Longe de casa, Camila Brait é reverenciada por rivais na noite do adeus
Líbero se aposenta das quadras após 18 anos com a camisa do Osasco

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Em um ginásio cheio de azul e branco, as arquibancadas aplaudem uma jogadora vestindo laranja. A cena seria estranha, caso a atleta em questão não fosse Camila Brait, uma das poucas unanimidades do esporte. Medalhista olímpica com a Seleção, e a cara do Osasco nos últimos 18 anos, a líbero se despediu das quadras longe de casa e com uma derrota dolorida, mas não sem a devida reverência a uma das maiores do vôlei brasileiro.
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Abraçada pelas companheiras e pelo treinador Luizomar de Moura, a quem considera um pai, Camila Brait foi às lágrimas enquanto ouvia seu nome gritado pelos torcedores do Minas, que deixaram a rivalidade de lado e fizeram uma pausa nas comemorações.
Brait sendo ovacionada pela torcida minastenista, que momento! 🥺#VoleiNoSportv pic.twitter.com/wXtQ5ZKv8g
— QG do Vôlei (@QGdoVolei) April 25, 2026
A despedida foi vivida aos poucos. Durante os playoffs da Superliga, a própria jogadora admitiu que preferia nem pensar muito no assunto, ou as emoções tomariam conta enquanto ainda havia muito a decidir dentro de quadra. O sentimento era compartilhado até por familiares da atleta que, com coração apertado, curtiram cada segundo dos últimos jogos de Brait, respeitando a decisão da aposentadoria.
Família, aliás, foi o fator decisivo para o adeus de Camila. Aos 37 anos, ela mostrou que amadureceu como um bom vinho e jogou em alto nível em suas últimas temporadas. Em 2024/2025, levou a tríplice coroa com o Osascoain, subiu ao pódio em mais um Mundial de Clubes, e ainda teve tempo de ultrapassar os 800 jogos com a camisa do clube. Grata pela história escrita dentro de quadra, era hora de dedicar mais tempo à família de sangue, aos filhos.
— Nesses 18 anos vestindo a camisa de Osasco, vivi e senti coisas extraordinárias, sentimentos que só o esporte é capaz de proporcionar. Teve dor, momentos difíceis, incertezas, choro, luta... Mas também teve sucesso, vitórias, muita glória, e o principal, eu fui feliz aqui - escreveu, nas redes sociais.
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'Brait e Osasco são uma coisa só'
Ao caminhar pelos arredores e entrar no Ginásio José Liberatti, casa do Osasco, a camisa mais vista é a número 18 de Camila Brait. Ali, é considerada mais uma entre os "Loucos", como se chamam os torcedores do clube. Para eles, Brait é como o Pelé para o Santos, é a maior da história, é sinônimo de Osasco. Se dependesse da torcida, ela nem pararia de jogar.
Quis o destino que o último jogo oficial de Camila Brait não fosse no ginásio da grande São Paulo. Apesar da derrota para o Minas no jogo 2 das semifinais, não faltaram homenagens à capitã em sua despedida de casa. Nas arquibancadas, a torcida cantou, mais alto do que nunca, um nome que certamente continuará ecoando no vôlei.
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