Como Ancelotti, o 'surreal', tranquilizou a Seleção diante do Japão

Mensagem do treinador no vestiário transmite confiança aos jogadores

Enviados Especiais
30/06/2026 06:55
Carlo Ancelotti, técnico da Seleção Brasileira
Carlo Ancelotti, o sereno técnico da Seleção Brasileira (Foto: Alex Slitz/Getty Images via AFP)

HOUSTON, TX (EUA) - Ir para o vestiário no intervalo perdendo por 1 a 0 logo no primeiro mata-mata da Copa do Mundo certamente não foi a melhor experiência para os jogadores da Seleção Brasileira no duelo entre Brasil e Japão. O time até estava melhor, mas carecia de efetividade, enfrentava uma retranca e carregava nas costas a expectativa de 200 milhões de brasileiros. Mas, em vez de preocupação e ansiedade, os jogadores da Seleção se depararam com um técnico Carlo Ancelotti calmo e ciente do que precisava ser feito. Foi ali que o Brasil começou a virar o jogo.

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— Ancelotti é um cara surreal. No intervalo, ele nos deu confiança, disse que marcaríamos um gol e que iríamos virar o jogo. Não importava quando o gol sairia. Sentimos a calma dele. Isso nos tranquilizou — contou Gabriel Martinelli após o jogo.

Martinelli entrara aos 20 minutos do segundo tempo, em uma daquelas substituições capazes de desagradar à maioria. Não que Matheus Cunha, o substituído, estivesse fazendo uma grande partida, mas Martinelli não parecia aos olhos do torcedor see a melhor opção. Era, porém, na ótica de Ancelotti. E foi o atacante do Arsenal quem marcou o gol da vitória, já aos 50 minutos.

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A escolha de Ancelotti se somou a outra controversa: a manutenção de Casemiro, mesmo que ele já tivesse sido advertido com cartão amarelo e apresentado certa displicência em alguns momentos do primeiro tempo. Pois foi justamente Casemiro quem fez o gol de empate, que recolocou o Brasil na rota das oitavas de final.

Gestor nato de grupo, Ancelotti aumentou ainda mais essa fama nos tempos de Real Madrid. Não são raros os relatos de jogadores que já trabalharam com ele sobre a forma serena e tranquila com que o técnico lida com os momentos mais difíceis em campo. E o treinador italiano conseguiu manter esse estado de espírito mesmo quando encarou um placar adverso logo no primeiro mata-mata como técnico de uma seleção em Copa do Mundo.

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— Eu sofri menos, estava confiante. O time estava jogando bem. Depois do gol, tivemos dificuldades pela força do rival. É um time respeitável, muito bem organizado e perigoso. Os jogadores são fortes fisicamente. Mas o time (Brasil) jogou, não foi um time perdido como no primeiro tempo contra o Marrocos — declarou Ancelotti, após a partida em Houston.

O treinador também explicou como conseguiu manter o foco do grupo, mesmo que o placar adverso tenha sido ocasionado em um erro defensivo. Em vez de cobranças, Ancelotti mostrou aos jogadores do Brasil que o time estava bem na partida, e que por isso o gol era questão de tempo.

— No futebol, você comete erros. É impossível não cometer erros, porque ninguém é perfeito. Mas sabemos como seguir em frente. Foi isso que a equipe fez muito bem no segundo tempo. Ninguém achava que não conseguiríamos marcar. O lado mental é importante. É normal sofrer. Não é nada de novo, especialmente no futebol moderno. Sofrer é tão normal quanto sentir alívio —, considerou Ancelotti.

Carlo Ancelotti, técnico da Seleção Brasileira
Carlo Ancelotti procurou passar tranquilidade ao Brasil quando o time perdia para o Japão (Foto: Paul Ellis/AFP)

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