Endrick é a solução para o Brasil? Ex-jogadores da Seleção, técnicos e jornalistas opinam

O jogador pode ganhar usa primeira chance em uma Copa do Mundo contra o Haiti

PorEduardo StatutiBelo Horizonte (MG)
19/06/2026 15:34
Atualizado há 2 minutos

Depois de uma estreia com pouca criatividade e ofensividade, o nome de Endrick ganhou força entre os brasileiros como possível solução. O clamor popular tem feito com que Carlo Ancelotti seja muito perguntado sobre a possibilidade de o atleta ser titular nesta sexta-feira (19) contra o Haiti, apesar do italiano não dar sinais de que isso deva acontecer. Para entender melhor o cenário, o Lance! conversou com ex-jogadores da Seleção Brasileira, técnicos de futebol e jornalistas para saber se o jovem merece um lugar no 11 inicial.

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Ex-zagueiro que disputou as Copas de 1978, 1982 e 1986, Edinho enxerga que chegou o momento do garoto ter seu espaço na equipe, até mesmo pela falta de eficiência do ataque.

– É um garoto ainda. Já é o momento dele na Seleção em função de que os jogadores que têm entrado não tem histórico de Seleção Brasileira, principalmente, o último atacante que entrou. O Endrick é um jovem que já mostrou seu talento, tem que mostrar mais ainda. É uma esperança que nós temos. Tem experiência também, de seleção de base, coisa que outros não tiveram. Sabe mais ou menos como é vestir a camisa do Brasil. Nesse início, o treinador tem que testar todas as possibilidades que tem em mãos. O Endrick é um jogador que pode ter essa oportunidade. Diante de tudo que temos visto. Copa do Mundo é isso mesmo, às vezes o time não vai bem, o treinador tem que ter essa experiência e mudar rápido. Não tem tempo para pensar no que fazer. Se jogou mal, tem que mudar. O Endrick deveria ganhar uma oportunidade, sim. Todas as seleções que venceram a Copa, tiveram mudanças no meio da competição, o treinador mudou e acertamos o time. Agora é o momento de testar – opinou o ex-atleta.

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Para o jornalista Mauro Beting, Endrick tem jogado pra ser titular, não só na Seleção Brasileira, como em praticamente todas as equipes da Copa do Mundo.

– Endrick é solução para a maioria das seleções do mundo. Talvez não na França ou Portugal. Na Espanha, jogaria no lugar do Oyarzabal. Jogaria em qualquer lugar, menos na seleção do Ancelotti hoje. Pelo que o técnico falou ontem, gostaria de ter Endrick como filho, genro, business partner, mas não para começar jogando. Endrick deveria ter jogado pelo menos 45 minutos contra Marrocos. Acho que joga hoje, pode até ser como titular. Mas enquanto não for titular, pode e deve entrar como solução para a Seleção. O que não pode, é não jogar. Ainda mais pelo que o Brasil não jogou contra Marrocos – analisa.

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Cautela para não queimar o potencial de Endrick

Outros entrevistados pelo Lance! destacaram ainda o cuidado que deve se ter para não queimar um jogador com tanto potencial. Jorginho, auxiliar de Dunga na Copa do Mundo de 2010, marcado por não convocar Neymar, pondera sobre tratar Endrick como solução, mas destaca que que é uma ótima arma.

– Ele não é a solução, mas é uma importante arma para o Brasil. É jovem, forte, focado, extremamente profissional, muito bom jogador. Tem tudo para explodir. As vezes que tem entrado na Seleção, tem mudado o jogo. É uma opção muito importante para o Brasil. Não pode deixar de usa-lo porque é jovem. Tem jovens e jovens. Tudo bem que em 1994, o Ronaldo não jogou, o Neymar não jogou em 2010. Mas ele está mais maduro, jogando na Europa, passou por dois clubes, já cresceu, aprendeu. Acredito muito no potencial dele, é um jogador de muita movimentação. Pode vir de lado, por dentro, fazer pivô. Seria uma excelente opção – analisa.

Endrick e Carlo Ancelotti durante treino da seleção brasileira durante preparação para a Copa do Mundo
Endrick e Carlo Ancelotti durante treino da seleção brasileira durante preparação para a Copa do Mundo (Foto: MAURO PIMENTEL / AFP)

Conhecido pela carreira vitoriosa e pela capacidade de gerir elencos, Abel Braga também alerta para o perigo de se tratar um jogador de 19 anos como solução para a Seleção Brasileira.

– Eu acho muito perigoso tentar atirar a colocação sobre um garoto muito jovem. Nós dizendo se ele é solução. Ele seria mais um. A gente não pode dar a esse garoto essa responsabilidade. Ele é bom jogador, claro. Mas temos que esperar. Se o Neymar estivesse recuperado. Ele é um cara que tem algo que a Seleção precisa, que é respeito. Parece que ninguém respeita a Seleção mais. O Neymar tem um respeito muito grande. Todos temem, sabem do grande jogador que é. Ele é um cara preparado, para a crítica. É um jogador de nível espetacular. Solução o Endrick não é, é um pouco exagerada essa ideia – comenta Abel.

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Jornalistas ponderam sobre rótulo de 'solução' para Endrick

Em conversa com o Lance!, grande parte dos jornalistas seguem a linha de rejeitar o termo solução para a situação, mas sempre destacando que o jogador pode ser muito importante para a Seleção Brasileira nesta Copa do Mundo e no futuro.

– Acho que, "solução" é uma palavra muito forte. Existem outros aspectos que precisam ser corrigidos, aperfeiçoados, coletivamente falando, que podem fazer aflorar a técnica dos nossos grandes jogadores, inclusive o Endrick. Mas, sim. Olhando de fora, o garoto parece pedir passagem e merecer mais minutos em campo, mesmo que seja saindo do banco de reservas – analisa Paulo Andrade.

– Não acredito que solução seja a melhor palavra, estou mais para esperança. Enquanto os concorrentes não conseguem se firmar mesmo com as oportunidades recebidas, Endrick recebe migalhas. A cada entrevista, o Ancelotti só fala de futuro, de esperar o momento certo, mas Copa é tiro curto. Pode ser tarde demais lá na frente – comenta Victor Canedo.

Os jornalistas da ESPN, Gian Oddi, Gustavo Hoffmann, Cícero Mello e João Castelo Branco seguem a linha de ponderar sobre a simplicidade de tratar apenas um jogador como solução para um problema mais complexo da Seleção Brasileira, apesar de reconhecerem o alto potencial do atacante.

– Como sempre em casos do gênero, existe uma certeza injustificada em relação a ele ser a solução para a Seleção Brasileira. Mas me parece óbvio pelo histórico dele com a camisa do Brasil, que precisa entrar, ser testado nessa fase burocrática. Para sabermos se ele pode ser titular ou aparecer como opção no mata-mata. Eu o colocaria em campo, não necessariamente como titular, mas precisa de bons minutos para termos uma noção do que ele pode fazer nessa Copa do Mundo – analisa Gian Oddi.

– Não sei se o Endrick seria uma solução para a Seleção Brasileira. Mas por ser rápido, habilidoso e artilheiro, valeria à pena o técnico Ancelotti dar uma oportunidade no comando do ataque a esse jovem com tanto potencial e talento. Só não se deve esperar e cobrar que êle vá resolver todos os problemas do ataque da Seleção – ressalta Cícero Mello.

Após empréstimo breve, Endrick retorna ao Real Madrid no fim de julho (Foto: Rafael Ribeiro/CBF)
Após empréstimo breve, Endrick retorna ao Real Madrid no fim de julho (Foto: Rafael Ribeiro/CBF)

– Acho que estão colocando muita expectativa no Endrick. Acho que ele poderia ter entrado no jogo mas não sei se vai mudar tudo se só ele entrar – João Castelo Branco.

– A solução não passa por um jogador, e sim pelo coletivo. Acho, sim, que Endrick pode ajudar nesse sentido, mas a Seleção não vai mudar da água para o vinho com apenas uma substituição simples – diz Gustavo Hoffmann na mesma linha.

Por outro lado, o comentarista Conrado Santana acredita mais no poder que Endrick pode ter para mudar os rumos da Seleção Brasileira no atual cenário.

– Acho que o Endrick pode ser a solução. Não posso cravar que se ele entrar, tudo vai funcionar. Mas é uma aposta muito válida e que eu faria. Principalmente quando nosso ataque não tem funcionado. Até mesmo no ciclo, pensando em Vini, Raphinha. Outros já foram testados e não foram bem. Ele mereceu a chance, construiu essa chance de jogar com a Seleção Brasileira como titular. Acho que ele funciona melhor em uma dupla de ataque, mas pode participar com três também. No Lyon ele joga pela direita. Espero que entre contra o Haiti, tem grandes chances de conquistar a vaga como titular – analisa.

Ainda não é o momento?

Apesar da empolgação de alguns brasileiros com Endrick, outros profissionais do esporte acreditam que Carlo Ancelotti tem acertado na calma para alçar o jogador ao time titular.

– Ainda não! Acho que é o futuro da Seleção, vai nos dar muitas alegrias. Mas sobrecarrega-lo agora, em uma Copa do Mundo, é precipitar um jovem com muito futuro. Que tenhamos paciência, ele entre aos poucos, ganhe confiança e minutagem para produzir o que esperamos dele. Se colocarmos esse tipo de responsabilidade nele, ele pode não sobreviver – comenta Arturzinho ex-Vasco, Fluminense e Corinthians.

– Não diria solução, mas um bom começo para a alguém que tem pedido passagem para entrar e não sair. Os números mostram que quando o Endrick teve oportunidades, aproveitou. Nós sabemos da importância de um garoto jovem ter essa alegria, está faltando alegria na Seleção, está muito tensa. Vamos esperar que hoje a Seleção dê uma resposta diferente, ter essa alegria. Essa alegria se chama Endrick Essa vontade de querer jogar, mostrar porque está lá – pondera Somalia.

– Entendo que a solução para qualquer equipe de futebol é sempre o jogo coletivo forte. Se tratando de Seleção Brasileira onde todos os jogadores são de altíssimo nível e a competição interna é muito grande todos os jogadores tem nível para jogar cabe ao treinador usar o potencial de cada um deles para o melhor coletivamente. O Brasil tem um treinador muito competente e vitorioso. Tenho certeza que ele e sua equipe de trabalho irão fazer as melhores escolhas para nos aproximarmos do êxito na Copa do Mundo – analisa Eduardo Barroca.

Pedindo passagem

Ídolo do Flamengo, Athirson vê Endrick pedindo passagem na Seleção Brasileira de Carlo Anceltoti. Na mesma linha, Dé Aranha e Lisca também exaltam a diferença do atacante para outros jogadores.

– A Seleção Brasileira ainda não encontrou esse grande atacante. Testou desde as eliminatórias, mas não achou o camisa 9. O Endrick vem crescendo, tendo boas participações. Precisa de uma oportunidade, está pedindo passagem. É um jogador que tem dado conta do recado quando entra. Ele e o Danilo, do Botafogo, têm pedido passagem. No meu ponto de vista, o treinador tem que olhar com uma atenção maior os jogadores que estão em um melhor momento – diz Athirson.

– O Endrick é um grande jogador, é diferenciado. Já conversei com algumas pessoas que trabalharam com ele, principalmente o João Paulo Sampaio. Eles falam muito do foco, da determinação, perceverança, profissionalismo, maturidade dele. Ele queimou etapas, mas mostrou que está preparado. Mas não acredito em solução individual, seria muito pesado para ele. Acredito em solução coletiva, que vai potencializar as individualidades. Mas como ele tem esse poder de decisão, essa aura, pode ser muito importante nessa Copa do Mundo e na sequência. Agora, colocar esse fardo, acho que só atrapalharia. Não que ele não queira, mas sozinho ninguém resolve nada, nem ele, nem Neymar, nem ninguém. Tem que ter um time coeso, ordenado, conectado, e aí realmente o potencial dele vai aparecer – analisa Lisca.

– O Endrick é uma promessa. É um garoto extremamente talentoso, com muita vontade. Mas não é um atacante fixo. Tem todas as possibilidades de arrebentar. Como vou adivinhar que ele vai arrebentar se entrar? Futebol não é assim! Futebol tem momentos. Nosso time ainda é um bando. Vejo grandes possibilidades no Endrick, Rayan, Luiz Henrique. Porque são jovens, têm vontade. O Ancelotti está nessa fase de estudos. Depois na fase eliminatória não tem como errar. É um jogo só. Então aí temos que colocar quem se entrosa melhor, tem mais vontade, aí cresce a possibilidade do Endrick. Futebol mudou muito, centroavante paradão igual o Igor Thiago, não dá no futebol de hoje. Acredito que o Endrick teria uma situação muito melhor, pelo talento, mas acima de tudo pela vontade – comenta Dé Aranha.

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