Julia Kudiess inicia recuperação; médico explica lesão e prazo de retorno da central
Central da Seleção Brasileira iniciou recuperação após romper o LCA do joelho esquerdo na VNL

A foto publicada por Julia Kudiess no hospital, nesta quarta-feira (15), representou o recomeço de uma rotina que a central da Seleção Brasileira conhece bem: cirurgia, fisioterapia e meses de recuperação pela frente. A jogadora sofreu uma ruptura do ligamento cruzado anterior (LCA) do joelho esquerdo durante a Liga das Nações Feminina e ficará fora do restante da temporada da seleção em 2026.
➡️VÍDEO: Julia Kudiess sai de quadra lesionada e preocupa para a fase final da VNL
A Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) confirmou, na madrugada do último domingo (12), a ruptura do LCA sofrida pela jogadora durante a partida contra os Estados Unidos, pela última semana da fase classificatória da VNL, disputada em Osaka, no Japão.
O episódio trouxe de volta a lembrança da lesão que tirou a central dos Jogos Olímpicos de Paris 2024. Na ocasião, Julia rompeu o ligamento cruzado anterior do joelho direito durante a Liga das Nações, antes da preparação da Seleção Brasileira para a Olimpíada, interrompendo o melhor momento de sua carreira e a afastando do principal compromisso do ciclo olímpico.
Embora o diagnóstico atual seja o mesmo, a nova ruptura aconteceu no joelho oposto ao lesionado há dois anos. Ainda assim, a recuperação exige novamente um longo período afastada das quadras, normalmente entre oito e nove meses após a cirurgia.
Em entrevista ao Lance!, o médico ortopedista e cirurgião do joelho Dr. Ricardo Soares, do Hospital Ortopédico AACD afirmou que casos como o da jogadora frequentemente apresentam danos além da ruptura isolada do ligamento.
— É comum que a lesão do LCA venha acompanhada de lesões no menisco, na cartilagem e em outros ligamentos, dependendo da intensidade do trauma. A confirmação é feita por exames de imagem, como a ressonância magnética, e pela avaliação durante a cirurgia.
O fato de Júlia já ter sofrido anteriormente uma ruptura do LCA, ainda que no joelho oposto, também pode representar um fator adicional de atenção durante a recuperação e o retorno ao esporte de alto rendimento.
— Há alguns fatores associados, como assimetria de força, alterações no controle neuromuscular e biomecânicas, características anatômicas individuais, fatores genéticos e os próprios movimentos exigidos pelo esporte.

Entenda como acontece a lesão do LCA no vôlei
A ruptura do ligamento cruzado anterior está entre as lesões mais graves e temidas do esporte de alto rendimento. No vôlei, ela costuma ocorrer em movimentos comuns do jogo, especialmente durante aterrissagens após ataques e bloqueios, além de mudanças bruscas de direção e deslocamentos laterais próximos à rede.
O mecanismo clássico acontece quando a atleta aterrissa com o joelho próximo da extensão total, associado ao chamado valgo dinâmico, quando o joelho se projeta para dentro, e à rotação da tíbia. Em muitos casos, a ruptura acontece sem qualquer contato físico com outra jogadora, cenário frequente em modalidades de salto.
Embora centrais estejam constantemente envolvidas em ações de bloqueio e ataque pelo meio, com elevado número de saltos ao longo das partidas, estudos não apontam um risco significativamente maior de lesão do LCA para essa posição em relação a ponteiras ou opostas. O principal fator está relacionado à mecânica dos movimentos realizados durante o jogo e não necessariamente à função exercida em quadra.
O Dr. Ricardo Soares explica que o ligamento exerce papel fundamental justamente nos movimentos mais frequentes do voleibol.
— O ligamento cruzado anterior (LCA) é um dos principais estabilizadores do joelho. Sua função é impedir que a tíbia deslize excessivamente para frente em relação ao fêmur (estabilidade anteroposterior) e também garantir a estabilidade rotacional do joelho. Por isso sua importância durante mudanças rápidas de direção, saltos e aterrissagens, sendo uma estrutura muito associada a lesões em esportes como vôlei e futebol.
➡️Craque do Sesc Flamengo sofre mesma lesão de Julia Kudiess na VNL
Impacto da lesão de Julia Kudiess para a Seleção Brasileira
A nova lesão de Julia Kudiess acontece em um momento decisivo da temporada para a Seleção Brasileira. O Brasil garantiu vaga nas quartas de final da Liga das Nações Feminina e enfrenta o Japão em busca de um lugar na semifinal da competição, agora sem uma de suas principais peças no sistema defensivo.
Líder do ranking de bloqueios da VNL, com 42 pontos, a central era um dos destaques da campanha brasileira e peça importante no esquema de José Roberto Guimarães tanto pelo desempenho no bloqueio quanto pela velocidade no ataque pelo meio. Sua ausência obriga a comissão técnica a reorganizar a rotação do meio de rede justamente na fase mais importante do torneio.
Para a atleta, porém, o principal desafio estará nos próximos meses. Além da recuperação física e da readaptação ao ritmo de competição, a nova cirurgia representa mais um processo de reconstrução após o trauma vivido antes dos Jogos Olímpicos de Paris 2024.
De acordo com o médico ortopedista Dr. Ricardo Soares, do Hospital Ortopédico AACD, o retorno ao alto rendimento costuma ser positivo, mas exige tempo e cuidados em diferentes aspectos da recuperação.
— A maioria das atletas consegue retornar ao alto nível competitivo, mas é preciso considerar que o longo período de afastamento, de pelo menos nove meses, impacta o condicionamento físico, o ritmo de jogo e também o aspecto psicológico, especialmente a confiança para executar determinados movimentos no retorno.
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