Da candidatura à contagem regressiva: relembre os acontecimentos que marcaram o futebol feminino brasileiro até a Copa de 2027
Entre avanços estruturais, mudanças na Seleção Brasileira, novas competições e a preparação do país para receber o primeiro Mundial feminino da América do Sul

A escolha do Brasil como sede da Copa do Mundo Feminina de 2027 não representou apenas a conquista do direito de receber o principal torneio da modalidade. Desde a oficialização da candidatura, em 2023, o futebol feminino nacional passou por uma série de mudanças estruturais, administrativas e esportivas que aceleraram seu desenvolvimento.
Entre novas competições, investimentos em base, reformulações na Seleção Brasileira, fortalecimento institucional e a preparação do país para receber o primeiro Mundial feminino da história da América do Sul, a modalidade, que foi proibida por 38 anos, vive o período mais proeminente no país.
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14 de abril de 2023 — CBF oficializa candidatura do Brasil para sediar a Copa do Mundo Feminina de 2027
O processo que culminaria na escolha do Brasil como sede da Copa do Mundo Feminina de 2027 teve início oficialmente em abril de 2023, quando a CBF formalizou junto à Fifa sua candidatura para receber o torneio. A iniciativa foi apresentada pela gestão de Ednaldo Rodrigues como parte de um projeto mais amplo de fortalecimento da modalidade no país, utilizando a infraestrutura esportiva já existente e o legado de grandes eventos internacionais para sustentar a proposta.
1º de setembro de 2023 — Arthur Elias assume a Seleção Brasileira
Meses após a eliminação do Brasil ainda na fase de grupos da Copa do Mundo da Austrália e Nova Zelândia, a CBF iniciou um novo ciclo ao anunciar Arthur Elias como treinador da Seleção Brasileira Feminina. Multicampeão pelo Corinthians, o técnico chegou com a missão de recolocar o Brasil entre as principais potências do futebol mundial e conduzir o projeto que teria como grande objetivo a Copa do Mundo de 2027. Sua contratação representou uma mudança de rumo dentro da modalidade, aproximando a seleção de metodologias já consolidadas no cenário nacional e estabelecendo uma base para o trabalho que seria desenvolvido ao longo do ciclo até o Mundial em casa.

20 de março de 2024 — Cris Gambaré assume coordenação das Seleções Femininas
Poucos meses antes da confirmação do Brasil como sede da Copa do Mundo, a CBF promoveu uma das mudanças mais importantes de sua estrutura ao anunciar Cris Gambaré como coordenadora técnica das Seleções Femininas. Após liderar a transformação do Corinthians em uma potência continental, a dirigente passou a ser responsável pelo planejamento estratégico de todas as categorias da seleção brasileira. A chegada de Gambaré fortaleceu a integração entre base e equipe principal, ampliou a organização dos ciclos de convocação e ajudou a consolidar um projeto de longo prazo voltado para a preparação da Copa de 2027.

17 de maio de 2024 — Brasil é escolhido como sede da Copa do Mundo Feminina de 2027
Pouco mais de um ano após a formalização da candidatura, o Brasil foi confirmado pela Fifa como país-sede da Copa do Mundo Feminina de 2027 durante congresso realizado em Bangkok, na Tailândia. A candidatura brasileira superou a proposta conjunta de Alemanha, Bélgica e Holanda e garantiu à América do Sul o direito de receber pela primeira vez a principal competição do futebol feminino. A escolha foi respaldada pela avaliação técnica da Fifa, que atribuiu ao projeto brasileiro a melhor nota entre os concorrentes, além do entendimento de que a expansão geográfica do torneio seria importante para o desenvolvimento global da modalidade. O anúncio foi celebrado por dirigentes, ex-jogadoras e atletas da seleção brasileira presentes na comitiva.
7 de maio de 2025 — Fifa define as oito cidades-sede da Copa do Mundo
A escolha de Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo como cidades-sede marcou uma das etapas mais aguardadas da preparação para o Mundial.
Agosto de 2024 — Seleção Brasileira conquista a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Paris
Um dos marcos mais importantes do ciclo rumo à Copa do Mundo de 2027 aconteceu nos Jogos Olímpicos de Paris. Sob o comando de Arthur Elias, a Seleção Brasileira Feminina voltou a uma final olímpica após 16 anos e conquistou a medalha de prata ao terminar a competição como vice-campeã, repetindo os resultados de 2004 e 2008. A campanha, construída com vitórias marcantes sobre França e Espanha no mata-mata, recolocou o Brasil entre as principais forças do futebol feminino mundial e ajudou a impulsionar o interesse do público pela modalidade às vésperas da realização do Mundial em casa.

2024 e 2025 — Estrutura nacional é ampliada e futebol feminino ganha novas competições
Paralelamente à preparação da seleção, o futebol feminino brasileiro passou por avanços significativos em sua estrutura competitiva. Ainda na gestão de Ednaldo Rodrigues, a criação da Série A3 do Campeonato Brasileiro - em 2021 - ampliou o alcance nacional da modalidade e abriu espaço para novos clubes.
A criação da Supercopa do Brasil Feminina, em 2022, também contribuiu para a valorização da modalidade ao oferecer uma competição de destaque no início da temporada. Disputada inicialmente por oito equipes em formato mata-mata, a competição passou por reformulação em 2026 e passou a reunir, em jogo único, as campeãs do Campeonato Brasileiro e da Copa do Brasil
Em 2025, a retomada da Copa do Brasil Feminina devolveu ao calendário uma competição histórica e aumentou o número de partidas ao longo da temporada. As mudanças vieram acompanhadas de ajustes no calendário das categorias de base, oferecendo maior estabilidade para atletas, clubes e federações em um momento considerado decisivo para o crescimento da modalidade.

18 de novembro de 2025 — Governo cria comitê gestor e câmaras temáticas para a Copa
A preparação do país para receber o Mundial ganhou contornos institucionais com a criação do Comitê Gestor da Copa do Mundo Feminina de 2027. O grupo passou a reunir mais de vinte órgãos do governo federal e estabeleceu oito câmaras temáticas responsáveis por áreas estratégicas como segurança, transporte, tecnologia, regime fiscal, imigração e questões jurídicas.
2 de dezembro de 2025 — Fifa e governo avançam na construção do legado da Copa
Poucas semanas após a instalação do comitê gestor, representantes da Fifa e do governo brasileiro se reuniram em Brasília para discutir os próximos passos da organização do Mundial. O encontro consolidou a estrutura de governança da competição e avançou em temas como infraestrutura, legislação e legado social. Pela primeira vez, o debate sobre a Copa extrapolou os aspectos esportivos e passou a incluir políticas públicas voltadas para participação feminina, desenvolvimento de base e ampliação do acesso ao esporte, reforçando a dimensão transformadora que a competição pode ter para o país.
8 de dezembro de 2025 — FIFA projeta Mundial histórico para o futebol feminino
Em visita ao Brasil, a diretora de futebol da FIFA, Jill Ellis, classificou a Copa do Mundo de 2027 como a maior e mais competitiva da história da modalidade. A bicampeã mundial pelos Estados Unidos destacou, em entrevista exclusiva ao Lance!, o crescimento técnico das seleções, a força da cultura futebolística brasileira e o potencial de impacto da primeira edição realizada na América do Sul.
20 de janeiro de 2026 — Formiga assume diretoria de futebol feminino no Ministério do Esporte
Uma das maiores referências da história da modalidade, Formiga passou a ocupar papel de destaque também fora dos gramados ao assumir a Diretoria de Políticas de Futebol e de Promoção do Futebol Feminino do Ministério do Esporte.
25 de janeiro de 2026 — Lançamento da marca da Copa gera debate sobre representatividade
O lançamento oficial da marca da Copa do Mundo Feminina de 2027, realizado em Copacabana, no Rio de Janeiro, marcou o início da contagem regressiva para o torneio, mas também provocou debates sobre a representatividade feminina no evento. A cerimônia contou com a presença de dirigentes, autoridades e campeões mundiais do futebol masculino, enquanto apenas Formiga e Cristiane discursaram entre as mulheres. A repercussão levou a discussões sobre a necessidade de dar maior protagonismo às pioneiras e protagonistas do futebol feminino em ações ligadas ao Mundial, reforçando um tema que acompanharia a preparação do país para a competição.

Abril de 2026 — Brasil conquista a Fifa Series em Cuiabá
A Seleção Brasileira levantou o troféu da FIFA Series disputada em Cuiabá ao terminar a competição de forma invicta diante de adversários como Canadá, Coreia do Sul e Zâmbia. Além do título, o torneio teve importância estratégica por ser um dos primeiros grandes eventos internacionais realizados no país dentro da preparação para 2027. A competição também serviu para testar estruturas organizacionais, aproximar a seleção do torcedor brasileiro e fortalecer a cultura de eventos internacionais de futebol feminino em território nacional.

15 de abril de 2026 — Fifa divulga centros de treinamento da Copa do Mundo
A organização da Copa entrou em uma nova fase com a divulgação do catálogo oficial de centros de treinamento que estarão à disposição das seleções participantes. Após mais de um ano de inspeções em dezenas de cidades brasileiras, a FIFA selecionou estruturas espalhadas por diferentes regiões do país, reforçando a proposta de descentralizar o torneio e ampliar seu alcance nacional. Confira todos os CT's aqui.
20 de abril de 2026 — Aline Pellegrino assume cargo executivo na FIFA
Ex-capitã da Seleção Brasileira e gerente de competições femininas, Aline Pellegrino foi nomeada diretora executiva de legado e relações institucionais da FIFA para a Copa do Mundo de 2027.

2 de junho de 2026 — Lula sanciona Lei Geral da Copa do Mundo Feminina de 2027
O presidente Lula sancionou a lei 15.421/2026, que estabelece regras e arcabouço jurídico para a competição. O texto prevê facilitação da entrada de delegações e torcedores estrangeiros no país, regras especiais para venda e revenda de ingressos, proteção reforçada às marcas da FIFA, restrições comerciais no entorno dos estádios e normas específicas para transmissão dos jogos. A legislação também autoriza a criação de feriados em dias de partidas da Seleção Brasileira, permite a adequação do calendário escolar ao período da competição, estabelece protocolos nacionais de segurança e define responsabilidades do governo federal na organização do evento. Entre as medidas de legado, a lei ainda prevê uma homenagem financeira às pioneiras da Seleção Brasileira que disputaram a primeira Copa do Mundo Feminina, em 1991, reconhecendo a contribuição da geração que ajudou a construir a história da modalidade no país.
6 de junho de 2026 — Fifa projeta receita recorde para a Copa do Mundo Feminina
A Fifa projeta que a Copa do Mundo Feminina de 2027, que será realizada no Brasil, alcance uma receita total de US$ 1 bilhão. A estimativa foi apresentada pela diretora de futebol da entidade, Jill Ellis, durante entrevista ao ex-jogador de beisebol Alex Rodriguez, nos Estados Unidos.
Junho de 2026 — Amistosos contra os Estados Unidos mostram força da Copa antes mesmo do Mundial
A menos de um ano da Copa do Mundo Feminina, a Seleção Brasileira confirmou o crescimento do interesse do público pela modalidade ao reunir grandes audiências nos dois amistosos contra os Estados Unidos.
Na Neo Química Arena, em São Paulo, mais de 33 mil torcedores acompanharam a vitória brasileira por 2 a 1, enquanto a partida disputada na Arena Castelão, em Fortaleza, estabeleceu um novo recorde para amistosos da Seleção Feminina no país, com 55.744 espectadores presentes.

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