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Análise: Brasil repete erros, confirma fraquezas e depende de lampejo na estreia na Copa

Relutante em apostar na juventude, Ancelotti opta por experiência no lugar de ousadia

PorVicente SedaRio de Janeiro (RJ)
13/06/2026 23:26
Carlo Ancelotti, técnico da Seleção, durante Brasil x Marrocos pela Copa do Mundo
Ancelotti optou por não apostar nos mais jovens do grupo contra Marrocos (Photo by Dan Mullan / Getty Images via AFP)
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Muitos problemas a resolver, poucas opções para solução. O Brasil repetiu diante de Marrocos, em sua estreia na Copa do Mundo, erros recorrentes no ciclo de preparação. Apresentou fragilidades igualmente conhecidas e deu sinais de que ainda falta entrosamento e organização para enfrentar equipes que, como o rival deste domingo, já jogam juntas há algum tempo. Sem Estevão e Wesley, o lado direito do time de Carlo Ancelotti ficou descaracterizado. O meio de campo segue sem convencer. E as laterais...

É nítida a fragilidade brasileira pelos lados do campo, especialmente o direito. Na esquerda, Douglas Santos deu conta do recado, pelo menos na defesa. Mas Ibañez sofreu na marcação no primeiro tempo. Percebendo o nervosismo do jogador, Marrocos forçou o jogo pelo seu setor, embora a estrela do time, Hakimi, atuasse pelo outro lado. Com Paquetá organizando as ações ofensivas, e Casemiro como principal barreira em frente à zaga, o meio de campo esbarrava em erros de passe, alguns deles propiciando contra-ataques, como o que o time africano aproveitou para abrir o placar.

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Bruno Guimaraes teve dificuldades na saída de bola e na criação de jogadas (Foto Charly Triballeau/AFP)

Sem qualidade na saída de bola

No primeiro tempo, Brahim Diaz ditava ritmo com respaldo de uma marcação muito bem encaixada. Marrocos provocava erros na defesa brasileira, que hesitava sob pressão, e conseguia roubar a bola rapidamente no campo de ataque. O Brasil, por sua vez, carecia de velocidade e qualidade na saída de bola que nem Casemiro, nem Bruno Guimarães proporcionavam.

A solução habitual, com saídas rápidas pelos flancos, também não funcionava. Vini Jr., muito marcado, tentava quebrar linhas pela esquerda, mas o time estava capenga, sem alternativas além do craque do Real Madrid. Do outro lado do campo, a primeira tentativa de jogada só foi sair aos 38 do primeiro tempo. Raphinha teve novamente dificuldades para se encontrar do lado contrário do campo ao que está mais habituado a jogar, e o gol de empate só saiu no talento, em uma jogada que pouco teve de pensamento coletivo. Vini Jr. ficou com a bola dentro da área e resolveu.

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Vini Jr comemora com Bruno Guimarães gol marcado pelo Brasil sobre Marrocos, na estreia da Copa do Mundo
Vini Jr comemora com Bruno Guimarães gol marcado pelo Brasil sobre Marrocos (Foto: Jewel Samad/AFP)

Olhando somente as estatísticas da partida, a impressão à primeira vista é de um equilíbrio que só deixou os números para a prática no segundo tempo. Na etapa inicial, o Brasil teve mais posse (54%) e praticamente o mesmo percentual de acerto de passe (87% contra 86%), mas em produtividade a frieza dos dados não dava o tom real do que se via em campo.

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Saída de Paquetá dessaruma o time

Ancelotti enxergou a necessidade de mudança e trocou logo no intervalo os dois brasileiros que receberam cartão amarelo: Ibañez e Casemiro. Fabinho conseguiu dar mais equilíbrio à defesa e à saída de bola. Mas a saída de Paquetá desarrumou de vez o setor de criação. Raphinha, que já não se encontrava pela direita, ficou ainda mais perdido com a entrada de Luiz Henrique no setor. E não conseguiu suprir a ausência de Paquetá na distribuição do jogo. Matheus Cunha, mais adiantado, não teve muito impacto em relação a Igor Thiago.

Com Danilo Santos no lugar de Bruno Guimarães, o time ficou um pouco mais dinâmico, e o jogo na etapa final se mostrou mais picotado e equilibrado. Ambas as seleções ainda tiveram chances, e o empate se mostrou justo. Ancelotti jogou na conta da ansiedade, mas não falou em falta de ousadia. Dele mesmo. As opções de talento ficaram no banco.

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Raphinha teve atuação apagada e ficou perdido taticamente (Foto Darrian Traynor/Getty Images via AFP)

Faltou ousadia para escalar Endrick e Rayan

Ainda relutante em apostar na juventude, talvez para preservar os mais jovens do grupo, ficou na imaginação como seria essa Seleção no segundo tempo se, em vez do já conhecido Matheus Cunha, tivesse entrado Endrick, se, em vez de Raphinha, Rayan — um garoto que saiu do Vasco para a Premier League e continuou jogando solto, como fazia em São Januário — tivesse uma chance. Mas, como disse o próprio Ancelotti, se a sua avó tivesse rodas, seria um carro — frase que usou para responder se teria convocado Neymar caso soubesse com mais antecedência da gravidade da lesão.

Talvez seja essa ousadia que falte à Seleção neste momento. Quem sabe, tirar esse "se" do imaginário seja a solução que hoje ainda não se apresenta com as opções utilizadas. A escolha clara é pela experiência, pelos "cascudos". Porém, ainda mais com as baixas recentes, Ancelotti não pode se privar da irreverência característica da camisa amarela. E, com uma Seleção que nitidamente dependerá muito da qualidade individual para vencer, já que o entrosamento está longe de ser um ponto forte, a garotada pede uma oportunidade.

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