Croácia 2 x 1 Inglaterra na Copa de 2018: Na prorrogação, croatas marcam e vão para final na Rússia

Relembre a histórica e heroica virada da seleção croata no Estádio Luzhniki.

PorLance!São Paulo (SP)
17/06/2026 06:01
Mario Mandzukic
O centroavante Mario Mandzukic (camisa 17) é sufocado pelos abraços de seus companheiros de seleção e por fotógrafos na linha de fundo do Estádio Luzhniki, comemorando o gol histórico da virada sobre a Inglaterra. (AFP)
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Croácia venceu Inglaterra por 2 a 1 na semifinal da Copa de 2018.
Kieran Trippier abriu o placar para a Inglaterra com um gol de falta.
Ivan Perisic empatou para a Croácia, levando o jogo para a prorrogação.
Resumo supervisionado pelo jornalista!

A noite de quarta-feira, 11 de julho de 2018, ficou gravada na história do futebol mundial como o ápice da consagração de uma geração de operários, artistas e guerreiros que se recusavam a sucumbir ao cansaço físico. O majestoso Estádio Luzhniki, na capital Moscou, transformou-se no grande epicentro dramático da Copa do Mundo da Rússia, abrigando a segunda semifinal do torneio entre as seleções da Croácia e da Inglaterra. Diante de mais de 78 mil espectadores inflamados nas arquibancadas, o confronto desenhou-se sob uma atmosfera de imensa eletricidade e visível choque cultural. De um lado, a badalada e jovem equipe inglesa carregava o embalo do lema popular "It's Coming Home", convicta de que o retorno à final após 52 anos de jejum era uma mera formalidade histórica; do outro, uma nação de pouco mais de quatro milhões de habitantes movida pelo brio inabalável de seus líderes técnicos. O Lance! relembra Croácia 2 x 1 Inglaterra na Copa de 2018.

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A seleção da Croácia chegava ao gramado moscovita carregando nos ombros um desgaste físico que beirava o limite humano, mas ostentando uma casca psicológica forjada no puro drama coletivo. Sob o comando tático do treinador Zlatko Dalic, os croatas haviam superado duas prorrogações e duas disputas por pênaltis consecutivas nas fases anteriores, eliminando a Dinamarca e os anfitriões russos na base do coração. A espinha dorsal da equipe apoiava-se na inteligência genial e cirúrgica do meio-campo composto pelo capitão Luka Modric e pelo incansável Ivan Rakitic, dois maestros capazes de controlar as ações e ditar o ritmo das partidas mais amarradas. Dalic sabia que a chave para alcançar a final inédita residia em suportar a velocidade inicial inglesa e castigar os oponentes através da rodagem internacional de seus atletas na base da paciência posicional.

Por sua vez, a renovada seleção da Inglaterra, dirigida com imenso brilhantismo pelo técnico Gareth Southgate, colhia os frutos de uma revolução tática e estrutural implementada nas categorias de base do país. Abandonando o antigo pragmatismo britânico das ligações diretas, Southgate organizou o "English Team" em um moderno e eficiente sistema 3-5-2, caracterizado pela excelente circulação de bola por baixo, pela velocidade vertical do atacante Raheem Sterling e, acima de tudo, por uma proficiência letal e exaustivamente treinada nas jogadas de bola parada. Contando com o faro de gol apurado do artilheiro e capitão Harry Kane, os inventores do futebol pisavam em Moscou desfrutando de um amplo favoritismo tático na imprensa europeia, prontos para soterrar a barreira xadrez através de um ritmo asfixiante desde o apito inicial do árbitro turco Cüneyt Çakir.

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O que se viu nos gramados russos, contudo, foi um dos roteiros mais ricos, intensos e psicologicamente mutáveis de toda a história contemporânea dos Mundiais. A Inglaterra abriu o placar logo nos minutos iniciais através de uma cobrança de falta magistral do lateral Kieran Trippier, dominando por completo as ações do primeiro tempo e desperdiçando oportunidades claras para liquidar a fatura. Na etapa complementar, a resiliência e a metamorfose técnica da Croácia reescreveram o destino da partida. Impulsionados pela entrega física monumental do ponta Ivan Perisic, autor do gol de empate, os croatas arrastaram o embate para a sua terceira prorrogação consecutiva no torneio. No tempo extra, a estrela do atacante Mario Mandzukic brilhou de forma definitiva aos 4 minutos do segundo tempo suplementar, decretando a histórica vitória por 2 a 1 que quebrou a soberba britânica e carimbou o passaporte da Croácia rumo a uma final inédita.

Croácia 2 x 1 Inglaterra na Copa de 2018

O início avassalador e a pintura de Trippier no primeiro tempo

Quando o árbitro Cüneyt Çakir autorizou o início das ações em Moscou, a Inglaterra tratou de fazer valer a sua superioridade física e velocidade vertical de forma imediata, encurralando a Croácia em seu próprio campo de defesa. A blitz tática dos comandados de Gareth Southgate surtiu um efeito devastador logo aos 5 minutos da etapa inicial, explodindo o setor das arquibancadas ocupado pelos torcedores britânicos. Após uma arrancada veloz de Dele Alli pelo meio, o meia foi derrubado na entrada da grande área pelo volante Marcelo Brozovic. Na cobrança da falta, o lateral-direito Kieran Trippier desferiu um chute perfeito de perna direita; a bola ultrapassou a barreira xadrez de forma magnífica e morreu no ângulo superior do goleiro Danijel Subasic, que saltou apenas para sair na foto. Uma autêntica pintura que inaugurava o placar e dava contornos de facilidade ao plano inglês.

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Atrás no marcador logo no início da semifinal, a Croácia sentiu o baque emocional e passou a cometer erros crônicos na saída de bola, sofrendo para reter a posse no meio-campo diante da forte marcação por pressão exercida por Jordan Henderson e Jesse Lingard. A Inglaterra dominava territorialmente o jogo e explorava a velocidade avassaladora de Raheem Sterling para desmontar o posicionamento dos zagueiros Dejan Lovren e Domagoj Vida. Aos 30 minutos, o "English Team" flertou de perto com o segundo gol que sepultaria a reação adversária: Sterling acionou Harry Kane cara a cara com o gol; o artilheiro finalizou forte e parou em uma defesa milagrosa de manche operada por Subasic; no rebote, quase sem ângulo, Kane insistiu e carimbou a trave charrua de forma caprichosa.

O desperdício das chances claras de gol e o excesso de preciosismo tático dos ingleses começaram a mudar sutilmente a atmosfera psicológica do confronto no final do primeiro tempo. Jesse Lingard teve a oportunidade de finalizar livre da entrada da grande área após excelente passe de Dele Alli, mas pecou na pontaria e mandou a bola para fora, arrancando suspiros de lamentação do banco de reservas de Southgate. A Croácia, demonstrando imensa maturidade competitiva, encolheu-se para estancar o sangramento e gastou o tempo trocando passes curtos entre Modric e Rakitic, marchando para os vestiários com a desvantagem mínima de 1 a 0, ciente de que precisaria modificar completamente a sua postura técnica para evitar a eliminação.

A metamorfose croata e o empate heróico de Perisic

A conversa promovida pelo técnico Zlatko Dalic nos vestiários do Luzhniki operou uma verdadeira metamorfose na mentalidade e no posicionamento da Croácia para a etapa complementar. O comandante croata ordenou que a equipe adiantasse as suas linhas de marcação, aceitasse o combate físico no campo ofensivo e explorasse de forma exaustiva os flancos laterais através das subidas dos alas Sime Vrsaljko e Ivan Strinic. A Inglaterra, demonstrando um recuo tático excessivo e precoce na tentativa de administrar a vantagem mínima, cometeu o erro gravíssimo de entregar o controle territorial do jogo aos meio-campistas charruas, chamando a Laranja... digo, a seleção xadrez para o seu campo defensivo.

Luka Modric assumiu a batuta do jogo no segundo tempo, ditando o ritmo de posse de bola e limpando a marcação inglesa com giros de extrema categoria no círculo central. A forte pressão croata passou a desgastar fisicamente a linha de três zagueiros formada por Kyle Walker, John Stones e Harry Maguire, que cometiam faltas duras na entrada da área — rendendo inclusive um cartão amarelo para Walker aos 9 minutos da etapa final. A insistência e o brio da Croácia colheram frutos dourados aos 23 minutos, desenhando o gol que reescreveu a história em Moscou.

Em uma belíssima inversão de jogada que encontrou o lateral-direito Sime Vrsaljko livre no campo de ataque, Vrsaljko desferiu um cruzamento perfeito, forte e em meia-altura direcionado para o miolo da grande área inglesa. Antecipando-se de forma espetacular à marcação hesitante do zagueiro Kyle Walker, o ponta Ivan Perisic infiltrou-se como um autêntico raio e, em um gesto de extrema elasticidade física, esticou a perna esquerda para desferir um chute acrobático antes da chegada do goleiro Jordan Pickford. A bola morreu no fundo das redes para decretar o empate por 1 a 1, explodindo o banco de reservas de Dalic em transe e injetando uma voltagem de pura catarse nas arquibancadas de Moscou. O gol desestruturou o plano emocional da Inglaterra, que passou a errar passes fáceis e viu Perisic carimbar a trave de Pickford apenas três minutos depois em mais um contra-ataque avassalador.

A batalha física e o drama de mais uma prorrogação russa

Com o placar em igualdade e o cansaço físico extremo castigando as duas delegações sob o peso de um calendário exaustivo, os minutos finais do tempo regulamentar transformaram-se em um autêntico cenário de xadrez tático focado na segurança defensiva. Gareth Southgate buscou oxigenar o seu ataque aos 29 minutos, sacando o cansado Raheem Sterling para promover a entrada do jovem Marcus Rashford, na tentativa de recuperar a velocidade nas transições. Dalic, por sua vez, confiava plenamente na casca psicológica de seus onze titulares e optou por não realizar nenhuma substituição antes do apito final de Cüneyt Çakir, que selou o empate por 1 a 1 e arrastou o drama da vaga para a prorrogação — a terceira consecutiva da Croácia no torneio da Rússia.

O início do tempo suplementar testou os limites do brio e da resiliência humana no gramado do Luzhniki. A Inglaterra teve a sua grande chance de ouro para reassumir a liderança do placar aos 9 minutos do primeiro tempo da prorrogação, através de sua principal arma: a bola parada. Em uma cobrança de escanteio precisa desferida por Kieran Trippier, o gigante John Stones infiltrou-se de forma cirúrgica e cabeceou firme, no canto direito superior. O goleiro Subasic já estava batido no lance, mas o lateral croata Sime Vrsaljko apareceu de forma heróica e providencial em cima da linha de gol para afastar a bola de cabeça, operando um milagre defensivo monumental que manteve a Croácia viva no confronto.

Dalic percebeu que precisava renovar o fôlego de sua equipe e promoveu as entradas do lateral Josip Pivaric na vaga de Strinic aos 5 minutos da prorrogação e, logo em seguida, lançou o atacante Andrej Kramaric no lugar de Ante Rebic — que havia recebido um cartão amarelo por jogo duro aos 6 minutos do tempo extra. A Croácia respondeu na base do abafa ofensivo e quase marcou no último segundo da primeira etapa suplementar, quando Perisic descolou um cruzamento rasteiro milimétrico para Mario Mandzukic; o centroavante finalizou de primeira na pequena área, mas parou em uma defesa assombrosa de puro reflexo operada pelo goleiro inglês Jordan Pickford, que abafou o chute com as pernas.

O golpe de mestre: Mandzukic carimba o passaporte para a inédita final

O clímax da epopeia croata estava reservado para os segundos iniciais do segundo tempo da prorrogação, transformando-se no capítulo mais bonito e glorioso da história do futebol daquela nação europeia. Aos 4 minutos da etapa final suplementar (109 minutos de jogo corrido), a defesa da Inglaterra falhou de forma coletiva ao tentar afastar uma bola rebatida na intermediária de defesa. O meia Ivan Perisic exibiu uma leitura de jogo impecável ao brigar no alto e ganhar a disputa de cabeça contra a marcação britânica, escorando a bola de forma magnífica para trás, direcionada para o coração da grande área inglesa.

Demonstrando um faro de gol implacável, imensa proteção de pivô e uma frieza cirúrgica incomparável, o centroavante Mario Mandzukic infiltrou-se nas costas do zagueiro John Stones, que vacilou na antecipação espacial do lance. Sem deixar a bola quicar no gramado pesado, Mandzukic desferiu um chute cruzado e rasteiro de perna esquerda; a bola passou por baixo do corpo do arqueiro Jordan Pickford e estufou as redes para decretar a virada monumental da Croácia por 2 a 1. Em transe completo de euforia, Mandzukic correu em direção à linha de fundo e desabou junto com os seus companheiros por cima dos fotógrafos credenciados da FIFA na maior comemoração daquela Copa, eternizada em imagens marcantes que correram o planeta bola.

Atrás no placar e com os níveis de desespero psicológico no topo, a Inglaterra partiu para um abafa desordenado na base do orgulho britânico nos minutos finais da prorrogação. Southgate queimou as suas últimas cartadas lançando o artilheiro Jamie Vardy a campo no lugar de Kyle Walker aos 12 minutos do segundo tempo extra, mas a barreira defensiva da Croácia postou-se de forma impecável na entrada da grande área. O Maestro Óscar... digo, o treinador Zlatko Dalic fechou completamente a casinha promovendo as entradas do veterano zagueiro Vedran Corluka na vaga do herói cansado Mandzukic aos 15 minutos e do volante Milan Badelj no lugar do capitão Luka Modric aos 19, administrando a posse de bola com imensa categoria até o apito final de Cüneyt Çakir.

O legado de Luzhniki: O orgulho de uma geração dourada rumo à eternidade

O apito final de Cüneyt Çakir no Estádio Luzhniki decretou de forma oficial a vitória épica e categórica da Croácia 2 x 1 Inglaterra, selando a maior façanha esportiva da história do país europeu independente. Ao superar três prorrogações consecutivas e jogar o equivalente a uma partida extra em termos de minutos corridos ao longo do mata-mata na Rússia, os comandados de Zlatko Dalic quebraram todas as barreiras do ceticismo internacional e carimbaram o passaporte de forma inédita para a grande finalíssima da Copa do Mundo de 2018. A vitória de virada premiou a resiliência psicológica, o talento geracional de Modric e Rakitic e provou que o brio coletivo pode perfeitamente dobrar o favoritismo tradicional das potências econômicas do futebol.

Para a seleção da Inglaterra, o desfecho dramático em Moscou representou um baque psicológico devastador e um choque de realidade cruel para uma torcida que já planejava as festas do título em Londres. A eliminação na semifinal escancarou a crônica falta de criatividade da equipe de Gareth Southgate quando obrigada a propor as ações por baixo sem o artifício exclusivo das jogadas de bola parada, deixando o lema "It's Coming Home" guardado na gaveta por mais uma edição. O confronto entrou para os anais da história dos Mundiais modernos como o maior tratado prático de superação física e orgulho competitivo de uma nação, eternizando os nomes de Perisic e Mandzukic na galeria dos heróis imortais do esporte mundial.

Ficha técnica - Croácia 2 x 1 Inglaterra na Copa de 2018

  • Data: Quarta-feira, 11 de julho de 2018
  • Horário: 15:00 (horário de Brasília)
  • Local: Estádio Luzhniki – Moscou, Rússia
  • Árbitro: Cüneyt Çakir (Turquia)
  • Transmissão: Globo

Gols

  • Croácia: Ivan Perisic (68'), Mario Mandzukic (109')
  • Inglaterra: Kieran Trippier (5')

Escalações e substituições de Croácia 2 x 1 Inglaterra na Copa de 2018

Croácia (Técnico: Zlatko Dalic)

  • 23 - Danijel Subasic (G)
  • 2 - Sime Vrsaljko
  • 6 - Dejan Lovren
  • 21 - Domagoj Vida
  • 3 - Ivan Strinic (Saiu aos 95')
  • 11 - Marcelo Brozovic
  • 10 - Luka Modric (C) (Saiu aos 119')
  • 7 - Ivan Rakitic
  • 18 - Ante Rebic 🟨 (96') (Saiu aos 101')
  • 4 - Ivan Perisic
  • 17 - Mario Mandzukic ⚽ 🟨 (48') (Saiu aos 115')

Banco de reservas utilizados:

  • 22 - Josip Pivaric (Entrou aos 95')
  • 9 - Andrej Kramaric (Entrou aos 101')
  • 5 - Vedran Corluka (Entrou aos 115')
  • 19 - Milan Badelj (Entrou aos 119')

Não utilizados: Dominik Livakovic, Lovre Kalinic, Tin Jedvaj, Duje Caleta-Car, Filip Bradaric, Mateo Kovacic, Marko Pjaca.

Inglaterra (Técnico: Gareth Southgate)

  • 1 - Jordan Pickford (G)
  • 2 - Kyle Walker 🟨 (54') (Saiu aos 112')
  • 5 - John Stones
  • 6 - Harry Maguire
  • 12 - Kieran Trippier ⚽
  • 8 - Jordan Henderson (Saiu aos 97')
  • 20 - Dele Alli
  • 7 - Jesse Lingard
  • 18 - Ashley Young (Saiu aos 91')
  • 10 - Raheem Sterling (Saiu aos 74')
  • 9 - Harry Kane (C)

Banco de reservas utilizados:

  • 19 - Marcus Rashford (Entrou aos 74')
  • 3 - Danny Rose (Entrou aos 91')
  • 4 - Eric Dier (Entrou aos 97')
  • 11 - Jamie Vardy (Entrou aos 112')

Não utilizados: Jack Butland, Nick Pope, Alexander-Arnold, Gary Cahill, Phil Jones, Fabian Delph, Loftus-Cheek, Danny Welbeck.

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