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'Caminho certo antes da velocidade': a filosofia da Squadra 13 para guiar promessas do futebol feminino

Andrea Sucupira conta história da agência responsável por Gi Fernandes, do Corinthians, e Laura Valverde, do Red Bull Bragantino, e outras atletas

PorGiselly Correa BarataSão Paulo (SP)
31/07/2026 12:00
Andrea Sucupira e Gi Fernandes, jogadora do Corinthians que é agenciada pela Squadra 13. (Acervo pessoal)
Andrea Sucupira e Gi Fernandes, jogadora do Corinthians que é agenciada pela Squadra 13. (Acervo pessoal)

A relação de Andrea Sucupira com o futebol reflete a resiliência de uma geração de mulheres que cresceu no Brasil sob a vigência da proibição legal do esporte para o público feminino. Nascida em 1972, Andrea vivenciou a infância sem a oportunidade de atuar em quadras escolares ou de escolher a modalidade.

A aproximação definitiva com os bastidores do futebol ocorreu anos mais tarde, ao acompanhar a trajetória de um dos seus filhos nas categorias de base do São Paulo Futebol Clube. Vivenciando o ambiente de arquibancada e convivendo com famílias de jovens atletas, Andrea, que é advogada por formação com mais de três décadas de experiência corporativa, viu a falta de transparência e o desamparo jurídico que marcavam o início da carreira de muitas promessas esportivas.

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Decidida a transformar o cenário e conectar a paixão da infância à sua bagagem técnica, Andrea buscou especialização de elite no Brasil e no exterior. Concluiu o MBA em Gestão do Esporte pela Universidade de São Paulo (USP), realizou especialização em agenciamento na Universidade de Lisboa e obteve a certificação de agente de jogadores pela CBF Academy. Em 2021, fundou a Squadra 13 (cuja denominação une a paixão pelo futebol italiano ao seu número de sorte), iniciando as operações oficiais em 2022 com a premissa de oferecer um agenciamento ético, seguro e verdadeiramente estruturado.

Hoje, a Squadra 13 conta com um elenco exclusivo de 20 atletas e duas treinadoras, com uma equipe multidisciplinar de cinco profissionais. O modelo da agência fundamenta-se em três pilares centrais: suporte jurídico direto e especializado, medicina e prevenção em fisioterapia (com clínica própria em parceria) e planejamento estratégico de carreira de longo prazo. Possuidora da licença Fifa, inclusive para atuar com menores de idade, Andrea Sucupira falou ao Lance! sobre o amadurecimento do mercado, os desafios de transferência internacional e as metas para a consolidação da modalidade no Brasil.

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Esta reportagem integra uma série especial do L! sobre o mercado de transferências no futebol feminino. Ao longo das próximas publicações, serão apresentados agentes, empresas e profissionais que atuam nas negociações de atletas, além de discutir o funcionamento desse mercado, seus desafios e as oportunidades que impulsionam o crescimento da modalidade.

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Entrevista com Andrea Sucupira, da Squadra 13

Gostaria que você me falasse um pouco sobre a Squadra 13, como iniciaram o trabalho e como você se formou e direcionou seus estudos para atuar no gerenciamento de carreira.

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Andrea Sucupira (Squadra 13): Eu venho de uma geração em que o futebol feminino era proibido por lei no Brasil. Sou de 1972, nasci sob a proibição que só foi revogada em 1979 e regulamentada em 1983. Sempre fui apaixonada por futebol, jogava bola com meus dois irmãos, mas não podia jogar no recreio da escola.

Quantas atletas e profissionais vocês têm no portfólio atualmente? E como é a estrutura do staff da Squadra 13?

Andrea Sucupira: Hoje temos 20 atletas e duas treinadoras. Nosso staff é composto por cinco pessoas. Eu possuo as licenças de agente da CBF e da FIFA, sendo responsável pelas intermediações e contato direto com os clubes. Temos o apoio de análise técnica e mapeamento de mercado internacional com o Felipe, que fica alocado na Itália e faz análises pré e pós-jogos com as atletas.

3. Lance!: Como funciona na prática a metodologia de Planejamento de Carreira da Squadra 13 com as atletas?

Andrea Sucupira: Sempre começo com a seguinte frase para minhas atletas: "O que importa é o caminho certo, não a velocidade". Minha experiência de mais de 30 anos no meio jurídico empresarial me ensinou que é preciso planejamento e clareza de onde se quer chegar, sem atropelar etapas.

Lance!: Como é o relacionamento da Squadra 13 com os clubes e diretorias no Brasil e no exterior? Você percebe maior profissionalização desde 2022?

Andrea Sucupira: O networking é essencial, mas, acima de tudo, o relacionamento é construído com as pessoas e diretorias dos clubes. Há uma rotatividade imensa de gestoras entre equipes (Inter, Cruzeiro, Grêmio, etc.), por isso mantenho contato constante e pautado na ética e transparência.

Lance!: O que muda no mercado e nas sondagens internacionais quando uma atleta da agência é convocada para a Seleção Brasileira? Vocês vivenciaram isso com a Gi Fernandes?

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Andrea Sucupira: A Gi Fernandes já vinha com histórico na base das Seleções de jovens, então havia um afunilamento natural. Quando a atleta chega à Seleção Principal, o nome dela ganha outra prateleira no mercado global.

6. Lance!: Você possui a licença de agente pela CBF ou pela FIFA? Como funciona a exigência para trabalhar com atletas menores de idade?

Andrea Sucupira: Tenho a licença de intermediária da CBF (desde 2022) e a licença oficial de agente da FIFA, obtida após a aprovação no exame internacional em 2023. Além disso, possuo a certificação específica da Fifa para a Salvaguarda e Trabalho com Menores de Idade.

Lance!: Qual a sua avaliação sobre os custos de manutenção da licença FIFA e a diferença do mercado feminino para o masculino?

Andrea Sucupira: A prova da Fifa é extremamente rígida e densa: exige estudo de mais de 600 páginas de legislação desportiva em língua estrangeira, com tempo limitado e exigência alta de acertos. Para manter a agência regularizada, pagamos uma taxa anual de $ 600 dólares à FIFA em setembro, além do seguro anual e taxas da CBF.

Lance!: Como você enxerga as disparidades regionais no Brasil, especialmente a concentração de investimentos em São Paulo em comparação ao Rio de Janeiro e outros estados?

Andrea Sucupira: Em São Paulo, o futebol feminino é um esporte consolidado e estruturado. Quando saímos de São Paulo, a realidade é muito diferente. No Rio de Janeiro, apesar do discurso de tornar a cidade a "capital do futebol feminino", a realidade dos clubes cariocas ainda enfrenta muitas dificuldades.

10. Lance!: Onde você quer que a Squadra 13 esteja daqui a 8 anos? Qual é o planejamento de longo prazo da agência para o futebol feminino?

Andrea Sucupira: Quero que a Squadra 13 continue sendo uma referência de ética, profissionalismo e fortalecimento da base. Lutamos diariamente contra condições precárias no futebol. Já vi experiências exploratórias em que atletas jogavam apenas por comida - cenários que beiram o trabalho análogo à escravidão.

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