Sete jogos da Copa entram em alerta por suspeitas de manipulação

Relatório cita sete alertas no Mundial envolvendo apostas esportivas

PorRedação Lance!Rio de Janeiro (RJ)
23/07/2026 21:10
Atualizado há 1 hora
Troféu da Copa do Mundo exibido antes da final entre Espanha e Argentina
Troféu da Copa do Mundo exibido antes da final entre Espanha e Argentina (Foto: Pedro Ugarte/AFP)

Sete dos 104 jogos da Copa do Mundo de 2026 entraram em nível de alerta por possíveis irregularidades relacionadas ao mercado de apostas esportivas. A informação foi divulgada pelo "The Athletic", com base em um relatório preliminar do Grupo de Copenhague, entidade internacional independente dedicada à prevenção e investigação de manipulação em competições esportivas. Apesar dos apontamentos, a Fifa afirma que não identificou qualquer evidência de manipulação de resultados durante o torneio.

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Os sete casos foram classificados como alerta amarelo, o primeiro nível acima da categoria verde, utilizada para partidas consideradas normais. Acima do amarelo estão os alertas laranja, que indicam suspeita razoável, e vermelho, reservado para situações de maior gravidade. Segundo o relatório, nenhuma partida atingiu os dois níveis mais altos de risco.

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Caso Balogun é o principal motivo de preocupação

O episódio considerado mais sensível envolve o atacante Folarin Balogun, dos Estados Unidos. Expulso na vitória sobre a Bósnia e Herzegovina, pelas oitavas de final, o jogador teve a suspensão retirada dias depois. O relatório aponta que, logo após o cartão vermelho, a plataforma de previsões esportivas Polymarket abriu um mercado perguntando se Balogun estaria disponível para enfrentar a Bélgica. A confirmação oficial da Fifa de que o atacante poderia atuar só aconteceu três dias depois.

Segundo fontes ouvidas pelo The Athletic, o Grupo de Copenhague solicitou explicações formais à Fifa sobre o caso. A entidade máxima do futebol e a Polymarket foram procuradas pela publicação para comentar as conclusões do relatório.

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Folarin Balogun no aquecimento para Estados Unidos x Bélgica
Folarin Balogun no aquecimento para Estados Unidos x Bélgica (Foto: Luke Hales/Getty Images/AFP)

Outros lances monitorados

Entre as situações que geraram alertas, também aparecem o cartão vermelho aplicado a Themba Zwane, da África do Sul, na partida de abertura contra o México; o volume de US$ 4,8 milhões em apostas na Polymarket para que a Espanha não derrotasse Cabo Verde, confronto que terminou empatado sem gols; e a demora de três minutos e meio da arbitragem de vídeo para anular um gol de Ferrán Torres na vitória da Espanha por 4 a 0 sobre a Arábia Saudita.

O relatório informa ainda que 15 partidas foram colocadas sob vigilância reforçada durante o torneio, principalmente na rodada final da fase de grupos, quando determinados resultados poderiam beneficiar simultaneamente as equipes envolvidas. Ao todo, foram analisadas 12 situações consideradas potencialmente sensíveis sob o ponto de vista da integridade esportiva.

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Espanha goleou a Arábia Saudita pela Copa do Mundo (Foto: Roberto Schmidt/ AFP)
Espanha goleou a Arábia Saudita pela Copa do Mundo (Foto: Roberto Schmidt/ AFP)

Fifa diverge do relatório

Na terça-feira, a Força-Tarefa de Integridade da Fifa, criada em parceria com o Grupo de Copenhague e o Conselho da Europa, divulgou um balanço afirmando que não encontrou qualquer atividade suspeita de apostas ou indício de manipulação em nenhuma das 104 partidas da competição.

O especialista em apostas esportivas Christian Kalb, que já trabalhou com o Grupo de Copenhague, mas não participou da elaboração do relatório, destacou ao The Athletic que alertas desse tipo não significam necessariamente que houve manipulação de resultados. Segundo ele, oscilações nas cotações das apostas ou mecanismos de proteção utilizados por casas de apostas podem explicar parte das movimentações consideradas atípicas.

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Além dos mercados tradicionais, o relatório monitorou pela primeira vez plataformas de previsão como Polymarket e Kalshi, que operam em um ambiente regulatório diferente das casas de apostas convencionais. De acordo com estimativas do Grupo de Copenhague, cerca de US$ 240 bilhões foram movimentados em apostas durante a Copa do Mundo de 2026, aproximadamente o dobro do registrado no Mundial de 2022, disputado no Catar.

Presidente da Fifa, Gianni Infantino discursa durante evento nos Estados Unidos antes da final da Copa do Mundo entre Espanha e Argentina
Presidente da Fifa, Gianni Infantino discursa durante evento nos Estados Unidos antes da final da Copa do Mundo entre Espanha e Argentina (Foto: Mandel Ngan/AFP)

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