Arthur Elias amplia observações em Itu e mantém aberta a disputa por vagas na Copa do Mundo de 2027
29 atletas estão no interior paulista para período de treinamentos fora da data Fifa

A etapa de treinamentos da Seleção Brasileira Feminina em Itu tem servido como mais um capítulo do processo de construção da equipe que disputará a Copa do Mundo de 2027, no Brasil. Aproveitando a pausa no calendário de clubes durante a disputa do Mundial masculino, Arthur Elias reuniu um grupo formado por atletas experientes, jogadoras que retornaram ao radar da seleção e jovens promessas para uma semana de atividades voltadas à observação individual e ao fortalecimento da identidade de jogo da equipe.
A treinadora Camilla Orlando, do sub-20, e Bia Vaz, além de membros de suas comissões, estiveram presentes nos primeiros três dias de treinos no interior paulista. Arthur Elias fez um balanço positivo dos primeiros dias de trabalho e destacou que a convocação teve como principal objetivo analisar mais de perto atletas que ainda não haviam recebido oportunidades na seleção principal, além de acompanhar o desenvolvimento de jogadoras que vêm se destacando em seus clubes.
— Tem sido dias muito proveitosos aqui. O objetivo da convocação é a gente pegar um período que muitos clubes estão em recesso e conseguir observar de mais perto algumas jogadoras que a gente não havia convocado ainda para a seleção brasileira, jovens jogadoras. O retorno de algumas jogadoras que estão atuando bem pelos seus clubes. Ou seja, mais uma etapa de treinamentos com oportunidade para jogadoras que merecem — afirmou.
Arthur revelou que, logo no primeiro encontro com o grupo, deixou claro às atletas que a convocação não tem caráter apenas experimental. Segundo ele, todas as jogadoras presentes em Itu estão sendo avaliadas como possíveis integrantes da lista final para a Copa do Mundo.
— Todas elas que estão aqui, e eu disse isso a elas no primeiro dia, estão no radar para a Copa do Mundo. Dar a oportunidade, observar jogadoras que a gente vê com potencial de estar entre as 26 jogadoras da Copa do Mundo do ano que vem. Elas estão trabalhando super bem, a integração está ótima.
O treinador destacou ainda que o ambiente criado durante a semana tem sido um dos pontos positivos do período de preparação. Para ele, a convivência e a adaptação ao modelo de jogo são fatores tão importantes quanto o desempenho técnico.
— Estou muito satisfeito, muito contente pelo ambiente e pela qualidade desses três dias de treinamento.
Resultado do coletivo desta quarta-feira (17): Time com colete 3 x 2 Time sem colete
- Time sem colete: Nicole (Kemelli); Antônia, Isa Haas e Vitória Calhau; Raissa Bahia, Andressa Alves, Kaylane e Ivana Fuso; Evelin, Gio e Priscila.
- Time com colete: Camila (Morganti); Kathellen, Tayla e Serrana; Jaque, Clarinha, Luany e Yaya; Geyse, Jhonson e Adriana.
- Ausências: Ana Vitória, Fê Palermo e Marília não participaram da atividade em campo por controle de carga.
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Jovens do sub-20 ganham espaço e reforçam concorrência
Entre as atletas observadas com atenção especial pela comissão técnica estão algumas das principais promessas da seleção sub-20. Nomes como Evelin, Clarinha e Kaylane receberam oportunidades ao longo da semana e participaram ativamente do coletivo realizado nesta quarta-feira.
Arthur explicou que a presença das jovens não ocorre apenas para que sejam observadas visando o futuro. Na visão do treinador, elas já possuem qualidade suficiente para competir por espaço na equipe principal.
— Em relação às jogadoras mais jovens da sub-20, é o mesmo contexto. Não é questão só de observar. Elas são, independentemente da idade, excelentes jogadoras e podem, em um ano, crescer bastante também.
A atacante Evelin foi uma das atletas que mais chamou atenção durante o coletivo. Atuando pelo time sem colete, mostrou personalidade nos duelos individuais, principalmente contra Kathellen, e marcou um dos gols da atividade. Clarinha também balançou as redes ao converter uma cobrança de pênalti, enquanto Kaylane participou da movimentação ofensiva da equipe e apareceu bem na construção das jogadas.
Arthur citou ainda a importância de criar um ambiente que permita às atletas mais jovens demonstrarem seu potencial sem pressão excessiva.
— Eu acredito em muitas jogadoras. Acho que a gente tem muito talento, uma concorrência grande, e o que nós precisamos é nos fortalecer, nos encorajar como seleção, uma unidade muito forte e que essas jogadoras possam, mesmo na primeira convocação, se sentirem bem para mostrar o melhor delas.
Entre as estreantes do período, outra atleta que recebeu elogios públicos do treinador foi Serrana, novidade na convocação. A jogadora participou dos treinamentos pelo time com colete e vem deixando boa impressão à comissão técnica.
— Estou gostando muito dela. Tem feito treinos muito bons, é uma jogadora muito focada, com muitos recursos técnicos e que está entendendo muito rápido a forma com que a gente joga, o nosso modelo de jogo.
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Paloma Maciel sofre torção e passará por exames
A única preocupação médica do período envolve Paloma Maciel. A meio-campista sofreu uma torção durante uma atividade e será submetida a exames para avaliar a gravidade da lesão. Arthur Elias afirmou que ainda não há diagnóstico fechado, mas demonstrou preocupação diante das recentes baixas registradas pela seleção.
— Ela vai fazer um exame. Houve uma torção ali, acho que no joelho direito. Vamos torcer para que não seja nada demais. Recentemente tivemos situações com a Dudinha e com a Yasmim.
Apesar do susto, o treinador ressaltou que Paloma vinha realizando bons treinamentos e espera vê-la recuperada o mais rápido possível.
— A Paloma também tem treinado muito bem. Espero que não seja nada tão grave e que ela possa, se não voltar aos treinamentos comigo, chegar bem ao Cruzeiro.
As ausências de Ana Vitória, Fê Palermo e Marília, por outro lado, não preocupam a comissão técnica. As três permaneceram fora das atividades em campo apenas por controle de carga.
— O nosso objetivo aqui é fazer com que elas saiam muito orgulhosas, felizes com esse momento com a seleção, com aprendizados, identificação com o modelo e com a nossa identidade. Mas que voltem muito bem para os clubes em todos os aspectos. Então temos esse cuidado de controle de carga.
Itu agrada Arthur Elias e comissão técnica
Outro aspecto elogiado por Arthur Elias foi a estrutura oferecida pelo centro de treinamento utilizado pela seleção em Itu. O treinador lembrou que o local já recebeu equipes femininas da CBF em outros momentos e destacou a tranquilidade proporcionada pelo ambiente.
— É um espaço que eu já conheço há muitos anos. A seleção feminina já esteve aqui quando teve a seleção permanente. É um espaço ótimo, que nos traz muita paz, boas acomodações e dois campos de qualidade.
Embora a Granja Comary continue sendo considerada a principal casa da seleção brasileira, Arthur acredita que locais como Itu são importantes para proporcionar boas experiências às atletas durante as convocações.
— A Granja é a nossa casa, maravilhosa, mas aqui também estamos sendo super bem recebidos e isso está ajudando muito no trabalho.
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Ciclo entra em nova fase rumo à Copa do Mundo
Com pouco mais de um ano até o Mundial de 2027, Arthur Elias indicou que a seleção começa a entrar em uma etapa de maior consolidação. O treinador afirmou que seguirá promovendo oportunidades, mas que as mudanças radicais entre convocações devem diminuir gradativamente.
— Vai ter mudanças, é natural. Mas não serão mais mudanças radicais de 15 ou 17 jogadoras diferentes entre uma convocação e outra. As oportunidades vão seguir sendo dadas, mas a partir do momento em que temos essa sequência conseguimos trazer um pouco mais de consistência.
Segundo o comandante, o objetivo agora é construir uma base cada vez mais identificada com os conceitos da equipe para chegar ao período final de preparação com um grupo mais consolidado.
— Queremos encerrar esse ciclo até a lista final com identificação com a seleção, com o modelo de jogo e com a execução em níveis altos de confronto. Também entendendo que vamos treinar situações específicas para a Copa do Mundo quando fecharmos essas 26 jogadoras.
Apesar da evolução do processo, Arthur evitou apontar nomes garantidos no Mundial.
— Garantida é muito difícil. É cedo porque em um ano podem acontecer muitas coisas no futebol. Não dá para garantir ninguém. Mas é óbvio que tem jogadoras que, pelo que já fizeram e pelo que já nos ajudaram, estão mais próximas. Isso é natural.

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