Imprensa do Haiti diz que Seleção Brasileira vence 'sem muito brilho' e ressalta primeira eliminação da Copa
Mídia local analisa revés por 3 a 0 e destaca que a Amarelinha 'não precisou forçar o talento' para vencer em Filadélfia; derrota confirma a primeira eliminação matemática da Copa

A Seleção Brasileira venceu o Haiti por 3 a 0 na noite da última sexta-feira (19), em jogo válido pela segunda rodada da fase de grupos da Copa do Mundo. Após o triunfo do Brasil, a mídia haitiana classificou a derrota como sem "surpresas", definiu a seleção do Haiti como a primeira eliminada da Copa e lamentou que a primeira vitória dos Granadeiros em Copas do Mundo, considerada um "milagre", não aconteceu.
O "Le Nouvelliste", um dos maiores e mais tradicionais jornais do Haiti, afirmou que a Seleção Brasileira venceu "sem muito brilho" os caribenhos, mas que "não precisou forçar seu talento para vencer em Filadélfia uma seleção haitiana muito frágil". O periódico também destacou que a equipe haitiana não tinha um "plano" para conter o ataque do Brasil.
Além disso, o diário ressaltou que os brasileiros venceram com "tranquilidade", assumindo a liderança do Grupo C, graças à apertada vitória de Marrocos por 1 a 0 sobre a Escócia.
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História do Haiti até a Copa
O Haiti retorna à Copa do Mundo após um longo período de ausência. Sua única participação anterior no torneio havia acontecido em 1974. Desde então, os Granadeiros aguardaram por mais de cinco décadas para voltar ao Mundial.
Na terceira fase das Eliminatórias, em um grupo com Honduras, Costa Rica (seleções de maior tradição em Copas) e Nicarágua, os Granadeiros perderam apenas uma das seis partidas disputadas e terminaram na liderança da chave. Após um empate entre hondurenhos e costa-riquenhos, o Haiti carimbou sua classificação ao superar a Nicarágua por 2 a 0, decretando o fim de um jejum que perdurou por 52 anos.
Brasil e Haiti: uma ligação marcante
A ligação entre os dois países por meio da bola começou muito antes do trágico terremoto que devastou o país caribenho em 12 de janeiro de 2010. Naquela ocasião, o tremor atingiu magnitude 7,0 na Escala Richter, deixando centenas de milhares de mortos e destruindo grande parte da infraestrutura haitiana.
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Anos antes, em 18 de agosto de 2004, a Seleção Brasileira desembarcou em Porto Príncipe para disputar o histórico "Jogo da Paz". A partida foi realizada em um momento de grave crise política e social no Haiti, que vivia uma guerra civil após a queda do presidente Jean-Bertrand Aristide.
O Brasil venceu o confronto por 6 a 0, com três gols de Ronaldinho Gaúcho, dois de Roger Flores e um de Nilmar. Vale lembrar que a delegação desembarcou na capital haitiana sob um forte esquema de segurança: os jogadores desfilaram em carros blindados do Exército Brasileiro e foram ovacionados por uma multidão nas ruas.
O evento teve um caráter fortemente humanitário. Como parte de uma campanha de desarmamento, os ingressos foram distribuídos em troca da entrega voluntária de armas de fogo. A Seleção Brasileira levou esperança para uma população marcada pela violência e pela instabilidade.
Mais de uma década depois da tragédia que abalou o país, a presença da seleção caribenha na Copa representa muito mais do que uma conquista esportiva. Para militares brasileiros, é a prova de que uma nação marcada por crises, terremotos e dificuldades conseguiu encontrar no futebol uma razão para sonhar novamente.

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