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Brasileirão 'corre atrás' da Europa por maior tempo de bola rolando; entenda

Superior aos vizinhos sul-americanos, Campeonato Brasileiro segue atrás das principais ligas europeias na estatística

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Mauricio Luz
Rio de Janeiro (RJ)
Dia 25/04/2026
07:13
Taça troféu do Brasileirão Campeonato Brasileiro (5)
imagem cameraTroféu do Brasileirão Série A (Foto: Rafael Ribeiro/CBF)

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O futebol no Brasil é menos jogado que na Europa. É isso que aponta um levantamento do CIES Football Observatory, que compara o tempo de bola rolando das partidas do Brasileirão 2026 com os dados das principais ligas do Velho Continente nesta temporada, antes do início da 13ª rodada neste sábado (25).

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Os jogos da Série A registram cerca de 50% de tempo de bola rolando, índice inferior ao das principais ligas europeias; por outro lado, a média está acima dos demais campeonatos sul-americanos. O dado indica que, em média, apenas metade dos 90 minutos regulamentares é efetivamente disputada.

O estudo comparou cinco ligas da América do Sul — Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Colômbia — com os principais torneios da Europa. Nenhum campeonato sul-americano ultrapassa 50% de bola em jogo, enquanto todos os europeus superam esse patamar, ainda que permaneçam abaixo dos 60% considerados ideais pela Fifa.

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Entre as ligas europeias, a Ligue 1 (França) lidera com 55,9% de tempo efetivo, seguida pela Bundesliga (Alemanha), com 55,5%. Serie A (Itália) e La Liga (Espanha) aparecem com 54,1%, enquanto a Premier League (Inglaterra) registra 53,1%. No Brasil, o índice de 50% representa cerca de 48 minutos de bola rolando em partidas com três minutos de acréscimo, número abaixo dos 51 minutos divulgados pela CBF no último mês.

Bola rolando Brasileirão
Brasileirão está atrás as principais ligas europeias, mas supera os vizinhos sul-americanos em tempo de bola rolando (Arte: Lance!)

Para a ex-árbitra, Renata Ruel, a redução no tempo de bola rolando tem explicação e pode ser resumida em duas palavras: Fair Play ( "jogo justo", traduzido para o português).

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— Apesar das regras serem as mesmas, sempre vi uma diferença cultural na prática. Fair Play não é só devolver a bola depois do adversário parar o jogo para atendimento médico, mas também não fazer cera, não simular uma falta... Na Europa, o Fair Play é mais praticado do que no Brasil. Além disso, aqui os árbitros "picotam" mais os jogos, aceitam mais a cera. As novas regras, para tentar aumentar o tempo de bola em jogo, logo entrarão em vigor e então poderemos ver se serão efetivas e ajudarão nesse quesito que, infelizmente, atrapalha da qualidade do produto futebol — argumenta a especialista.

O levantamento do CIES se soma à queda recente no tempo de jogo no país. De acordo com a IFAB, houve redução de cerca de 6% em relação ao Brasileirão de 2025, refletindo menor dinâmica nas primeiras rodadas da atual edição.

Um dos fatores associados ao menor tempo efetivo está no número de interrupções. Em comparação com a Europa, o Brasileirão lidera em faltas por jogo, com média de 27,3, acima de ligas como Serie A (25,6), La Liga (25,1) e Premier League (21,6). O campeonato brasileiro também apresenta a maior média de cartões por partida, com 4,9, o que contribui para paralisações frequentes.

Faltas por jogo Brasileirão
Brasileirão tem média de faltas por jogo superior às principais ligas da Europa (Arte: Lance!)

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Em entrevista ao Lance! em outubro do ano passado, o meia espanhol Saúl Ñíguez relacionou o pouco tempo de bola rolando no Brasil com o nível da arbitragem. Para o jogador do Flamengo, os árbitros europeus "deixam o jogo fluir" mais que os brasileiros.

— Especialmente na arbitragem, é tudo muito, muito diferente lá. Muito diferente. E o nível aqui é muito mais baixo do que na Europa inteira. Não na Espanha, porque na Espanha também não digo que sejam os melhores árbitros, mas na Europa, na Champions, na Inglaterra, os árbitros deixam o jogo fluir, deixam o jogo ser melhor — apontou Saúl.

Outro fator que ajuda a explicar o pouco tempo de bola rolando é a atuação do VAR. No Brasileirão de 2025, o tempo médio por intervenção do árbitro de vídeo foi de 1 minuto e 40 segundo, um aumento de 9% em relação à temporada anterior, segundo o portal "Ge". O tempo recomendado pela Fifa é de 1 minuto e 15 segundos.

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CBF tem plano para aumentar o tempo de bola rolando

A comissão de arbitragem da CBF trata o aumento do tempo de bola rolando como prioridade. A entidade iniciou a adoção de diretrizes da IFAB para reduzir interrupções, como limite de cinco segundos para reposições em laterais, tiros de meta e faltas.

Outra medida é o sistema multibolas para reposição, com suportes ao redor do campo para acelerar o reinício das jogadas. A CBF também estuda estabelecer prazos para substituições e punições para atrasos, como a possibilidade de marcação de escanteio em caso de demora excessiva em tiros de meta, assim como é feito na regra dos oito segundos para reposição do goleiro com a bola em jogo.

As ações buscam aproximar o tempo efetivo do futebol brasileiro ao padrão internacional e reduzir o impacto das interrupções no andamento das partidas.

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