Inglaterra 6 x 1 Panamá na Copa de 2018: ingleses atropelam e garantem vaga nas oitavas de final
Relembre a histórica goleada do English Team em Nizhny Novgorod em 2018.

A manhã de domingo, 24 de junho de 2018, reservou para o Grupo G da Copa do Mundo da Rússia um dos roteiros mais contrastantes, vistosos e emocionalmente ricos de toda a história recente dos Mundiais. Singrando os gramados do moderno Estádio de Nizhny Novgorod, as seleções da Inglaterra e do Panamá mediram forças pela segunda rodada da fase inicial da competição. Sob um céu aberto e uma atmosfera vibrante, o confronto colocava frente a frente uma das camisas mais tradicionais e cobradas do planeta contra a mais pura e contagiante alegria de um país estreante em Copas. O placar categórico de Inglaterra 6 x 1 Panamá desenhou com fidelidade o abismo técnico entre os dois elencos, mas o desenrolar dos 90 minutos entregou uma crônica que transcendeu o simples resultado frio, eternizando-se na memória afetiva do futebol mundial. O Lance! relembra Inglaterra 6 x 1 Panamá na Copa de 2018.
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A seleção da Inglaterra desembarcara em solo russo cercada por um misto de cautela e renovada esperança sob o comando tático do treinador Gareth Southgate. Rompendo com os vícios de gerações passadas, que apostavam em medalhões e sofriam com pressões psicológicas crônicas, Southgate estruturou o "English Team" com base em uma juventude dinâmica, velocidade vertical e uma obsessão meticulosa pelo estudo das jogadas de bola parada, transformando o time em um autêntico laboratório de laboratório tático. Após vencer a Tunísia no sufoco na estreia com um gol nos acréscimos, os britânicos sabiam que o duelo contra os centro-americanos era a oportunidade perfeita para soltar as amarras ofensivas, construir um saldo de gols confortável e carimbar a classificação antecipada para as oitavas de final.
Do outro lado, a valente seleção do Panamá vivia o ápice absoluto do maior conto de fadas da história do esporte do país. Dirigidos pelo experiente técnico colombiano Hernán Darío "Bolillo" Gómez, os "Canaleros" haviam chocado as Eliminatórias da Concacaf ao garantirem a vaga inédita, motivando o próprio presidente da república a decretar feriado nacional no dia da classificação. Sabendo perfeitamente das severas limitações técnicas de seu elenco operário e veterano, que já havia estreado com um revés de 3 a 0 diante da Bélgica, o Panamá pisou em Nizhny Novgorod com uma postura psicológica leve: o objetivo principal não era desafiar a lógica dos gigantes europeus, mas sim desfrutar de cada segundo no maior palco do mundo e buscar o tão sonhado primeiro gol na história dos Mundiais.
Inglaterra 6 x 1 Panamá na Copa de 2018
O laboratório de Southgate e a eficácia mortal na bola parada
O apito inicial deu início a um monólogo tático e técnico da Inglaterra, que passou a ditar o ritmo das ações através do controle absoluto da posse de bola no círculo central. Sem poder contar com o meia Dele Alli, lesionado, Southgate promoveu a entrada do jovem Ruben Loftus-Cheek, que deu imensa potência física e dinâmica de infiltração ao setor de articulação ao lado de Jordan Henderson. O Panamá tentava resistir na base do brio coletivo e de uma marcação agressiva, mas abusava das faltas violentas na tentativa de frear as arrancadas britânicas — evidenciado pelo cartão amarelo precoce recebido pelo volante Armando Cooper logo aos 10 minutos de jogo.
A obsessão de Gareth Southgate pelos treinos de bola parada — inspirados abertamente nas jogadas de bloqueio da NFL e do basquete da NBA — colheu frutos dourados logo aos 8 minutos da etapa inicial. Em uma cobrança de escanteio perfeita desferida por Kieran Trippier pelo flanco direito, os jogadores ingleses realizaram uma movimentação sincronizada de distração dentro da grande área panamenha; completamente livre de marcação na marca do pênalti, o zagueiro John Stones infiltrou-se como um autêntico raio e testou firme, para baixo, sem dar chances de defesa para o goleiro Jaime Penedo, inaugurando o massacre em Nizhny Novgorod.
Atrás no marcador, o plano defensivo do Panamá colapsou emocionalmente, abrindo avenidas generosas para a verticalidade inglesa. Aos 22 minutos, Jesse Lingard foi derrubado de forma infantil dentro da área pelo zagueiro Fidel Escobar após um belo passe em profundidade de Henderson. Na cobrança da penalidade máxima, o capitão e artilheiro Harry Kane desferiu um petardo de perna direita no ângulo esquerdo superior de Penedo, ampliando a contagem para 2 a 0. A Inglaterra jogava por música, alternando passes curtos na intermediária e mantendo o goleiro Jordan Pickford como um mero espectador de luxo no gramado russo.
O massacre em Nizhny Novgorod: Lingard desenha pintura e Kane castiga
Os minutos finais da primeira etapa transformaram-se em um autêntico atropelo britânico que entrou para a antologia das maiores goleadas da história das Copas. Aos 36 minutos, o meia Jesse Lingard protagonizou o lance de maior plasticidade técnica da tarde. Após tabelar de forma magnífica com Raheem Sterling na entrada da grande área, Lingard dominou a bola com categoria e, com imensa frieza, desferiu um chute colocado e com curva magistral; a bola viajou de forma plástica e morreu no ângulo morto do arqueiro panamenho. Uma autêntica pintura que sacramentava o 3 a 0 no placar eletrônico.
A blitz inglesa não diminuiu a intensidade e a bola parada voltou a castigar a fragilizada retaguarda do Panamá aos 40 minutos. Em uma cobrança de falta ensaiada de forma cirúrgica na intermediária, Trippier acionou Harry Maguire na segunda trave; o defensor escorou de cabeça para o meio, Sterling finalizou para uma grande defesa de recuperação de Penedo, mas o zagueiro John Stones apareceu esperto no rebote para empurrar de cabeça, anotando o seu segundo gol na partida e o quarto da Inglaterra.
O desespero dos comandados de Hernán Darío Gómez ficou nítido nos acréscimos do primeiro tempo, quando os defensores panamenhos passaram a agarrar os atacantes ingleses de forma explícita dentro da área em cada lance aéreo, resultando em um cartão amarelo para Fidel Escobar. Aos 46 minutos, após uma nova penalidade máxima marcada de forma incontestável pela arbitragem, Harry Kane repetiu a dose com precisão cirúrgica, soltando outro chute potente no mesmo canto esquerdo para decretar o inacreditável placar de 5 a 0 antes mesmo do intervalo. O English Team marchava para os vestiários com a sua maior vantagem na história dos Mundiais em um primeiro tempo.
O hat-trick involuntário de Kane e a rotação britânica
Com a vitória maiúscula e a classificação plenamente asseguradas na tabela, a Inglaterra retornou para a etapa complementar adotando uma postura psicológica muito mais cadenciada, focada em gerenciar o desgaste físico e poupar as energias de suas principais peças para as fases agudas do mata-mata. O Panamá, demonstrando imenso brio profissional, buscou reorganizar as suas linhas de marcação e adiantou o posicionamento de Yoel Bárcenas e José Luis Rodríguez para tentar incomodar a retaguarda europeia na base do orgulho.
Contudo, a estrela do maior artilheiro daquela Copa do Mundo reapareceu de forma totalmente inusitada aos 17 minutos do segundo tempo para consolidar o seu hat-trick. Em um chute de longa distância desferido pelo meio-campista Ruben Loftus-Cheek, a bola viajou forte e acabou desviando de forma involuntária no calcanhar de Harry Kane, que corria de costas para o gol tentando sair da jogada. O desvio sutil mudou completamente a trajetória da bola e enganou o goleiro Jaime Penedo, morrendo mansamente no fundo das redes. O gol, validado de forma milimétrica pelo VAR, isolava Kane na artilharia do torneio com cinco tentos anotados.
Logo após o lance, o técnico Gareth Southgate promoveu alterações em massa para oxigenar o elenco e gerenciar o vestiário: sacou o herói Harry Kane para a entrada de Jamie Vardy e promoveu o descanso de Jesse Lingard para a entrada de Fabian Delph aos 18 minutos, além de colocar Danny Rose na vaga do lateral Kieran Trippier pouco depois. A Inglaterra reduziu drasticamente a voltagem do jogo, limitando-se a trocar passes burocráticos no meio-campo e administrando o placar sob os aplausos entusiasmados de sua torcida em Nizhny Novgorod.
O choro de alegria no revés: Baloy escreve o momento mais bonito do Panamá
A história mais bonita e comovente daquela ensolarada manhã russa, no entanto, começou a ser desenhada a partir dos 24 minutos da etapa final, quando o treinador Hernán Darío Gómez promoveu a entrada do veterano zagueiro Felipe Baloy, de 37 anos, na vaga do capitão Gabriel Gómez. Baloy, um dos atletas mais respeitados e idolatrados de toda a história do esporte panamenho, pisava no gramado ciente de que aquela era a sua última dança internacional, carregando consigo o clamor de milhões de torcedores que queriam apenas um motivo para comemorar em meio à goleada.
Aos 33 minutos do segundo tempo, o futebol provou por que é o esporte mais apaixonante do planeta ao romper as barreiras da lógica competitiva. Em uma cobrança de falta precisa alçada pela intermediária por Ricardo Ávila, a defesa da Inglaterra cometeu o seu único erro de concentração posicional da tarde, falhando na linha de impedimento. Demonstrando um brio monumental e um carrinho espetacular de pura alma, o gigante Felipe Baloy infiltrou-se por trás de Harry Maguire e completou de primeira, estufando as redes de Jordan Pickford.
O gol de honra do Panamá disparou uma catarse absolutamente inacreditável e comovente nas arquibancadas do Estádio de Nizhny Novgorod. Torcedores panamenhos choravam copiosamente abraçados, pulavam e comemoravam o gol do placar de 6 a 1 com uma euforia muito maior do que a exibida pelos ingleses em qualquer um de seus seis tentos. No gramado, os jogadores reservas invadiram o campo para sufocar Baloy em um abraço coletivo histórico. O espetáculo de pura pureza esportiva contaminou o público neutro russo, que aplaudiu de pé a dignidade e a alegria da delegação centro-americana. O apito final selou o placar de 6 a 1, unindo a satisfação técnica da classificada Inglaterra com o orgulho histórico do Panamá.
Ficha técnica - Inglaterra 6 x 1 Panamá na Copa de 2018
- Data: Domingo, 24 de junho de 2018
- Horário: 09:00 (horário de Brasília)
- Local: Estádio de Nizhny Novgorod – Nizhny Novgorod, Rússia
- Árbitro: Gehad Grisha (Egito)
- Transmissão: Globo
Gols
- Inglaterra: John Stones (8' e 40'), Harry Kane (22' pen., 45+1' pen. e 62'), Jesse Lingard (36')
- Panamá: Felipe Baloy (78')
Escalações e substituições de Inglaterra 6 x 1 Panamá na Copa de 2018
Inglaterra (Técnico: Gareth Southgate)
- 1 - Jordan Pickford (G)
- 2 - Kyle Walker
- 5 - John Stones
- 6 - Harry Maguire
- 12 - Kieran Trippier (Saiu aos 70')
- 21 - Ruben Loftus-Cheek 🟨 (24')
- 8 - Jordan Henderson
- 7 - Jesse Lingard (Saiu aos 63')
- 18 - Ashley Young
- 10 - Raheem Sterling
- 9 - Harry Kane ⚽⚽⚽ (C) (Saiu aos 63')
Banco de reservas utilizados:
- 11 - Jamie Vardy (Entrou aos 63')
- 17 - Fabian Delph (Entrou aos 63')
- 3 - Danny Rose (Entrou aos 70')
Não utilizados: Jack Butland, Nick Pope, Alexander-Arnold, Gary Cahill, Phil Jones, Eric Dier, Dele Alli, Marcus Rashford, Danny Welbeck.
Panamá (Técnico: Hernán Darío Gómez)
- 1 - Jaime Penedo (G)
- 2 - Michael Murillo 🟨 (72')
- 4 - Fidel Escobar 🟨 (45')
- 5 - Román Torres (C)
- 15 - Éric Davis
- 6 - Gabriel Gómez (Saiu aos 69')
- 20 - Aníbal Godoy (Saiu aos 62')
- 11 - Armando Cooper 🟨 (10')
- 8 - Yoel Bárcenas (Saiu aos 69')
- 21 - José Luis Rodríguez
- 7 - Blas Pérez
Banco de reservas utilizados:
- 19 - Ricardo Ávila (Entrou aos 62')
- 23 - Felipe Baloy ⚽ (Entrou aos 69')
- 16 - Abdiel Arroyo (Entrou aos 69')
Não utilizados: José Calderón, Álex Rodríguez, Adolfo Machado, Harold Cummings, Luis Ovalle, Ismael Díaz, Valentín Pimentel, Luis Tejada, Gabriel Torres.
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