saudita desde as primeiras batidas do cronômetro, desgastando o oponente através de trocas rápidas de passes e buscando um gol precoce para administrar as energias físicas no calor do verão alemão.

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O primeiro tempo: O ferrolho saudita e o cabeceio certeiro de Juanito

Quando a bola rolou no Fritz-Walter-Stadion, o Japão... digo, a Arábia Saudita tratou de recuar as suas linhas e montar um ferrolho compacto em seu campo de defesa. A estratégia de Marcos Paquetá sofreu um revés tático prematuro logo aos 13 minutos, quando o volante Khaled Aziz sentiu uma lesão e precisou ser substituído pelo meia Nawaf Al-Temiyat. A alteração obrigou os sauditas a redobrarem os esforços na marcação. A imposição técnica da Espanha controlava as ações, mantendo mais de 70% de posse de bola, mas esbarrando na boa organização da zaga comandada por Redha Tukar e Hamad Al-Montashari, que rechaçava as investidas de Raúl.

A forte marcação da Arábia Saudita irritava o ataque espanhol, gerando cartões amarelos precoces por reclamação e excesso de vontade para David Albelda e José Antonio Reyes. A paciência da Fúria foi testada até os 36 minutos da etapa inicial, quando a bola parada resolveu o nó tático em Kaiserslautern. Em uma falta cirurgicamente cavada pelo flanco esquerdo do ataque, José Antonio Reyes desferiu um cruzamento venenoso e milimétrico em direção à marca do pênalti. O zagueiro Juanito infiltrou-se em alta velocidade por entre os defensores sauditas e testou firme, sem dar chances de defesa para o goleiro Mabrouk Zaid. O gol de abertura fazia justiça ao domínio espanhol e dava tranquilidade ao time reserva antes do intervalo.

Segunda etapa: Marcos Paquetá mexe no time e a Arábia assusta

Insatisfeito com o isolamento ofensivo de sua equipe na metade inicial, o técnico brasileiro Marcos Paquetá cobrou maior coragem de seus atletas no vestiário. A Arábia Saudita retornou para a etapa complementar demonstrando uma postura psicológica muito mais agressiva, adiantando a sua marcação e arriscando chutes de longa distância com Mohammed Noor e Al-Temiyat. Luis Aragonés respondeu promovendo alterações no intervalo: sacou o capitão Raúl para lançar o artilheiro David Villa, renovando o fôlego da pressão ofensiva espanhola no gramado pesado.

A melhor oportunidade da Arábia Saudita na partida nasceu dos pés do atacante Saad Al Harthi, que aproveitou uma bobeira coletiva da retaguarda europeia para soltar um chute potente de dentro da grande área, mas a bola passou raspando o travessão de Santiago Cañizares. O susto fez a Espanha retomar o controle tático através da entrada do maestro Xavi Hernández na vaga de Fàbregas. A Fúria martelava em contra-ataques velozes puxados por Joaquín, e o técnico espanhol ainda colocou Fernando Torres no lugar de Reyes para tentar ampliar a vantagem. Torres flertou com o gol em duas oportunidades, mas parou em boas defesas do arqueiro Mabrouk Zaid.

Nos minutos finais, o confronto transformou-se em uma batalha física truncada, evidenciada pelo cartão amarelo recebido pelo zagueiro espanhol Carlos Marchena após uma falta dura para interromper um avanço saudita aos 75 minutos. Marcos Paquetá queimou as suas últimas cartadas lançando os atacantes Yasser Al-Qahtani e Muhammed Massad a campo, na tentativa de pressionar os europeus na base do abafa. No entanto, a imensa experiência de Cañizares e a solidez defensiva comandada por Juanito seguraram o ímpeto asiático até o apito final, carimbando a vitória magra e segura.

Campanha impecável e os desafios do mata-mata

O encerramento da partida em Kaiserslautern chancelou de forma oficial a campanha perfeita da Espanha na fase de grupos da Copa do Mundo de 2006. Com três vitórias conquistadas em três jogos disputados, a Fúria encerrou a sua participação no topo absoluto do Grupo H com 9 pontos somados, 8 gols marcados e apenas um sofrido. O triunfo obtido com o time inteiramente reserva serviu para atestar a força do grupo montado por Luis Aragonés, enchendo o elenco de casca psicológica e moral elevada antes de marchar rumo ao temido confronto das oitavas de final contra a França de Zinedine Zidane.

Para a seleção da Arábia Saudita, o revés pelo placar mínimo diante de um dos elencos mais badalados do continente europeu representou uma despedida honrosa e digna dos gramados alemães. Terminando na lanterna da chave com apenas 1 ponto conquistado, os comandados de Marcos Paquetá deixaram o torneio cientes de que a dignidade exibida diante da Espanha limpou a má impressão deixada na goleada sofrida contra os ucranianos. O jogo entrou para os livros de crônicas daquela Copa como o fechamento perfeito da fase inicial da vitoriosa Espanha, que desenhava os primeiros traços do futebol envolvente que viria a dominar o mundo nos anos seguintes.

Ficha técnica - Arábia Saudita 0 x 1 Espanha na Copa de 2006

  • Data: Sexta-feira, 23 de junho de 2006
  • Horário: 11:00 (de Brasília)
  • Local: Fritz-Walter-Stadion – Kaiserslautern, Alemanha
  • Público: 46.000 espectadores

Gols

  • Espanha: Juanito (36')

Escalações e substituições de Arábia Saudita 0 x 1 Espanha na Copa de 2006

Arábia Saudita (Técnico: Marcos Paquetá)

  • 21 - Mabrouk Zaid (G)
  • 2 - Ahmed Dokhi
  • 3 - Redha Tukar
  • 4 - Hamad Al-Montashari
  • 12 - Abdulaziz Khathran
  • 13 - Hussein Abdulghani (Saiu aos 81')
  • 14 - Saud Khariri
  • 16 - Khaled Aziz (Saiu aos 13')
  • 8 - Mohammed Noor
  • 11 - Saad Al Harthi
  • 9 - Sami Al-Jaber (C) (Saiu aos 68')

Banco de reservas utilizados:

  • 18 - Nawaf Al-Temiyat (Entrou aos 13')
  • 20 - Yasser Al-Qahtani (Entrou aos 68')
  • 19 - Muhammed Massad (Entrou aos 81')

Não utilizados: Mohammed Al-Deayea, Mohammad Khojah, Ahmed Al Bahri, Mohammed Eid, Naif Al Qadi, Mohammad Al Shalhoub, Omar Al-Ghamdi, Mohammed Ameen, Malek Al-Hawsawi.

Espanha (Técnico: Luis Aragonés)

  • 19 - Santiago Cañizares (G) (C)
  • 2 - Míchel Salgado
  • 20 - Juanito ⚽
  • 4 - Carlos Marchena 🟨 (75')
  • 12 - Antonio López
  • 6 - David Albelda 🟨 (30')
  • 18 - Cesc Fàbregas (Saiu aos 66')
  • 13 - Andrés Iniesta
  • 17 - Joaquín Sánchez
  • 10 - José Antonio Reyes 🟨 (35') (Saiu aos 70')
  • 7 - Raúl González (Saiu aos 46')

Banco de reservas utilizados:

  • 21 - David Villa (Entrou aos 46')
  • 8 - Xavi Hernández (Entrou aos 66')
  • 9 - Fernando Torres (Entrou aos 70')

Não utilizados: Iker Casillas, Pepe Reina, Sergio Ramos, Pablo Ibáñez, Mariano Pernía, Carles Puyol, Luis García, Marcos Senna

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