Tunísia 0 x 2 Japão na Copa de 2002: donos da casa vencem e passam em primeiro no grupo

Relembre a histórica vitória dos Samurais Azuis que carimbou a classificação.

PorLance!São Paulo (SP)
21/06/2026 06:08
O meia Hidetoshi Nakata corre de braços abertos para celebrar o segundo gol do Japão na vitória por 2 a 0 sobre a Tunísia, consolidando a inédita passagem dos donos da casa para as oitavas de final da Copa. (FIFA)
O meia Hidetoshi Nakata corre de braços abertos para celebrar o segundo gol do Japão na vitória por 2 a 0 sobre a Tunísia, consolidando a inédita passagem dos donos da casa para as oitavas de final da Copa. (FIFA)
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Japão vence a Tunísia por 2 a 0 na Copa de 2002
Classificação para oitavas de final foi histórica para o Japão
Gols marcados por Hiroaki Morishima e Hidetoshi Nakata
Resumo supervisionado pelo jornalista!

A manhã de sexta-feira, 14 de junho de 2002, ficou registrada como um dos momentos mais impactantes, festivos e divisores de águas para a história do esporte no Extremo Oriente. Pela primeira vez na trajetória secular das Copas do Mundo, a FIFA apostava em uma candidatura conjunta, dividindo a organização do megaevento entre o Japão e a Coreia do Sul. Cruzando os gramados do Estádio Nagai, na efervescente cidade de Osaka, a seleção japonesa entrava em campo para medir forças contra a Tunísia pela rodada final do Grupo H. O confronto carregava uma carga dramática e psicológica monumental: os donos da casa precisavam de apenas um empate para sacramentar a inédita classificação para as oitavas de final, um feito que o país jamais havia alcançado em suas participações anteriores no torneio. O Lance! relembra Tunísia 0 x 2 Japão na Copa de 2002.

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A seleção do Japão vinha construindo uma campanha sólida, madura e altamente competitiva sob o comando tático do controverso e exigente treinador francês Philippe Troussier. Conhecido por seu estilo de liderança rígido e pela obsessão com a disciplina no posicionamento defensivo, Troussier montou uma equipe compacta, baseada em uma linha de três zagueiros perfeitamente coordenada e em um meio-campo criativo comandado pelo astro Hidetoshi Nakata. Após arrancarem um empate movimentado por 2 a 2 contra a Bélgica na estreia e baterem a Rússia pelo placar mínimo de 1 a 0, os Samurais Azuis sabiam que aquela era a oportunidade de ouro para presentear o seu torcedor com uma exibição de gala, consolidando a evolução do futebol nipônico perante os olhos do planeta bola.

Do outro lado, a aguerrida seleção da Tunísia chegava à rodada decisiva vivendo uma situação matemática extremamente delicada, mas disposta a lutar até o último segundo pelo orgulho do futebol africano. Sob a orientação técnica do experiente comandante Henri Michel, as Águias de Cartago haviam sofrido um revés contra os russos e arrancado um empate diante dos belgas. Embora as chances de classificação fossem remotas e dependessem de uma complexa combinação de resultados paralelos na outra partida do grupo, o elenco tunisiano ostentava jogadores de excelente vigor físico e imposição defensiva, liderados pela liderança do experiente zagueiro Khaled Badra e pela qualidade técnica do lateral Hatem Trabelsi, prontos para travar o ímpeto dos anfitriões em Osaka.

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O roteiro do confronto no Estádio Nagai desenhou-se como um autêntico teste de paciência e inteligência tática para o Japão. Durante a primeira metade do jogo, a forte barreira defensiva armada por Henri Michel bloqueou com imensa eficiência as principais linhas de passe dos donos da casa, gerando um clima de visível nervosismo nas arquibancadas lotadas. No entanto, a história daquela manhã ensolarada começou a ser reescrita de forma magistral logo nos minutos iniciais da etapa complementar. Através de alterações cirúrgicas promovidas por Troussier no intervalo, o Japão encontrou o brio e a verticalidade necessários para atropelar a Tunísia por 2 a 0, explodindo o país em uma catarse nacional inesquecível e garantindo o topo da tabela do Grupo H com autoridade máxima.

Tunísia 0 x 2 Japão na Copa de 2002

O caldeirão de Osaka: A febre do futebol toma conta do Japão

Os momentos que antecederam o apito inicial em Osaka refletiam o clima de absoluta febre e comoção nacional que tomou conta do Japão durante o mês do Mundial. As arquibancadas do Estádio Nagai foram completamente tomadas por uma massa ensurdecedora de mais de 45 mil torcedores vestidos com as camisas azuis da seleção local, munidos de bandeiras e entoando cantos sincronizados que faziam a estrutura de concreto vibrar. O apoio massivo do público funcionava como um combustível extra para os atletas, mas também injetava uma dose considerável de responsabilidade psicológica: uma eliminação precoce dentro de casa seria classificada como uma tragédia esportiva nacional.

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Philippe Troussier utilizou as preleções anteriores ao embate para exigir foco absoluto de seus comandados, alertando sobre os perigos de jogar pelo regulamento do empate. O treinador francês sabia que a Tunísia utilizaria o seu forte vigor físico na marcação para estragar a festa local e tentar explorar os contra-ataques velozes com Ziad Jaziri. Por essa razão, a manutenção da posse de bola no círculo central através da dinâmica de Junichi Inamoto e Kazuyuki Toda era considerada a chave tática para ditar o ritmo do confronto, desgastando a marcação africana antes de desferir as infiltrações verticais na grande área.

O primeiro tempo: Nervosismo nipônico e a sólida barreira das Águias de Cartago

Quando o árbitro francês Gilles Veissière apitou o início da partida na madrugada brasileira, o desenho tático do jogo apresentou um Japão senhor das ações, mas visivelmente ansioso no momento de desferir o último passe. Os Samurais Azuis mantinham o controle territorial do gramado e trocavam passes rápidos na intermediária através do talento de Shinji Ono e Tomokazu Myojin, mas esbarravam na sólida e perfeitamente organizada linha de marcação montada pela Tunísia. O capitão Khaled Badra e o gigante Radhi Jaïdi formavam uma barreira intransponível na grande área, rechaçando todas as tentativas de cruzamento aéreo direcionadas aos atacantes Atsushi Yanagisawa e Takayuki Suzuki.

A Tunísia mantinha a sua frieza tática e abusava das faltas táticas no meio-campo para quebrar o ritmo veloz desejado pelos donos da casa. Aos 21 minutos da etapa inicial, a intensidade da marcação africana ficou nítida quando o volante Riadh Bouazizi cometeu uma entrada dura para interromper uma arrancada de Hidetoshi Nakata, recebendo o primeiro cartão amarelo do jogo. As Águias de Cartago assustavam esporadicamente nas subidas rápidas do lateral Hatem Trabelsi pelo flanco direito, exigindo atenção redobrada dos zagueiros nipônicos Tsuneyasu Miyamoto e Naoki Matsuda.

A melhor oportunidade do Japão no primeiro tempo nasceu dos pés de Junichi Inamoto, que arriscou um chute potente de longa distância após recolher um rebote da zaga, mas a bola passou raspando a trave do veterano goleiro Ali Boumnijel. Yanagisawa também flertou com o gol em uma jogada de pivô dentro da área, mas finalizou prensado pela marcação de Raouf Bouzaiene. O placar zerado no intervalo refletia com total precisão a eficiência do ferrolho defensivo tunisiano e deixava um clima de visível apreensão nas arquibancadas de Osaka, forçando Philippe Troussier a mexer profundamente nas peças de seu tabuleiro tático.

As cartadas de Troussier: Morishima sai do banco para abrir o caminho

Percebendo que a sua equipe precisava de maior agressividade, velocidade e presença de área para quebrar a resistência da Tunísia, o técnico Philippe Troussier operou duas substituições simultâneas e corajosas logo no intervalo. O comandante francês sacou Junichi Inamoto e o atacante Atsushi Yanagisawa para promover as entradas do ala Daisuke Ichikawa e do experiente atacante Hiroaki Morishima. As mexidas mudaram instantaneamente a dinâmica técnica do Japão, injetando uma voltagem ofensiva asfixiante que pegou a retaguarda africana completamente desprevenida no reinício da partida.

A ousadia tática colheu frutos colossais com apenas três minutos da etapa complementar, desenhando o lance que desencadeou a catarse em Osaka. Aos 3 minutos do segundo tempo, após uma jogada de velocidade puxada pelo flanco direito, a bola foi enfiada na entrada da grande área tunisiana. A zaga da Tunísia falhou coletivamente ao tentar afastar o perigo, e a bola rebateu caprichosamente no corpo de um defensor antes de sobrar limpa na pequena área. Demonstrando um oportunismo cirúrgico, o iluminado Hiroaki Morishima infiltrou-se como um autêntico raio e soltou um petardo de perna direita, estufando o teto da rede do goleiro Ali Boumnijel.

O gol de Morishima explodiu as arquibancadas do Estádio Nagai em uma comemoração monumental que ecoou por todo o arquipélago japonês. O jogador correu em transe em direção à torcida para celebrar o gol que desfazia o fantasma da eliminação e colocava os donos da casa em imensa vantagem na tabela de classificação. Atrás no marcador, a Tunísia foi obrigada a abandonar a sua postura ultra-defensiva e avançar as suas linhas em busca do empate, modificando completamente o panorama emocional do jogo e cedendo imensos espaços para as transições velozes dos Samurais Azuis.

A cabeça de Nakata sela o triunfo e consagra a liderança isolada

Henri Michel buscou reagir imediatamente do banco de reservas tunisiano, promovendo alterações ofensivas com as entradas de Zoubeir Baya na vaga de Melki e do ala Imed Mhedhebi no lugar de Clayton. A Tunísia passou a alçar bolas na grande área japonesa na base do brio e do desespero, tentando explorar a estatura de Radhi Jaïdi em lances de bola parada. No entanto, a sólida e intransponível barreira defensiva comandada pelo capitão Tsuneyasu Miyamoto — que atuava utilizando uma máscara preta de proteção facial devido a uma fratura no nariz — afastava todas as investidas aéreas com extrema segurança e categoria.

Com o controle absoluto das ações táticas no meio-campo através da pegada de Kazuyuki Toda, o Japão encontrou o momento exato para desferir o golpe de misericórdia aos 30 minutos do segundo tempo. Em uma jogada plástica perfeita construída pelo flanco direito, o lateral Daisuke Ichikawa desfilou habilidade ao limpar a marcação de Raouf Bouzaiene e desferiu um cruzamento milimétrico em direção à marca do pênalti. O craque Hidetoshi Nakata infiltrou-se em alta velocidade de forma cirúrgica por trás dos zagueiros e, mesmo sem grande estatura, testou firme e para baixo, vencendo o goleiro Ali Boumnijel para ampliar o placar para 2 a 0.

O gol do maior ícone técnico daquela geração carimbou de forma definitiva o passaporte japonês rumo às oitavas de final. Nakata, exibindo os seus cabelos pintados que ditavam a moda entre os jovens do país, correu para abraçar os companheiros sob os gritos entusiasmados de uma torcida que já iniciava a festa da classificação nas arquibancadas. Nos minutos finais, a Tunísia entregou os pontos físicos e demonstrou descontrole nervoso, evidenciado pelo cartão amarelo recebido por Khaled Badra após falta dura em Morishima aos 36 minutos. Philippe Troussier ainda oxigenou o time promovendo a entrada do meia Mitsuo Ogasawara na vaga de Nakata, administrando o resultado com imensa inteligência até o apito final.

Apoteose em Osaka: Festa nacional e uma classificação histórica do Japão

O apito final do árbitro Gilles Veissière decretou de forma oficial a vitória categórica do Japão por 2 a 0 sobre a Tunísia, selando uma façanha histórica para o esporte do país. Com o triunfo incontestável diante de seu povo, os Samurais Azuis encerraram a primeira fase na liderança absoluta e isolada do Grupo H de forma invicta, somando 7 pontos conquistados, 5 gols marcados e apenas 2 sofridos, deixando a forte seleção da Bélgica na segunda colocação. A classificação inédita para as oitavas de final quebrou barreiras culturais e disparou uma onda de orgulho nacional pelas ruas de Osaka, Tóquio e Yokohama, provando que o plano de desenvolvimento tático montado por Troussier havia atingido a maturidade ideal.

Para a seleção da Tunísia, o revés em Osaka marcou o encerramento de uma participação digna, mas taticamente limitada na Copa do Mundo de 2002. Terminando na lanterna da chave com apenas 1 ponto somado, as Águias de Cartago despediram-se do torneio asiático cientes de que a falta de poder ofensivo e as falhas de concentração na etapa complementar cobraram o preço mais alto diante dos donos da casa. O confronto entrou para os anais da história dos Mundiais modernos como um autêntico tratado de como o banco de reservas e as alterações táticas podem mudar o destino de uma nação, eternizando os nomes de Morishima e Nakata na galeria dos grandes heróis do futebol japonês em todos os tempos.

Ficha técnica - Tunísia 0 x 2 Japão na Copa de 2002

  • Data: Sexta-feira, 14 de junho de 2002
  • Horário: 03:30 (de Brasília)
  • Local: Estádio Nagai – Osaka, Japão
  • Árbitro: Gilles Veissière (França)
  • Público: 45.214 espectadores

Gols

  • Japão: Hiroaki Morishima (48'), Hidetoshi Nakata (75')

Escalações e substituições de Tunísia 0 x 2 Japão na Copa de 2002

Tunísia (Técnico: Henri Michel)

  • 1 - Ali Boumnijel (G)
  • 6 - Hatem Trabelsi
  • 2 - Khaled Badra 🟨 (81')
  • 15 - Radhi Jaïdi
  • 12 - Raouf Bouzaiene (Saiu aos 78')
  • 23 - José Clayton (Saiu aos 61')
  • 13 - Riadh Bouazizi 🟨 (21') (C)
  • 10 - Kaies Ghodhbane
  • 18 - Selim Benachour
  • 21 - Mourad Melki (Saiu aos 46')
  • 5 - Ziad Jaziri

Banco de reservas utilizados:

  • 3 - Zoubeir Baya (Entrou aos 46')
  • 7 - Imed Mhedhebi (Entrou aos 61')
  • 20 - Ali Zitouni (Entrou aos 78')

Não utilizados: Hassen Bejaoui, Ahmed Jaouachi, Emir Mkademi, Hamdi Marzouki, Tarek Thabet, Mohamed Mkacher, Hassen Gabsi, Adel Sellimi, Riadh Jelassi.

Japão (Técnico: Philippe Troussier)

  • 12 - Seigo Narazaki (G)
  • 3 - Naoki Matsuda
  • 17 - Tsuneyasu Miyamoto (C)
  • 16 - Koji Nakata
  • 20 - Tomokazu Myojin
  • 21 - Kazuyuki Toda
  • 5 - Junichi Inamoto (Saiu aos 46')
  • 18 - Shinji Ono
  • 7 - Hidetoshi Nakata ⚽ (Saiu aos 84')
  • 11 - Takayuki Suzuki
  • 13 - Atsushi Yanagisawa (Saiu aos 46')

Banco de reservas utilizados:

  • 22 - Daisuke Ichikawa (Entrou aos 46')
  • 8 - Hiroaki Morishima ⚽ (Entrou aos 46')
  • 19 - Mitsuo Ogasawara (Entrou aos 84')

Não utilizados: Yoshikatsu Kawaguchi, Hitoshi Sogahata, Yutaka Akita, Ryuzo Morioka, Alex Santos, Takashi Fukunishi, Toshihiro Hattori, Masashi Nakayama, Akinori Nishizawa.

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