Segurança interna dos EUA confirma permissão para Irã passar noite no país
Governo americano flexibiliza permanência, mas diz que medidas de segurança permanecem

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A guerra, por ora suspensa no Estreito de Ormuz, reverbera na Copa do Mundo que acontece nos Estados Unidos, além de México e Canadá. Desde o início da competição, a relação entre Irã e o país-sede tem sido de tensão e troca de farpas, com sérias restrições, inclusive esportivas, para a seleção do Golfo Pérsico. Mas, em meio a negociações entre governos, haverá um gesto de alívio por parte do Departamento de Segurança Interna (DHS, ou Department of Homeland Security, na sigla em inglês).
O órgão confirmou ao Lance! que a seleção iraniana poderá entrar em território americano com dois dias de antecedência para a partida de sábado, contra o Egito, que encerra a fase de grupo para ambas as equipes. Questionado pela reportagem sobre possíveis mudanças de logística para a partida em meio a negociações de paz, um porta-voz do DHS respondeu:
— Para a terceira partida da seleção iraniana em Seattle, no dia 26 de junho, a equipe foi autorizada a entrar nos EUA dois dias antes do jogo. A seleção iraniana ainda deverá deixar o país no dia do término da partida. As medidas e protocolos de segurança gerais permanecem os mesmos. Continuamos comprometidos em proporcionar o torneio mais seguro possível para jogadores, equipe técnica e torcedores..
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A decisão do governo americano passa por uma repercussão ruim do tratamento dado aos iranianos, que tiveram de trocar sua sede de treinos de Tucson, no Arizona, para Tijuana, no México, por conta de uma proibição de que passassem a noite em solo estadunidense. Não somente isso, mas a proibição de entrada para diversos torcedores, jornalistas e até mesmo membros da delegação iraniana na Copa, sob alegação de ligações diretas com a Guarda Revolucionária Iraniana (IRGC, na sigla em inglês) — braço econômico e de elite militar do governo, que tem forte ligação com o esporte no país. O governo dos EUA considera a IRGC uma organização terrorista.
— A maioria dos indivíduos tem ligação direta com a IRGC. Estamos sediando a Copa do Mundo e temos o time do Irã disputando a competição. A maioria das delegações viaja com cerca de 120 pessoas. São seus funcionários de suporte, médicos, técnicos, todos os que participam da delegação. Aceitamos 53 pessoas entrando na delegação do Irã. O restante também tinha ligações diretas com a IRGC em seu grupo de viagem. Infelizmente, é um adversário no qual não se pode confiar, e ninguém sabe disso melhor do que o presidente Trump. Tudo o que fizermos será verificado, e não pressuposto — disse Markwayne Mullin, secretário de Segurança Nacional dos EUA, à emissora Fox News.

Em comunicado, a Federação Iraniana de Futebol refutou as afirmações de Mullin. A entidade disse que "condena veementemente as declarações feitas por Markwayne Mullin, Secretário de Segurança Interna dos EUA, a respeito do Presidente da Federação Iraniana de Futebol e de membros da delegação oficial da seleção nacional, e as considera uma série de 'alegações falsas, fabricadas e inteiramente infundadas'", referindo-se às afirmações de ligação desses dirigentes com a Guarda Revolucionária.
Houve intensa troca de farpas desde antes do início da competição. Recentemente, o técnico do Irã, Amir Ghalenoei, afirmou que foi feita uma representação na Fifa alegando que a seleção é a mais maltratada da competição. Após a partida contra a Nova Zelândia, ele afirmou:
— Isso nos afeta psicologicamente. A Fifa está fazendo o possível, mas não quer dizer que consiga.
A delegação iraniana ainda deixou uma mensagem no vestiário do estádio em Los Angeles, agradecendo a hospitalidade da cidade. Diz um trecho da mensagem, que também agradeceu aos torcedores iranianos: "Da antiga Pérsia de milhares de anos atrás ao Irã civilizado de hoje, o espírito do Irã permanece vivo e inabalável".
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