Vini Jr salva o Brasil, mas números mostram atuação irregular contra Marrocos
Atacante marcou seu segundo gol com a camisa da Seleção em Copas

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O Brasil chegou aos Estados Unidos, Canadá e México esperando que Vinícius Júnior seja o protagonista da campanha rumo ao hexa da Copa do Mundo. Contra Marrocos, ele não comandou o jogo do início ao fim. Mas, quando a estreia ameaçou virar um vexame, ele decretou o 1 a 1 e evitou uma derrota logo na abertura do torneio. O principal jogador da equipe apareceu justamente quando a Seleção mais precisava.
No MetLife Stadium, diante de mais de 80 mil torcedores, o Brasil teve dificuldades desde os primeiros minutos. Marrocos controlou a bola no início, chegou a flertar com 70% de posse nos dez minutos iniciais e encontrou espaços para atacar uma equipe brasileira que demorou a entrar no jogo.
Vini Jr sentiu o mesmo cenário. A bola chegava pouco. Quando chegava, quase sempre havia dois ou três marcadores por perto. Ainda assim, foi dele a principal tentativa de reação brasileira antes mesmo do gol. Em uma arrancada pela esquerda, deixou Igor Thiago em condições de marcar. Pouco depois, resolveu sozinho.
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Gol foi o único chute de Vini na partida
Curiosamente, o gol nasceu em um jogo em que o camisa 7 quase não finalizou. Foi apenas um chute — e um gol. O lance tinha somente 0,10 de gols esperados (xG), índice que mede a probabilidade de uma finalização terminar na rede. Em outras palavras: era uma chance que normalmente não termina em gol. Terminou porque Vinícius encontrou uma solução onde o jogo oferecia poucas. O chute, por exemplo, ultrapassou a barreira dos 100 quilômetros por hora, deixando o goleiro marroquino Bounou sem chance de defesa.
— Começamos muito mal no primeiro tempo. Isso dificultou muito, porque acabamos tomando um gol. E depois, para tu engrenar o primeiro jogo da competição, a estreia sempre é muito difícil. Mas a gente tem que melhorar, seguir evoluindo, porque a competição só está começando. Isso é Copa do Mundo, não vai ter jogo fácil — falou Vini.
A atuação, no entanto, não foi construída apenas pelo momento decisivo. Ela também carregou os sinais da dificuldade que o Brasil encontrou para jogar.
O atacante participou de 53 ações com a bola, acertou 26 dos 31 passes que tentou e terminou a partida com 84% de aproveitamento nos passes. No campo ofensivo, onde o risco é maior, manteve 79% de precisão.
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Sem espaço para receber perto da área, precisou buscar o jogo mais atrás. Conduziu a bola 18 vezes, percorreu quase 239 metros carregando a posse e produziu mais de 145 metros de progressão territorial para a Seleção. Se faltaram oportunidades claras, sobrou responsabilidade na construção.
Os números dos duelos ajudam a mostrar o preço dessa tentativa constante de acelerar o jogo. Vinícius tentou oito dribles e não completou nenhum. Disputou 14 duelos pelo chão e venceu apenas três. Perdeu a posse de bola 20 vezes.

Grande parte das perdas aconteceu justamente porque ele foi o jogador brasileiro que mais tentou desequilibrar individualmente quando o sistema coletivo não funcionava. O Brasil passou boa parte da partida sem conseguir controlar o meio-campo e sem estabelecer uma circulação consistente de bola. Nesses momentos, a saída quase sempre era procurar Vinícius.
Foi ele quem mais recebeu em situações de enfrentamento direto. Foi ele quem mais carregou a bola para frente. Foi ele quem mais atraiu a atenção da defesa marroquina.
Não por acaso, acabou eleito pela Fifa o melhor jogador da partida.
A avaliação também foi compartilhada por Carlo Ancelotti.
— Jogou bem, foi bastante perigoso. Acredito em toda a qualidade que ele tem. Vai fazer um grande Mundial — analisou o italiano.

Imprensa espanhola exalta atuação do atacante
Na Espanha, os principais jornais destacaram justamente essa capacidade de aparecer quando o jogo se torna desconfortável. O Marca resumiu a noite dizendo que Ancelotti ainda pode confiar em sua principal estrela. O AS foi além e definiu o brasileiro como um gênio em um duelo que colocava frente a frente talento e futuro.
Durante boa parte do jogo, Vinícius esteve distante da versão dominante que costuma aparecer no Real Madrid. Encontrou dificuldades para driblar, sofreu com a marcação marroquina e participou de um ataque que produziu menos do que se esperava.
Ainda assim, foi decisivo.
— Ah, certamente a gente tem que segurar mais a bola, ficar muito mais com a bola, mover de um lado ao outro, porque muitas das vezes os adversários vão vir para se defender e sair no contra-ataque. E a gente acabou tomando um gol no contra-ataque. Mas a gente não tem muito o que falar, é trabalhar, porque o próximo jogo já está muito perto — disse Vini Jr, explicando o que o Brasil precisa melhorar na Copa.

Aos 26 anos, em seu jogo de número 50 pela Seleção, marcou o décimo gol com a camisa amarela. Em Copas do Mundo, já soma dois gols e duas assistências em cinco partidas. Participa diretamente de um gol brasileiro a cada 98 minutos disputados no torneio.
Os números ainda não o colocam ao lado dos maiores protagonistas da história da Seleção em Mundiais. A expectativa, porém, é justamente essa.

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