#LancePelaPaz: comandante do Bepe cobra legislação mais dura para conter onda de violência em torcidas
Tenente Coronel Hilmar Faulhaber defende o enquadramento de criminosos que agendam brigas de torcida como formação de quadrilha para inibir confusões antes e depois de jogos
Para o Tenente Coronel Hilmar Faulhaber, comandante do Batalhão Especializado de Policiamento em Estádios (Bepe) da Polícia Militar do Rio de Janeiro, a legislação brasileira tem margem para se tornar mais rígida em casos de violência envolvendo torcidas organizadas.
Enquanto confusões do tipo no Brasil e no mundo se somam a cada semana, o LANCE! começou a publicar uma série de reportagens e ações nas redes sociais discutindo, denunciando e apontando soluções para o problema. É o #LancePelaPaz.
Em entrevista ao LANCE!, Faulhaber avaliou que o enquadramento de indivíduos que agendam brigas pela internet como formação de quadrilha pode ser uma medida para inibir uma ação que ganha cada vez mais forças, graças à velocidade das redes sociais.
- A nossa sociedade é dinâmica. Então, precisamos de uma atualização de nossa legislação. Hoje, os confrontos são marcados pela internet. Os infratores vão com paus, fogos de artifício, pedras e vários instrumentos para a prática de violência. Acho que nesses casos poderia até ser aplicada até a formação de quadrilha no grupo que fosse preso - opinou o comandante.
- É uma pena mais dura, de um a três anos, podendo se agravar em caso de uso de drogas ou de menor. Isso daria um freio nesses grupos violentos - completou Faulhaber.

O Bepe atua na avaliação de riscos antes, durante e após os jogos, com foco em Flamengo, Vasco, Fluminense e Botafogo. A cada partida, a PM analisa o cenário dos confrontos e de seus envolvidos, e atua para minimizar riscos e evitar o confronto entre as torcidas organizadas fora e no entorno dos estádios. Outra missão é manter um diálogo com os grupos.
- Hoje, nós temos cinco grandes torcidas no Rio de Janeiro que estão banidas dos estádios por atos de violência e temos diversas torcidas que não se envolvem ou raramente se envolvem. E essas que não estão punidas, a gente reúne no Batalhão e faz escolta até o estádio em dias de clássico, as condições de retorno. É todo um cuidado para que não haja novas brigas - explicou, destacando as estratégias do batalhão para preservar um bom ambiente.
- Buscamos sempre colocar os mesmos policiais para fazerem os mesmos deslocamentos das mesmas torcidas. Isso cria um respeito e um bom ambiente para as torcidas frequentarem os estádios.
Ele contou ainda que a preparação de policiais para esse tipo de trabalho envolve a troca de informações com outros estados.
- Temos cursos para policiais que trabalham em estádios. Aqui no Rio de Janeiro, há profissionais de outros estados e vice-versa. Isso serve como uma troca de experiência e conhecimento. Quando uma caravana sai daqui para outro estado, a gente avisa, identifica, assim como informa quem está proibido de ir aos estádios. Temos uma troca muito boa.
O comandante do Bepe faz uma avaliação positiva sobre o trabalho integrado entre as forças de segurança, e diz ver uma luz no fim do túnel em meio à atual onda de violência pelo Brasil.
- Um cenário de paz é alcançável e já acontece. Temos uma integração com os órgãos da Prefeitura, Polícia Civil, Ministério Público, sempre preocupados com a segurança do torcedor. Uma de nossas metas é manter o torcedor seguro, assim como na ida e volta do estádio.
Imagens: Bruno Vaz

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