Invicto, Japão aposta em organização para desafiar o Brasil na segunda fase
Equipes se enfrentam na próxima segunda-feira

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O Brasil terá pela frente na próxima segunda-feira (29), uma seleção que chega à segunda fase decisiva da Copa do Mundo sem derrotas e com uma identidade de jogo bastante consolidada. Vice-líder do Grupo F, o Japão avançou após empatar por 1 a 1 com a Suécia em Dallas e, pela primeira vez em sua história, encerrar uma fase de grupos invicto em Mundiais.
Em três partidas, a equipe comandada por Hajime Moriyasu somou uma vitória, sobre a Tunísia e dois empates, com Suécia e Holanda. Marcou sete gols e sofreu apenas três. O desempenho ofensivo chama atenção: média de 2,3 gols por jogo, uma grande chance convertida a cada duas criadas e necessidade de apenas 4,1 finalizações para balançar as redes. Na prática, trata-se de um time que costuma transformar boa parte das oportunidades em gols.
Saiba o desempenho do Japão em fases de mata-mata nas Copas
Eficiência no ataque e equilíbrio na defesa
Ao longo da primeira fase, o Japão mostrou equilíbrio raro entre ataque e defesa. Sofreu apenas uma grande chance clara em três jogos, passou um terço da campanha sem ser vazado e precisou de 7,7 finalizações adversárias para sofrer um gol. Também manteve 51,3% de posse de bola, sinal de que não depende exclusivamente de transições rápidas para controlar as partidas. Quando tem espaço para construir, procura manter a circulação da bola até encontrar a movimentação certa entre as linhas.
Esse padrão aparece na estrutura tática. O sistema com três zagueiros e alas bastante participativos dá amplitude ao ataque, enquanto os homens de frente alternam posições o tempo todo. Os atacantes que atuam mais por dentro abrem corredores para as ultrapassagens dos alas e também atacam os espaços deixados pelo centroavante quando ele recua para participar da construção.

No meio-campo, Daichi Kamada funciona como uma das referências técnicas da equipe. Foi o jogador que mais recebeu passes em posições vantajosas e também quem mais distribuiu bolas durante a partida contra a Suécia, refletindo seu papel como articulador.
A organização coletiva talvez seja o principal trunfo japonês neste momento da competição. O time parece confortável dentro do próprio modelo e executa movimentos repetidos à exaustão, o que reduz a dependência de ações individuais. Não se trata de uma seleção repleta de estrelas, mas de uma equipe que joga de maneira coordenada e oferece poucos espaços sem a bola.
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Um empate que valeu a classificação
O empate diante da Suécia resumiu bem esse perfil. O Japão entrou em campo sabendo que um ponto bastava para garantir a classificação entre os dois primeiros colocados. Desde os minutos iniciais, assumiu o controle da posse, circulou a bola no campo ofensivo e criou as melhores chances antes do intervalo. Daizen Maeda levou perigo de cabeça, Yukinari Sugawara obrigou Jacob Zetterstrom a fazer boa defesa e Keito Nakamura quase abriu o placar em uma finalização desviada nos últimos instantes.
O gol saiu logo no começo do segundo tempo e nasceu de uma jogada que sintetiza o estilo japonês. Foram nove passes em 33 segundos até Ritsu Doan encontrar Maeda infiltrando entre os defensores. O atacante finalizou com tranquilidade para abrir o marcador. A vantagem, porém, durou pouco. Anthony Elanga acertou um chute de fora da área para empatar e recolocar a Suécia na disputa pela vaga.

Na reta final, o panorama mudou. A equipe sueca passou a atacar com mais frequência e criou oportunidades suficientes para vencer a partida, mas encontrou Zion Suzuki em uma atuação decisiva. O goleiro evitou gols de Alexander Isak e do próprio Elanga, preservando o empate que classificou os japoneses.
— O primeiro tempo foi um jogo equilibrado. Por outro lado, no segundo tempo conseguimos abrir o placar, mas, depois do empate, o momento mudou para o adversário. Ainda assim, acho que alcançamos o que era importante: sofrer o mínimo, não perder e garantir ao menos um ponto. Poder levar essa sequência invicta para o jogo contra o Brasil é definitivamente positivo — disse Zion Suzuki, goleiro do Japão, após o apito final.
Japoneses confiantes para jogo contra o Brasil
Maeda, autor do gol na partida, mostrou-se confiante para o confronto com o Brasil.
— Acho que será um jogo difícil, mas, se jogarmos bem o nosso jogo, podemos vencer o Brasil — afirmou o atacante.
O técnico Hajime Moriyasu também previu um confronto equilibrado com a Seleção Brasileira:
— Só queremos disputar uma partida que possamos vencer. Vamos trabalhar juntos como equipe, ser fortes e lutar até o fim ao lado dos nossos torcedores. Respeitamos muito o Brasil, mas sabemos das nossas possibilidades. Acho que é 50% a 50% — disse Moriyasu após a partida contra a Suécia.

Zico preferia que não houvesse o confronto
Entrevistado pelo Lance! pouco antes da Copa do Mundo para analisar a seleção japonesa, Zico previu uma grande Copa do Mundo para o país e lamentou que tivesse que cruzar o caminho do Brasil. Contratado pelo Kashima Antlers quando o clube japonês ainda era amador, em 1991, Zico ajudou a intensificar a paixão do povo asiático pelo futebol. Depois, virou treinador do seu ex-time e da seleção, deixando legados estruturais, táticos e técnicos. Para o ídolo do Flamengo, o desenvolvimento dos Samurais Azuis premia um trabalho muito bem feito, com humildade e organização.
— O Japão atravessa um momento bom, com um futebol agressivo, competitivo, buscando sempre a vitória. Quase todos os jogadores jogam na Europa, em grandes times, grandes campeonatos, onde ganham maturidade. Eu esperava essa evolução, devido ao amadurecimento e profissionalismo que via. Quando você conhece a cultura do japonês, vê que, quando ele se apaixona por uma coisa, luta até o fim para melhorar. E eu também via potencial pelo biotipo dos jogadores e pelo trabalho que vinham fazendo. Eu sempre confiei que eles cresceriam como cresceram — concluiu.
No Mundial de 2022, no Catar, o Japão liderou grupo que tinha Alemanha e Espanha, vencendo as duas gigantes, e foi eliminada nos pênaltis pela Croácia no mata-mata. Neste ciclo, os japoneses continuaram colecionando grandes resultados contra potências do futebol. Em 2023, golearam a Alemanha por 4 a 1. Em 2025, superaram o Brasil por 3 a 2. Já neste ano, bateram a Inglaterra por 1 a 0.

Há ainda um detalhe que pode pesar na preparação para o duelo contra o Brasil. Depois de disputar duas partidas em Dallas, o Japão permanecerá no Texas para enfrentar a seleção brasileira em Houston. A logística reduz deslocamentos, facilita a recuperação física e aumenta a possibilidade de contar novamente com uma presença expressiva de torcedores japoneses nas arquibancadas.
Do outro lado estará um Brasil que ainda busca sua versão mais consistente sob o comando de Carlo Ancelotti. A equipe brasileira avançou em primeiro lugar no Grupo C, mas alternou bons momentos com dificuldades, especialmente no empate diante do Marrocos, o adversário que mais conseguiu limitar seu jogo até aqui.
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O confronto de segunda-feira coloca frente a frente duas equipes que chegam ao mata-mata por caminhos diferentes. O Brasil reúne mais talento individual e um elenco mais profundo. O Japão, por sua vez, entra em campo sustentado por uma estrutura coletiva bem definida e uma eficiência ofensiva.
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